A Noite Escura da Alma: O Paradoxo Místico

A Noite Escura da Alma: O Paradoxo Místico
Análise da experiência mística que antecede à plena iluminação, segundo a doutrina de São João da Cruz  (Séc.16).

Sergio Carlos Covello

A “noite escura da alma” é metáfora de uma experiência mística que envolve paradoxo, porque essa experiência é iluminativa e, no entanto, obscurece a consciência e acarreta sofrimento. Para  extrair sentido dessa contradição, faz-se necessário examinar o rico simbolismo da noite no imaginário dos povos.

Entre os mitos gregos, Noite é o nome de uma deusa, filha do deus Caos, o vazio primordial antes de serem ordenados os elementos do mundo. Essa deusa personifica as trevas superiores e é representada com um manto escuro, a percorrer o céu, enquanto seu irmão, Érebo, simboliza as trevas inferiores. A deusa Noite gerou várias divindades, algumas benéficas, outras maléficas, sendo a mais importante delas o Dia (Hêmera), a divindade que trouxe a luz ao universo. Também na tradição judaica, a noite apresenta ora um aspecto negativo, ora um aspecto positivo. No Gênesis, ela denomina as trevas, sendo inferior à luz: “E viu Deus que a luz era boa, e fez separação entre a luz e as trevas. Chamou Deus à Luz Dia e às trevas, Noite (1.4-5)” . Em outras passagens, porém, a Bíblia ressalta o aspecto positivo da noite. Por exemplo, em Jó 35.10, lê-se que “Deus inspira canções de louvor durante a noite”. A noite é, portanto, o momento da inspiração divina. E em Salmos 19.2, a noite relaciona-se com a sabedoria: ” Uma noite – diz o salmista – revela conhecimento a outra noite”. Não por outra razão a coruja, pássaro notívago, representa, de longa data, a filosofia, simbolizando o saber e a clarividência. Na arte poética, a noite é geralmente evocada como o período propício ao romance, pois à noite, cessadas as atividades laborativas do dia, o ser humano pode ir livremente em busca do outro. Neste caso, a noite exerce fascínio: “Tudo tem suave encanto quando a noite vem”, diz a canção popular. Na esfera psíquica, a noite significa a face oculta da consciência, o inconsciente, que, durante o sono, geralmente à noite, vem à tela mental através de símbolos que expressam não só os desejos, mas também a sabedoria, a criatividade e as mais belas intuições.

Na teologia mística, a noite foi aos poucos adquirindo o sentido de estado de consciência com relação à Divindade, a eterna Incógnita envolta metaforicamente no manto negro da noite. “Deus habita as trevas” – dizem os místicos, porque nunca ninguém conseguiu ver Deus, nem Moisés e o povo eleito. Tudo o que sabemos sobre Deus são conceitos humanos. O homem presume que existe uma causa inteligente para o universo e chama a essa causa de Deus, atribuindo-lhe qualidades humanas (como a bondade, a justiça e a misericórdia). Cria, assim, Deus à sua imagem e semelhança. A teologia mística, ao contrário da teologia especulativa (baseada em conceitos e teorias), objetiva um conhecimento experimental – a posse interior de Deus pela contemplação que implica o despojamento do ego, visando à união da alma com “aquele que está além de todo ser e de todo saber”. A esse estado de despojamento os místicos alemães do século 14 chamaram de “noite escura”, expressão que foi consagrada 200 anos mais tarde pelo frade carmelita São João da Cruz, num poema lírico de oito estrofes em que o poeta relata a própria passagem por essa prova que antecede a plena iluminação. Nos comentários a esse poema, diz São João da Cruz que, mediante a noite escura, a alma se dispõe e encaminha para a divina união de amor. É possível explicar a jornada mística como a busca do Eu profundo, a dimensão expandida da consciência, para além do pequeno ego, de modo que a consciência individual se transforme em universal ou cósmica. Mas os místicos cristãos (e mesmo os não-cristãos teístas) consideram a ampliação da consciência como a união da alma com Deus, por analogia com o casamento humano, que é uma experiência transformadora na vida dos nubentes. Nessa etapa do desenvolvimento consciencial só entram as pessoas espiritualmente adiantadas, isto é, as que já se converteram para a sua dimensão maior e obtiveram algum grau de luz. Não se trata de período agradável, visto que é de provação. Segundo São João da Cruz, a noite escura consiste na mortificação dos sentidos e do espírito, por isso que produz abatimento, esgotamento mental e fadiga. Mas esse transe é altamente desejável, porque faz surgir o homem novo de consciência totalmente renovada.

A passagem pela noite escura da alma encontra apoio nas escrituras bíblicas. Tanto no Antigo, como no Novo Testamento, há vários exemplos de pessoas santificadas que sofrem provação antes de receberem um grande benefício. A noite escura do Cristo teve início no Getsêmane, pouco antes de o Divino Mestre ser preso, e terminou na cruz com a sensação de abandono: ” Eli, Eli, lamá sabactâni” (MT 27.46).Graças, porém, à tormenta física e mental, Jesus de Nazaré ressurgiu como o Cristo Cósmico Eterno, dando ensejo a uma das mais influentes tradições religiosas do mundo.

Na expressão Noite Escura, que dá nome à poesia de São João da Cruz, estão implícitos os vários sentidos figurados da noite: o mitológico (geratriz da luz), o sapiencial ( momento da sabedoria e da inspiração divina), o poético (instante doce  do amor) e o psicológico (centro de consciência transcendente).

A análise, ainda que sumária, dos belos versos do poema permitirá a melhor compreensão dessa fase do desenvolvimento da consciência, na visão poética do monge que fez da busca do Absoluto seu ideal de vida:

NOITE ESCURA

Canções de S. João da Cruz (1542-1591) que descrevem o modo pelo qual o místico chega ao estado de perfeição espiritual.

(1578)

1. Em uma noite escura,
De amor em vivas ânsias inflamada,     (1)
Oh, ditosa ventura!
Saí sem ser notada, (2)
Já minha casa estando sossegada. (3)

2. Na escuridão, segura,
Pela secreta escada, disfarçada,  (4)
Oh, ditosa ventura!
Na escuridão, velada,
Já minha casa estando sossegada.

3, Em noite tão ditosa,
E num segredo em que ninguém me via,
Nem eu olhava coisa,
Sem outra luz nem guia    (5)
Além da que no coração me ardia.

4. Essa luz me guiava,
Com mais clareza que a do meio-dia,
Aonde me esperava
Quem eu bem conhecia, (6)
Em sítio onde ninguém aparecia. (7)

5. Oh, noite que me guiaste!
Oh, noite mais amável que a alvorada!
Oh, noite que juntaste
Amado com amada,
Amada já no Amado transformada! (8)

6. Em meu peito florido
Que, inteiro para ele só guardava,
Quedou-se adormecido,
E eu, terna, o regalava,
E dos cedros o leque o refrescava.

7. Da ameia a brisa amena, (9)
Quando eu os seus cabelos afagava,
Com sua mão serena
Em meu colo soprava,
E meus sentidos todos transportava.

8. Esquecida, quedei-me,
O rosto reclinado sobre o Amado; (10)
Tudo cessou. Deixei-me,
Largando meu cuidado
Por entre as açucenas olvidado.(11)

(1) Trata-se de alma adiantada na espiritualidade, pois está incendiada do amor a Deus.

(2) Isto é, saiu de si, sem ser impedida pelos sentidos inferiores que compõem o ego.

(3) Casa sossegada: vida interior com pleno domínio das pulsões inferiores e das paixões menores.

(4) A escada mística da ascese rumo à Divindade. A escada joanina desdobra-se em 10 degraus.

(5) A luz da fé e do amor.

(6) Em sendo evoluída, a alma já conhecia a Divindade.

(7) O centro da alma, o espírito que é também sua parte mais alta.

(8) Pela união com a Luz a alma se transforma na Luz.

(9) Ameia: cada um dos arremates salientes, separados por intervalos regulares, construídos na parte mais alta do castelos, das torres e das muralhas que protegiam as cidades antigas. Vê-se que a alma subiu a escada para encontrar a Divindade.Brisa amena é sopro, símbolo do influxo espiritual de origem celeste. Mensageiro divino, o vento afasta as trevas. Na tradição bíblica, o “sopro de Deus” animou o primeiro homem. No poema, o sopro de Deus faz surgir o ser iluminado ( o novo homem que retornou à origem divina).

(10) Esquecida de si, quer dizer, com a atenção concentrada só no Amado.

(11) Sua inquietação desapareceu.

 

 

        

Estamos nós criando a “geração da permissividade”?

Walter Barbosa, membro da SOCIEDADE TEOSÓFICA

Dizer “sim” pode nos parecer o meio mais fácil de agradar, de fazer amigos. Contudo, sendo a criatura humana insaciável, sob o acicate de seus desejos e necessidades infinitas, a busca do “sim” pode se repetir muitas vezes, até que o dia em que, percebendo o abuso, dizemos “não”. Aí arranjamos um inimigo mortal, desfecho esse previsto há mais de dois mil anos pelo filósofo chinês Confúcio, na célebre frase: “Por que me odeias, se nada fiz para te ajudar”. 

A lógica de dizer sim para “fazer amigos” está presente mesmo no seio das famílias. Muitos pais e mães dizem “sim” para seus filhos na expectativa de captar e manter a amizade deles. A história de vida das pessoas tem mostrado que essa lógica é, com bastante freqüência, fatal.

Citando o recente “caso Eloá”, a psicóloga Karina dos Santos Cabral pergunta: “O que leva um rapaz de 22 anos a estragar a própria vida e a vida de outras duas jovens por… nada? Será que é índole? Talvez, a mídia? A influência da televisão? A situação social da violência? Traumas? Raiva contida? Deficiência social ou mental? Permissividade da sociedade? O que faz alguém achar que pode comprar armas de fogo, entrar na casa de uma família, fazer reféns, assustar e desalojar vizinhos, ocupar a polícia por mais de 100 horas e atirar em duas pessoas inocentes?”.

A resposta a tantas questões veio do rapaz: “Ela não quis falar comigo”, informa Karina. “A garota disse ‘não, não quero mais falar com você’. E o garoto, dizendo que ama, não aceitou um não. Seu desejo era mais importante”.

Quantas pessoas, pelo Brasil afora, fizeram algo mais que acompanhar o drama na TV, buscando uma explicação? Karina fez. E encontrou tal explicação de maneira fulminante:

“Ontem, enquanto não conseguia dormir pensando nesse absurdo todo, pensei que o ‘não’ da menina Eloá foi o único. Faltaram muitos outros ‘nãos’ nessa história toda. Faltou um pai e uma mãe dizerem que a filha de 12 anos NÃO podia namorar um rapaz de 19. Faltou uma outra mãe dizer que NÃO iria sucumbir ao medo e ir lá tirar o filho do tal apartamento a puxões de orelha. Faltou outros pais dizerem que NÃO iriam atender ao pedido de um policial de deixar a filha voltar para o cativeiro de onde, com sorte, já tinha escapado com vida. Faltou a polícia dizer NÃO ao próprio planejamento errôneo de mandar a garota de volta para lá. Faltou o governo dizer NÃO ao sensacionalismo da imprensa em torno do caso, que permitiu que o tal seqüestrador conversasse e chorasse compulsivamente em todos os programas de TV que o procuraram. Simples assim. NÃO. Pelo jeito, a única que disse não nessa história foi punida com uma bala na cabeça”.

O educador Içami Tiba diz: “O sim só tem valor para quem conhece o não. Mas a geração parafusos de geléia desconhece o não. Tudo é permitido. E a permissividade não gera um estado de poder ou de competência. Os parafusos de geléia têm baixa auto-estima porque foram regidos pela educação do prazer. Muitos pais acham que dar boa educação é deixar o filho fazer o que quiser, isto é, dar-lhe alegria e prazer. Não é isso que cria a auto-estima”.

Na perspectiva esotérica, os obstáculos naturais da vida – que os pais querem sempre tirar da frente dos filhos – são os meios para o fortalecimento da Vontade (atributo supremo do Espírito), fundamentando também a auto-estima, como autodomínio e crença em si mesmo. Assim, a frustração das eventuais derrotas é um aprendizado, e não uma tragédia.

Segundo Tiba, “Alegria ou prazer são logo digeridos, e as crianças ficam à espera de receber mais alegrias ou prazeres. Quando não recebem, fazem birra, tornam-se infelizes. Portanto, esse método, além de não desenvolver a auto-estima, cria muito mais dependência (de pessoas, de drogas), pois é dela que as pessoas passam a se alimentar para estarem bem”.

Ao que tudo indica, com nosso “amor” sem fundamentação espiritual, sem consciência e sem limites, estamos sim – desorientados pais e mães dos dias de hoje (salvo exceções) – alimentando a “geração da permissividade”. A que isso poderá levar?

CURSOS E PRÁTICAS
– Meditação, Teosofia, Astrologia, Hatha-Yoga e Yogaterapia. Projeto em andamento: Escola de Mães e Pais. Palestras públicas aos sábados, 18 horas, na Rua Pernambuco, 824, São Francisco. Campo Grande – MS – Tel.: (67) 9988-1010.

“Dai a César o que é de César e a Deus o que é de Deus”

Walter Barbosa, membro da SOCIEDADE TEOSÓFICA

Em muitas passagens bíblicas parece claro um conflito entre os desígnios divinos para o ser humano e aquilo que ele vive em seu dia a dia, no cenário da Terra. Qual a razão desse conflito? Eterna punição de Deus à “desobediência no Paraíso”?

De fato, sem um embasamento filosófico mais profundo, a inteligência se desarvora diante de enigmas aparentemente sem saída, às vezes apresentados – e solucionados – com uma proposta simbólica nos livros sagrados. O aprofundamento fica a cargo de cada um.

Atributo característico do ser humano, juntamente com a “Individualidade Espiritual”, a inteligência proporciona ao homem a “capacidade de adaptação”, possibilitando-lhe aprender rapidamente e sobreviver de acordo com as variações do ambiente. Por essa razão ele talvez seja um dos poucos mamíferos que come com a mesma naturalidade tanto um naco de carne como uma folha de alface, ao passo que – no sentido “animal” do seu corpo – nasce como o mais fraco e dependente entre eles.

Aquilo que no reino animal dá à caça e ao predador o equipamento adequado para que haja um equilíbrio natural entre experiência, sobrevivência e comida – tais como veneno, mimetismo, astúcia e velocidade, além do instinto da “Alma Grupo” -, no reino humano é resolvido pela inteligência. Mas esse recurso, no homem comum, é condicionado pelo baixo desenvolvimento mental e pelo desejo egoísta. Assim, sua inteligência se limita à busca de segurança, prazer e uma compreensão bem utilitarista de seus relacionamentos.

Subordinado, como um tigre, às “leis da sobrevivência”, de que forma o homem reage quando há qualquer ameaça às suas ilusórias posses físicas, afetivas ou mentais? Com a mesma disposição do tigre, ou até pior, pois utiliza a inteligência para a prática dos mais pavorosos crimes e ardis. Assim, pode-se dizer que um homem só é de fato digno desse título quando o seu lado espiritual – ainda “grupal” nos animais – começa a aflorar.

Quem são “César” e “Deus” na frase crística acima? Simplesmente as duas faces básicas dessa entidade paradoxal – meio-animal, meio-anjo – que o ser humano apresenta, aglutinando indivíduos de diversas etapas evolutivas, ao longo de milhares de anos.

César e Deus estão dentro de cada homem. Essencialmente, dar “a César o que é de César” significa atender as necessidades da forma material (o “dharma” do corpo), a fim de que possa abrigar o Ser Espiritual, num processo cada vez mais profundo de autoconhecimento.

Prosperidade material não é crime, se licitamente construída, e especialmente se sabiamente administrada. O problema está no apego que gera, lembrado na parábola do “moço rico”. Nosso grande conflito é justamente fazer a primeira parte, mas não a segunda – dar “a Deus o que é de Deus” – tornando a vida uma insaciável busca de prazer e bens terrenos.

Não obstante, sendo nossa natureza essencialmente divina, toda experiência é no fim um “aprendizado de Deus” em nós mesmos. Toda experiência acaba sendo divina, geradora de consciência, pois “somos Espíritos vivendo uma experiência material”, e não o contrário.

É sintomática a declaração de H.P.B. na “Doutrina Secreta” quando diz que, de um total médio de 777 vidas como seres humanos, vivemos setecentas (90%) como selvagens e semi-civilizados, setenta como civilizados e apenas sete na “Senda do Discipulado”. Considerando que hoje, com a Raça Ariana, estamos pouco além do meio da jornada humana (a metade ocorreu na anterior, a Raça Atlante), qual seria a nossa classificação geral?

Se for a de “semi-civilizados”, melhor se entende o caos reinante no planeta. E também porque Deus em cada homem – na partilha junto a César – deve neste momento se conformar com tão pouco.

CURSOS E PRÁTICAS
– Meditação, Astrologia, Hatha-Yoga e Yogaterapia. Palestras públicas aos sábados, 18 horas, na R. Pernambuco, 824, São Francisco. Campo Grande – MS – Tel.: (67) 9988-1010.

Não espere nada

Walter Barbosa

Esperar, às vezes, é uma coisa inevitável. Aguardando, pacientemente, nossa vez de sermos atendidos na fila do banco, no restaurante, nos consultórios (ah, os consultórios!), esperar é, além do mais, uma questão de educação, de civilidade. Contudo, Eckhart Tolle, autor do best seller “O Poder do Agora”, nos aconselha a “não esperar nada”.

A explicação para o mistério está no fato de que a espera não é uma circunstância “física”, mas sim mental. É o stand by em que somos colocados pela expectativa de alguma coisa a se realizar no futuro. O problema disso é que somos deslocados para lá, mergulhando em relativa inconsciência quanto aos fatos que estão se passando aqui, no presente. “Você está sofrendo de estresse? Pensa tanto no futuro que o presente está reduzido a um meio para chegar lá? O estresse é causado pelo estar aqui, embora se deseje estar lá, ou por se estar no presente desejando estar no futuro. É uma divisão que corta a pessoa por dentro”, diz Tolle.

O efeito negativo da inconsciência é bem claro: a vida acontece no agora. Mesmo as situações triviais são ricas em oportunidades de consciência. “É fundamental colocar mais consciência em sua vida durante as situações comuns, quando tudo está correndo de modo relativamente tranqüilo. É assim que aumenta o poder de presença. Ela gera um campo energético de alta freqüência vibracional em você e ao seu redor. Nenhuma inconsciência, nenhuma negatividade, nenhuma discórdia ou violência podem penetrar esse campo e sobreviver, do mesmo modo que a escuridão não pode sobreviver na presença da luz”.

Consciência é tudo que buscamos, como seres divinos, neste mundo. É importante ressaltar essa divindade inata, porque ela indica um propósito para a existência. Bem ao contrário da frase bíblica “Do pó vieste e ao pó voltarás” – verdade limitada ao corpo físico – a afirmação de que somos divinos garante nossa imortalidade, e com isso a certeza de que não precisamos correr atrás de coisa alguma. Muito menos da vida, porque já somos ela mesma.

Se nos posicionamos de maneira adequada na corrente da vida, o natural é que estejamos de acordo com o fluxo dessa corrente. E para onde ela flui? Para a plenitude da Paz e da abundância, que é uma força onipresente na natureza. A morte e a limitação só residem naquilo que é contrário às leis da natureza, onde tudo está sempre germinando, crescendo com fartura, beleza e espontaneidade. A miséria está apenas dentro do homem, na mente do homem.

A auto-observação é poderosa chave consciencial. “Quando você aprender a ser testemunha de seus pensamentos e emoções, o que é uma parte essencial do estado de presença, talvez se surpreenda ao perceber pela primeira vez o ruído ‘estático’ da inconsciência comum e ao verificar como é raro você se sentir à vontade consigo mesmo”, ensina Tolle.

Para essa auto-observação, são propostas questões como: “Estou me sentindo à vontade neste momento?”. Ou, “O que está acontecendo dentro de mim neste exato momento?”.

Confirmando o ensinamento esotérico de que a fonte de todo bem-estar reside dentro de nós, Tolle sugere: “Mantenha o mesmo nível de interesse pelo que vai tanto no seu interior quanto no exterior. Se você captar corretamente o interior, o exterior se encaixará no lugar. A realidade principal está no interior, a realidade externa é secundária”.

Quanto tempo de nossa vida passamos esperando, inclusive por um emprego melhor, as próximas férias ou um novo relacionamento? “Desista da espera como um estado da mente”, aconselha Tolle. E também que, da próxima vez que alguém disser “Desculpe por ter feito você esperar”, sua resposta deve ser: “Está tudo bem, não estava esperando. Estava aqui contente comigo – com meu Eu interior”.

CURSOS E PRÁTICAS
– Meditação e Teosofia, Astrologia, Hatha-Yoga, Yogaterapia. Palestras públicas aos sábados, 18 h, na R. Pernambuco, 824, São Francisco. Campo Grande, MS – Tel.: (67) 9988-1010.

Desilusão: momento de “morrer”… e de crescer

Walter Barbosa, membro da SOCIEDADE TEOSÓFICA

Velhos ou jovens, passamos a vida inteira iludidos. O que muda, depois de certa idade, é que suspiramos não mais pelo que “é” ou pelo que “será”, mas pelo que foi. Ficamos “lá” rememorando os momentos de ilusão vividos, apesar dos desencantos que se seguiram, porque “estar iludido” é algo inerente à natureza humana. É no berço da ilusão (filha da Matéria) que a Suprema Realidade do Espírito chega para cada um de nós, quando a Iluminação acontece.

Segundo a tradição oriental, “Tudo o que está vazio tende a se encher e tudo o que está cheio tende a se esvaziar”. Dizendo a mesma coisa em outras palavras, temos a conhecida frase: “Depois da tempestade vem a bonança”. E o que vem depois da bonança? A tempestade.

Isso está dentro da Lei da Periodicidade, envolvendo toda a vida de relações entre os dois “atores” principais do Universo: o Espírito e a Matéria – ambos eternos em si mesmos – daí se originando não somente tudo o que existe de manifestado, mas também o caráter cíclico dessa manifestação, essencialmente de vida e morte, luz e trevas, “fundo do poço” e ascensão.

Dentro da Lei da Periodicidade, outra lei se faz presente: a da Evolução, determinando a transformação permanente das coisas. E essa transformação é sempre para melhor, mesmo que em alguns momentos aquilo que esteja à nossa vista pareça ser “o pior”. A mudança mais flagrante é a da forma (atributo da Matéria), onde se abriga a consciência (atributo do Espírito). É pela mudança cíclica da forma (nascimento, maturação, envelhecimento e morte) que o Espírito tem a possibilidade de expandir seu domínio sobre a matéria, aí crescendo em Luz e Poder.

O mecanismo da reencarnação decorre tanto da Lei da Periodicidade quanto da Evolução. Voltando a nascer como bebês, podemos começar tudo do “zero”, esquecendo os preconceitos e apegos de outras vidas. Sem esse esquecimento a evolução seria bem mais demorada e difícil. Aliás, dentro de uma mesma vida, a recomendação dos Mestres é justamente que reconheçamos e eliminemos preconceitos e apegos, se queremos de fato aproveitar essa vida.

Quando falamos em “desilusão” a que normalmente nos referimos? Justamente à morte dos apegos, cuja forma mental origina preconceitos e necessidade de segurança psicológica. Nossos apegos são infinitos, nisso baseando-se o ensinamento da “Óctupla Senda do Senhor Buda”, com a afirmação inicial da “Verdade do Sofrimento”. Todo aprendizado espiritual realmente começa com essa percepção, aparentemente amarga, pessimista, mas que é um resultado inevitável do fato de vivermos um cortejo de desilusões ao longo de nossa existência, cada uma delas com sua própria quota de sofrimento.

Ao examinar-se a origem da palavra – “des-ilusão” – vemos que uma ilusão está sendo tirada. Alguém duvida que “ilusão” significa engano? Quando nos desiludimos é porque um engano está acabando, morrendo. Deveríamos ficar felizes com isso, mas ao contrário, sofremos. E o que significa esse sofrimento? Só pode ser libertação, “des-engano”.

A libertação definitiva do ser humano ocorre com a iluminação, por meio de um esforço especial. Contudo, ela é preparada aos poucos, significando a queda dos véus inerentes à matéria. Portanto, como a própria ilusão, a desilusão é um “mal” inevitável e necessário.

A ascensão começa no “fundo do poço” (nome do lugar onde enterramos uma ilusão, com sua parcela de apego e dependência). Quando enfim chegamos ao estágio de não mais necessitar da ilusão “para viver” é porque a condição humana está acabando. Aí, o Cristo Interno desperta em nós e nos tornamos deuses, Mestres de Sabedoria. Senhores do Universo em nós mesmos.    

CURSOS E PRÁTICAS
– Meditação e Teosofia, Astrologia, Hatha-Yoga, Yogaterapia. Palestras públicas aos sábados, 18 h, na R. Pernambuco, 824, São Francisco. Campo Grande, MS – Tel.: (67) 9988-1010.

Astrologia Esotérica: 6) Os aspectos planetários

Por Antonio Carlos Jorge

Aspectos são distâncias angulares estabelecidas entre dois ou mais planetas e destes em relação às cúspides das casas 1 e 10 (Ascendente e Meio do Céu).

Os ângulos formados estão correlacionados com a fluidez de energia dentro de um ambiente, considerando fatores harmônicos e desarmônicos constituídos, como demonstrados nas figuras: 
astro4
Observe que os fluxos de energia das figuras A e B interagem com todos os lados, enquanto que a C é interrompida ou a D polarizada.

As estruturas mais resistentes são as do formato A e B, onde o fluxo de energia flui naturalmente. Esses aspectos harmônicos são formadas por ângulos de 60º e 120º respectivamente, sendo denominados sextil e trígono. Um exemplo do caráter construtivo dessas estruturas são os alvéolos de colméias e as próprias pirâmides, sendo formas menos suscetíveis a desgastes e conservam a energia.

Já as estruturas C e D interrompem o fluxo de energia, dificultando sua fluidez e, portanto, são desarmônicos. Formam ângulos de 90º e 180º, denominados quadratura e oposição respectivamente.

Existe ainda as conjunções que correspondem a posições similares entre dois planetas.

Quanto mais exatos forem os ângulos dos aspectos, mais intensos são os resultados, no entanto são considerados orbes de tolerância de aproximação ou distanciamento para cada tipo de aspecto.

As conjunções (0º) indicam intensas fusões entre duas energias. Estas conjunções caracterizam modos de fluxo de energia e expressão pessoal particularmente significante, conforme o planeta e o signo envolvidos, assim como ênfases predominantes na vida da pessoa, de acordo com a casa.

Os sextis (60º) simbolizam o potencial e habilidades para o novo o que leva a um novo aprendizado. Normalmente este aspecto envolve elementos e signos harmônicos, mostrando as áreas na vida na qual a pessoa pode cultivar um novo nível de compreensão e maior grau de objetividade sendo produtivo.

As quadraturas (90º) normalmente envolvem Planetas em elementos desarmônicos e representam os maiores desafios para a vida. Indicam os locais onde a energia necessidade ser liberada, sendo necessária à adoção de ação que permita a construção de uma nova estrutura. Está relacionado com os medos dos desafios e restringe a energia disponível para enfrentar a situação. Embora seja um aspecto de dificuldade, quando o mesmo é enfrentado, pode ser produtivo, mas necessita antes de tudo ser percebido.

Os trígonos (120º) possibilitam o fluxo de energia fluir sem obstáculos, favorecendo a expressão, sendo desnecessária a adoção de qualquer ajuste. Este aspecto envolve signos do mesmo elemento e indica a forma da pessoa em ser e não de fazer, o que nem sempre é percebido, pois as pessoas muitas vezes não dão muita atenção para que realmente são, estando mais centradas em estar e terem. Embora seja um grande aspecto produtivo o mesmo por ser passivo, pode vir a ser negligenciado.

As oposições (180º) apesar de normalmente envolverem planetas em elementos harmônicos, indicam duas tendências antagônicas, impondo um constante desafio na área dos relacionamentos indicados pelas casas envolvidas, onde se devem efetuar os acordos para que possa ser bem vividas as situações. Se essas tendências opostas forem compreendidas, as mesmas podem se complementar. Este aspecto tende a ser passivo e se a pessoa não encarar o problema ela sempre o terá como um incômodo.

As inter-relações entre os significados dos signos, planetas, casas e aspectos, em um mapa natal, indicam potencialidades e desafios que podem ser impostos em nossas vidas. Esse autoconhecimento pode facilitar o percurso do caminho, a permitir a compreensão de nosso verdadeiro papel a ser assumido, bem como ser um agente capaz de nos dotar de mais discernimento, tolerância e compreensão, não somente em relação aos fatos ocorridos em nossas próprias vidas, mas para a aceitação de nossos semelhantes, pois desvenda os mistérios que fazem a vida aflorar em toda a sua diversidade e esplendor. 

Astrologia Esotérica: 5) As Casas Terrestres

Por Antonio Carlos Jorge

As Casas Terrestres são subdivisões, iniciando-se a 0º de Áries. Partindo-se do movimento de rotação, divide-se as 24 horas em 12 setores de 2 horas, sendo que cada um desses setores corresponde a um signo e representam áreas  onde desenvolvemos nossas experiências de vida.

astro11A Casa 1 relaciona-se à Áries e Marte  e indica como a pessoa expressa sua individualidade e a forma como as pessoas a vêem. Representa o corpo físico, o nascimento e os primeiros anos. Mostra a abordagem da vida, assim como o começo dos empreendimentos. Esta casa é chamada de Ascendente.

A Casa 2 tem similaridade à Touro e Vênus. Indica os assuntos financeiros. É o local e a forma como se lida com as posses e valores. Indica também vocações, necessidades de realização e o senso de auto-estima. Portanto tem ligação com aspectos materiais do mundo.

A Casa 3, análoga à Gêmeos e Marte , indica a capacidade mental e a forma do  aprendizado (formação fundamental) e da comunicação. Corresponde ao ambiente em que se vive e aos irmãos. São também os meios de transportes, pequenas viagens, descolamentos, comércio local. São a concepções objetivas da mente (Mente Concreta).

A Casa 4, similar à Câncer e Lua, indica as origens, as tradições, o lar, a família, a mãe. Revela a ancestralidade, assim como as raízes psicológicas e a vida privada. Indica a vida após os 40 anos e a finalização de todos os assuntos. Revela o ser subjetivo e a relação de dependência da família.  

A Casa 5 relaciona-se à Leão e ao Sol. Representa os prazeres, os romances, o lazer, os jogos e especulações. Indica a originalidade e as formas de expressão criativa, a capacidade dramática, literária e artística. Revela a atitude emocional e o amor que se dá. Corresponde também à gravidez, filhos e educação de jovens.   

A Casa 6, correlata à Virgem e Mercúrio , indica as relações do indivíduo com o cotidiano, ao ambiente de trabalho, as tarefas, deveres e o senso de servir. Mostra o tipo de trabalho e como são mantidas as relações com ele. Corresponde também à saúde e preocupações com as funções corporais.

A Casa 7 está associada à Libra e Vênus. Indica os relacionamentos com outras pessoas, as parcerias comerciais e conjugais, as separações, os contratos e os acordos. É o que a pessoa procura no outro e muitas vezes não é percebido nela própria. 

A Casa 8 correlacionada com Escorpião, Marte e Plutão, indica o local onde somos confrontados com as emoções profundas, reprimidas ou não percebidas,aos traumas e ansiedades.  Mostra, portanto, questões ocultas, o sono, a pesquisa profunda, a investigação. Envolve assuntos relacionados aos medos, à espiritualidade, ao ocultismo, ao sexo, à morte, a degeneração e regeneração, a transformação (espiritual, psicológica e física).  Está relacionado também às heranças, custódias, seguros, pensões, aposentadorias e tributos.  Relaciona-se também com os valores de terceiros (da empresa, do outro, do cônjuge, do sócio). 

A Casa 9 corresponde à Sagitário e Júpiter  e indica educação superior e estudos profundos, a religião, a fé, a filosofia, as leis, a ética, os sonhos e as visões. Diz respeito às viagens longas, aos locais do exterior, às coisas estrangeiras. A divulgação e publicações. São todas as vivências superiores que aprendemos e se incorporam aos nossos valores. São as concepções subjetivas da mente (Mente Abstrata).  

A Casa 10 está ligada a Capricórnio e Saturno e corresponde aos objetivos profissionais a serem conquistados, a vocação, a carreira, a profissão, a ambição, o status, assim como a forma de reconhecimento. Relaciona-se ao pai e ao exercício da autoridade. Indica a forma como a pessoa empreende as coisas e como as avalia.

A Casa 11, análoga à Aquário, Saturno e Urano, indica a capacidade de integração social e desenvolvimento de amizades e de como a pessoa se relaciona com os mesmos. Envolve todos os relacionamentos não emocionais e também está relacionada aos ideais maiores, aos sonhos e objetivos sociais. Indica as pequenas e grandes organizações, as entidades, os clubes, grupos, associações, sindicatos, grêmios. Mostra os filhos adotivos, enteados.

A Casa 12, que se relaciona a Peixes, a Júpiter e Netuno, expressa as forças e as fraquezas desconhecidas ou ocultas, aos estados depressivos, às frustrações, sofrimentos, limitações, inibições, isolamentos, segredos, autodestruição. Relaciona-se à mente subconsciente ou inconsciente e corresponde aos débitos espirituais ou karma. Mas também indica a capacidade de fusão com o universo, a espiritualidade, simpatia, caridade, serviço à humanidade, desprendimento.

Se os signos significam os papéis a serem desempenhados, são os planetas que dão a tônica, como atores a desempenharem esses papéis estabelecidos. 

As casas, por sua vez, associadas aos planetas e signos, nos revelam os setores da vida e aos assuntos que estão sendo tratados, dando-nos referência de como lidamos com os mesmos, sendo importante fator a ser considerado na interpretação de um mapa.

No próximo artigo, comentaremos sobre os aspectos planetários.

Astrologia Esotérica: 4) Características dos Planetas

Por Antonio Carlos Jorge

Em complemento aos signos, objeto do artigo apresentado na publicação anterior, existem os planetas que exercem importantes influências, a depender de sua posição frente à roda zodiacal.

astro10Os planetas matizam o nosso comportamento. São como atores que desempenham determinados papéis, cujos assuntos estão relacionados aos signos.

Além do Sol e da Lua (na realidade são Luminares), temos Mercúrio, Vênus e Marte denominados planetas pessoais, Júpiter e Saturno, planetas sociais, e Urano, Netuno e Plutão, os planetas geracionais. Os planetas mais rápidos (pessoais) são relevantes, pois determinam características detalhadas sobre a personalidade.

Os planetas têm correlação arquetípica com os signos. O Sol é regente de Leão; a Lua rege Câncer; Mercúrio associa-se a Gêmeos e a Virgem; Vênus a Touro e a Libra; Marte a Áries e a Escorpião; Júpiter, regente de Sagitário e Peixes; Saturno rege Capricórnio e Aquário; Urano também associado a Aquário; Netuno a Peixes e Plutão co-regente de Escorpião.

Podem ser observados comportamentos favoráveis ou não, a depender da posição cósmica de cada planeta junto aos signos (domicílio, exílio, exaltação e queda), bem como dos aspectos angulares formados entre os mesmos (conjunção, trígono, sextil, quadratura e oposição).

Planetas e associações

Expressam positivamente:

Expressam negativamente:

Sol – Ser Interior, a pessoa, o  pai, o impulso de poder, personalidade, ego.

Realeza, sucesso, generosidade, honra, auto-suficiência, vigor, criatividade, fama, dignidade, heroísmo, luz.

Luxúria, orgulho, ostentação, despotismo, crueldade, arrogância.

Lua – Emoções, mãe, proteção, passado, segurança, família, lar, memória, mudanças.

Inspiração, emoção, sensibilidade, popularidade, imaginação, instinto, intuição, sonhos.

Inconstância, emotividade, instabilidade.

Mercúrio – Raciocínio, intelecto, comunicação, aprendizado, comércio, deslocamentos.

Adaptabilidade, agilidade, jovialidade, capacidade de comunicação, habilidades manuais.

Pressa, dissimulação, roubo, mentira, desonestidade, calúnia, intriga, nervosismo.

Vênus – Afeição, união, relacionamento, conforto, ornamentos, felicidade.

Beleza, sorte, harmonia, afeto, sociabilidade, ternura, amor, elegância, sensibilidade.

Futilidade, comodismo, vaidade, sensualidade.

Marte – Energia,luta,esporte, competição, audácia, coragem, força, desejo, sexualidade.

Coragem, iniciativa, empreendedorismo, força, vitória.

Acidentes, perigo, cirurgias, raiva, desejos, competitividade agressiva, violência.

JúpiterExpansão, filosofia, viagens e exterior, religião, estudos superiores, justiça.

Generosidade, confiança, grandeza, legalidade, filantropia, otimismo, sorte, indulgência.

Exagero, ostentação, ilicitude, ilegalidade, presunção, dogmatismo.

Saturno – O tempo, dever, austeridade, responsabilidade, estrutura, objetividade, trabalho.

Amadurecimento, estabilidade, sapiência, realização, liderança, autoridade.

Avareza, ambição, amargura, isolamento, severidade, apatia, rigidez, frieza, autoritarismo.

Urano – Habilidades técnicas, mudanças bruscas, amizades, liberdade, criatividade, originalidade.

Inovação, originalidade, independência, liberdade, intuição, amizades, progresso.

Individualidade, revolta, revolução, rebeldia, separação, rompimento, anarquia.

Netuno – Intuição, mar, drogas, artes, poesia, magia, ilusão,  inconsciência, psiquismo.

Sensibilidade, artes, romantismo, compreensão, imaginação, inspiração.

Vícios, fantasia, traição, morbidez, perversidade, ilusão, utopia.

Plutão – Transformação, reprodução, sexo, submundo,morte, mistérios, reencarnação,fim de ciclo.

Poder, força, coragem destemida, poder oculto, iluminação superior.

Medo, pavor, manipulação, corrupção, terror, luxúria, vingança, sadismo, vício, obsessão.

Para a correta interpretação do significado de um planeta em um mapa é fundamental a associação do mesmo ao signo em que se encontra, o que revelará a forma como o ator desempenha o papel definido pelo signo.

No próximo artigo apresentaremos os significados das casas planetárias, que correspondem aos locais, temas e cenários, onde ocorrem as situações do enredo da vida. 

Astrologia Esotérica: 3) Características dos Signos

Por Antonio Carlos Jorge

Vimos nos artigos publicados nos números anteriores, como os signos se formam e agora teceremos alguns comentários sobre as características gerais dos mesmos.

astro9A roda zodiacal, contendo os doze signos distribuídos por uma faixa em torno do nosso sistema solar, tem o equinócio de primavera no hemisfério norte como o marco inicial da trajetória de um ciclo anual.

Este é o momento em que o sol entra no signo de Áries.

Embora, por convenção, afirme-se que isso ocorre no dia 21 de março de cada ano, para o cálculo com exatidão do dia e da hora em que isso acontece utiliza-se Tábuas de Efemérides, que contêm as reais posições das diferentes constelações e planetas frente ao horário sideral, uma vez que existem variações de ano para ano. Fatores também como anos bissextos e fusos horários contribuem para a determinação real do signo.

Aos signos estão associadas características que podem ser expressas tanto de maneira positiva como negativa. Essas características, matizadas em razão dos elementos (fogo, terra, ar e água) e dos modos (cardinal, fixo e mutável) envolvidos, tendem a conduzir o temperamento e o comportamento das pessoas.

Ainda que generalizados, podemos listar alguns dos aspectos observáveis para cada signo, conforme demonstrado:

Signos

Podem ser (positivamente):

Podem ser (negativamente)

Áries (fogo, cardinal)

Pioneiro, líder, empreendedor, corajoso, estimulante, entusiasmado, independente, dinâmico, ágil.

Dominador, irascível, violento, competitivo, intolerante, arrogante, egoísta, não persistente.

Touro (terra, fixo)

Paciente,  persistente, prático, leal, artístico, romântico, sensível, econômico, conservador.

Auto-indulgente, teimoso, preguiçoso, possessivo, ciumento, sensual,  materialista.

Gêmeos (ar, mutável)

Agradável, imaginativo, curioso, adaptável, perspicaz, inventivo, criativo, gregário.

Instável, desconcentrado, imprudente, inquieto, ingrato, inquieto, contraditório.

Câncer (água, cardinal)

Intuitivo, maternal, sensível, altruísta, emotivo, tradicionalista.

Manipulador, egoísta, instável, pessimista, cauteloso, preguiçoso.

Leão (fogo, fixo)

Idealista, criativo, indulgente, romântico, generoso, autoconfiante, otimista, nobre.

Vaidoso, orgulhoso, dramático, cruel, exibicionista, egocêntrico, pretensioso, arrogante.

Virgem (terra, mutável)

Diligente, estudioso, prático, científico, pesquisador, criterioso, trabalhador, asseado.

Crítico, mesquinho, detalhista, cético, egocêntrico, melancólico, pedante, obsessivo, hipocondríaco.

Libra (ar, cardinal)

Cooperativo, persuasivo, amistoso, pacífico, refinado, imparcial, artístico, diplomata, sociável, sensível. 

Inconstante, apático, intrigante, indeciso, fútil, dependente, carente de admiração.

Escorpião (água, fixo)

Transformador, profundo, intuitivo, estrategista, autocontrolado, investigativo. 

Vingativo, obcecado, mórbido, arrogante, sarcástico, desconfiado, ciumento, intolerante, manipulador.

Sagitário (fogo, mutável)

Honesto, filósofo, amante da liberdade, generoso, otimista, justo, religioso, estudioso, entusiástico, assertivo.

Inclinado a discussões, exagerado, auto-indulgente, impaciente, intrometido, pessimista, francamente brusco.

Capricórnio (terra, cardinal)

Cauteloso, responsável, escrupuloso, convencional, profissional, planejador, prático, econômico, sério.

Egoísta, dominador, cobrador, pessimista, rancoroso, fatalista, teimoso, inibido, invejoso, frio.

Aquário (ar, fixo)

Independente, inventivo, original, tolerante, progressista, científico, humano, intelectual, altruísta, libertário.

Imprevisível, temperamental, opiniões fixas, tímido, excêntrico, radical, impessoal, rebelde, ditatorial.

Peixes (água, mutável)

Compassivo, caridoso, simpático, emotivo, introspectivo, intuitivo, musical, artístico, altruísta, humilde, romântico.

Impressionável, evasivo, escapista, pessimista, melancólico, fantasioso, tímido, inibido, incompreendido.

Naturalmente o temperamento e comportamento de uma pessoa não podem ser reduzidos tão somente às características acima e não são ditadas isoladamente pelo signo solar. A formação da personalidade é algo complexo e até mesmo paradoxal. Fatores como o Ascendente, a Lua e os demais planetas associados aos signos e casas de sua localização, assim como os aspectos de angulação formados entre os mesmos são elementos importantes para o desenho da estrutura psicológica manifestada pela individualidade de uma pessoa.

No próximo artigo abordaremos as características dos planetas.

Astrologia Esotérica: 2) Comportamentos e temperamentos

Por Antonio Carlos Jorge

Com vimos na matéria da edição anterior, os signos se manifestam quanto ao seu comportamento como cardinal, fixo e mutável e quanto ao temperamento em fogo, terra, ar e água. Assim teremos um mesmo elemento manifestando o seu comportamento de três formas distintas, como podemos ver abaixo:

 image14Os signos cardinais, independente do seu elemento, estão ligados à Alma e iniciam a ação, sendo automotivados, ativos e concentrados no momento presente. Geralmente são ambiciosos, independentes, dotados de mente ágil. Se usados negativamente, podem ser apressados, egocêntricos, obstinados, imprudentes e dominadores, além de poderem abandonar aquilo que começaram.

Já os signos fixos são associados ao corpo, buscando estabilizar o que foi iniciado, sendo estáveis, persistentes, pacientes, econômicos, com comportamento sólido e seguro, com capacidade de concentração, mente penetrante, determinados, com boa memória. A manifestação negativa, pode  resultar em  teimosia, egoísmo, pré-conceitos em relação às idéias, assim como levar à intolerância, à inércia, ao orgulho, ao rancor, à rigidez.

Os signos mutáveis estão associados ao espírito e alteram o que foi estabilizado, tendendo à versatilidade. São simpáticos e intuitivos, com mente engenhosa e flexível. Negativamente, podem ser superficiais, indecisos, inconstantes, nervosos e inquietos, irritados, críticos, utópicos, de comportamento indiscreto, com dificuldade de se estruturarem.

Quanto ao temperamento os signos de fogo se associam à vontade e à intuição, assim como à Motivação, sendo que os mesmos possuem uma capacidade de captar as coisas de forma inconsciente. Tendem a ser ardentes, espontâneos, autosuficientes e românticos, sendo que o importante é SER, sendo sempre necessário estarem automotivados. Esta energia, se mal empregada ou empregada de forma excessiva, leva a inquietação, impulsividade, irritabilidade e egocentrismo.

O temperamento ditado pela terra corresponde à percepção, sendo atribuída a esses signos a capacidade de captar as coisas de forma sensorial. Tendem a serem práticos, realistas, prudentes, conservadores e sensuais, gostando do conforto material, sendo o que importa é o REALIZAR Esta energia se mal empregada ou empregada de forma excessiva, pode levar à insensibilidade, ao apego material e à avareza, ao utilitarismo, à obsessão, à teimosia, à crítica.

Os signos de elemento ar estão associados ao pensamento. Isso os capacita em dar sentido a todas as coisas dentro de uma estrutura lógica. Tendem a ser comunicativos, capazes de lidar com o raciocínio lógico e abstrato, dentro de um ambiente sem preconceitos, com objetividade, sendo importante o PENSAR. Se esta energia for mal direcionada ou exercida em excesso, pode levar ao autoritarismo, superficialidade, exaustão física, subjetividade e abstracionismo.

Finalmente, o elemento água está associado à emoção. Isso atribui a esses signos muita sensibilidade e intuição. No entanto podem apresentar variações de humor e serem influenciados pelo ambiente, assim como de serem ambíguos, irracionais. Apesar disso são mágicos, pois o importante, neste caso, é o SENTIR. A energia da emoção empregada de maneira errônea pode levar à auto-indulgência, autopiedade, indecisão, ao sensacionalismo, à sensibilidade extremada e descontrolada, à carência, ao escapismo.

Naturalmente a nossa constituição não está circunscrita a simples associações entre modos e temperamentos, sendo na realidade resultante da soma de outros fatores (ascendente, meio do céu, posição dos planetas e seus aspectos angulares, entre outros), que tecem a nossa personalidade como seres únicos.

Esta simples visão, ainda que geral, nos revela como somos e servem para nos estimular no aprofundamento do conhecimento da astrologia, que é muito importante a todo estudante de teosofia, pois isso permite a compreender o nosso verdadeiro papel a ser assumido, a mostrar as nossas habilidades naturais e as prováveis dificuldades que encontraremos em nossa existência, norteando-nos construtivamente diante da jornada rumo à plenitude da vida e auxiliando para que tornemos artífices de nossos próprios destinos.