Loja Teosófica Liberdade



Voltar para Artigos



Alquimia

Isis Resende

Diz a tradição Antiga que para se ver a luz é preciso dar três passos de tamanhos diferentes. 

A Alquimia nos fala de três estágios: o Nigredo, o Albedo e o Rubedo.

Na primeira parte de “A Voz do Silêncio” é feita uma afirmação relacionada aos três estágios da tradição Alquímica, ao destacar que “três Salas, ó cansado peregrino, conduzem ao fim dos trabalhos. Três Salas, ó conquistador de Mara, te trarão através de três Estados até o Quarto, e daí até os sete Mundos, os Mundos do Descanso Eterno”. 

Jung nos explica, baseando-se na tradição Alquímica, que quando uma pessoa volta-se para si mesma, para o seu interior, a primeira coisa que encontra é a sua sombra, (seus defeitos, suas imperfeições, tudo o lixo que foi se acumulando no passar dos séculos). É preciso dar um pequeno passo para ver-se neste lodo, neste Nigredo, nesta Sala das Tristezas, também chamada Avidya. 

Há um momento em que a pessoa consegue equacionar a sua problemática maior e como num passe de mágica, as coisas começam a dar certo. É preciso dar um passo um pouco maior para que isto possa acontecer. Passa-se ao estágio do Albedo. 

Neste estágio há perigos. A Voz do Silêncio chama esta etapa de Sala de Instrução ou das Provações e coloca a respeito dela: “Nela a tua Alma encontrará as flores da vida, mas debaixo de cada flor uma serpente enrolada”. 

Evidentemente há alguma luz nesta Sala; se não, não teria sido possível abandonar o Nigredo. Nesta Sala se encontram as flores da vida, a beleza, aquilo que de uma certa forma funcionou para sair do Nigredo. Uma das serpentes óbvias desta etapa é vaidade, a pessoa se acha o máximo, porque efetivamente equacionou aquela problemática mais dura que o Nigredo representava. 

Neta Sala há um bem estar, fruto do equacionamento daquilo que mais machucava. Mas efetivamente ele ainda está muito longe da luz, é preciso dar um passo maior ainda para que seja possível a bênção da luz. 

Esclarece sobre o Albedo a Voz do Silêncio: “Acautela-te Lanoo, não vá tua Alma, entontecida pelo brilho ilusório, demorar-se enredar-se na sua luz enganadora. Esta luz brilha na jóia do grande enganador. Enfeitiça os sentidos, cega o espírito e deixa o incauto naufragado e sozinho”. 

Como já se resolveu uma parte do problema, daquilo que mais doía, acha-se que, com jogo de cintura, é possível ficar nesta Sala. Ali tudo é Albo, branco por isto, Albedo. Mas os desejos, as escórias, as fontes de sofrimento, os samskaras ou agregados, como diz o Budismo, ainda estão presentes. 

Para se passar à Terceira Sala., a Sala da Sabedoria, a Sala da verdadeira Theos Sophia, é preciso dar um passo maior ainda. “Deves despir-te de tuas escuras roupas de ilusão”, nos adverte a Voz do Silêncio, e efetivamente entrar no Rubedo. Rubro lembra fogo, a Sala de dissolução, da decantação, da queima das escórias que ainda existem, das escuras roupas de ilusão. 

Em “Luz no Caminho” encontramos a afirmação “antes que a alma possa erguer-se na presença dos Mestres, seus pés têm de ter sido lavados com o sangue do coração”. 

Os pés representam a parte do corpo que se encontra mais perto do chão, a natureza material, ela tem de ser lavada com o sangue do coração. Dói? Como queimar uma parte de nós mesmos sem doer? Mas sem este processo de queima a luz verdadeira é impossível, é preciso deixar queimar as escórias, todos os liames que temos com o mundo dos sentidos e da ilusão. 

Nos explica HPB que o Sábio (aquele que reside na Terceira Sala) “não se detém nas regiões deleitosas dos sentidos”. Nós nos detemos, porque temos liames que nos unem a este mundo. É preciso queimar estes liames. Como? Podemos fazer uma analogia com uma mãe querendo ensinar o filho de um ano a andar, ela pode dizer muitas coisas, pode facilitar outras, mas a própria criança tem que aprender a andar. 

Novamente, “O Sábio não dá ouvidos às vozes musicais da ilusão”. É preciso romper com os vínculos de ilusão. Como? Há diversas indicações, como mapas, disponíveis para quem quer que queira trilhar este caminho, mas é preciso ir lá ver e não ficar falando dos mapas, é preciso efetivamente se dispor a lutar, como Krishna disse a Arjuna. 

Só então é possível que a pessoa veja a luz, depois de ter transmutado o chumbo em ouro, queimado todas as escórias, queimando a Grande Heresia da Separatividade.

Voltar para Artigos