| Ambientalismo – Caminho para Espiritualidade |
| Seg, 30 de Junho de 2008 19:36 | |
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Transcrição da palestra pública proferida por Antonio Carlos Jorge em 19 de agosto de 2005 O assunto que vamos abordar hoje, além de ser atualíssimo é de grande importância, pois nos atinge diretamente, que é a questão do meio ambiente, o meio onde vivemos. Nós vamos procurar dar um enfoque do que vem a ser ambientalismo, como essa questão está sendo tratada, os cenários futuros e as preocupações que todos nós devemos ter. Quando da última passagem do atual Dalai Lama pelo Brasil, em uma das conferências por ele proferida, foi feita uma pergunta sobre espiritualidade. Em resposta ele expôs que a espiritualidade depende da obtenção da felicidade e que, para tanto, o homem precisa ter saúde e isso depende de um ambiente preservado e diz, ainda, que para se levar uma vida correta é necessário que o homem mantenha uma relação amistosa com seus os semelhantes, os animais e o meio ambiente. Naturalmente espiritualidade é um assunto muito amplo, mas essa visão exposta pelo Dalai Lama é muito interessante, pois remete à necessidade do homem estar intimamente integrado não só com seus semelhantes, mas também aos animais e ao próprio meio ambiente onde vive. No cristianismo tem aquela máxima que diz: o que eu fizer ao meu semelhante eu estou fazendo a mim mesmo, o que está plenamente correto, mas essa visão que o Dalai Lama nos coloca é muito mais ampla, pois essa interatividade não é somente com o semelhante, mas também com tudo que existe ao nosso redor. É a visão da unicidade. Essa visão é a raiz de todas as antigas tradições, principalmente aquelas ligadas ao oriente. Poucos são aqueles, no ocidente, que se alinharam a essa visão. Podemos citar Heráclito e Platão, os Neoplatônicos, no século II DC., Spinoza, Leibniz, Goethe e mais recentemente Blavatsky e Jung. Os pensadores ocidentais, em sua maioria, forjaram-se na lógica aristotélica e no racionalismo de Descartes, qualquer que seja a área de atuação. Uma visão puramente mecanicista. Sabemos que o cérebro humano é dividido em dois hemisférios. O esquerdo comanda todas as funções racionais, como a fala, o raciocínio, as concepções concretas, enquanto que o hemisfério direito corresponde ao pensamento abstrato, à intuição, à capacidade criativa. O desenvolvimento no ocidente privilegiou integralmente o hemisfério esquerdo cerebral, onde toda a nossa cultura foi orientada a produzir uma sociedade alicerçada em valores concretos, valores associados a pesos e medidas lineares, e, por extensão, à competição, ao lucro, à concentração de riquezas, à luta de classes e desigualdades. Expoentes do pensamento econômico e da administração, como Adam Smith, Fayol, Taylor, deram origem ou incrementaram fenômenos sociais, como as revoluções industriais, em suas diferentes fases, onde se acelerou o desenvolvimento de máquinas, da tecnologia, da extrema especialização da mão de obra e a conseqüente perda da visão abrangente, do todo. A revolução industrial determinou o consumo de níveis crescentes de insumos naturais, principalmente combustíveis para alimentar as máquinas: inicialmente madeira, depois carvão mineral e por último o petróleo. Determinou também a concentração da população em grandes centros urbanos, cujas demandas por combustíveis fósseis também foram e são igualmente crescentes. Então, o que nós vemos é um quadro de real preocupação, pois acredita-se que se chegou ao limite da sustentabilidade do planeta. Quando eu falo de valores orientais, não estou fazendo referência a uma posição geográfica no planeta, mas sim a valores, que estão um pouco perdidos. Nós temos acompanhado os níveis crescentes do valor do barril do petróleo e isso se deve também à inserção de economias orientais, como a chinesa e a indiana nos padrões de consumo econômico puramente ocidentais, onde a necessidade de petróleo é premente. A China com uma população de 1,3 bilhão e a Índia com 1 bilhão de pessoas, crescendo anualmente a um ritmo de 7% a 10% nos seus PIB´s, coloca todas essas questões em evidência. A ocupação norte americana no Iraque não tem outra motivação a não ser a defesa estratégica das últimas grandes reservas de petróleo. Estima-se que as reservas de petróleo se esgotem em aproximadamente 50 anos, isso já incluindo as jazidas ainda por descobrir e então, nós entendemos a natureza de tudo o que está acontecendo no mundo “moderno”. Vamos projetar aqui uma transparência contendo uma imagem obtida pelo Hubble do fundo do espaço e vemos uma miríade de pontos luminosos que vêm a ser galáxias. São bilhões de galáxias visíveis e cada uma é constituída por bilhões de estrelas. Somente a nossa galáxia, a Via Láctea, tem 400 bilhões de sóis. A extensão de nossa Via Láctea é de 100 mil anos luz e, o nosso sistema solar fica, aproximadamente, 30 mil anos luz do núcleo da galáxia. Estima-se que a vida pode ser desenvolvida em um anel distante 25 mil a 30 mil anos luz do núcleo, havendo, portanto, nesse anel perto de 20 bilhões de sóis; alguns deles com planetas. Se existe ou não vida, não sabemos, porém é altamente provável que exista. Mas que tipo de vida? Inteligente? Que usa recursos de tecnologia avançada? Não sabemos. Sabemos sim, que em nosso sistema solar não existe esse tipo de vida. Então, a vida em toda a sua manifestação exuberante está restrita ao nosso planeta Terra. Vemos que a Terra é como um oásis em imenso deserto. A mesma tecnologia, produto da mente racional, acaba também a ser utilizada, felizmente, para despertar novas concepções. Estas fotos da Terra são produtos da aventura do homem no espaço exterior e é a partir daí que começou a ganhar força os movimentos ambientalistas. No início da década de 70, quem fosse alinhado a esse pensamento, era considerado exótico; excêntrico. Tivemos o movimento hippie, que tanto perturbou “os bons costumes” da época, que na realidade contribuiu para o resgate de valores alinhados ao ambientalismo. O Geenpeace, por exemplo, é resultante do movimento hippie, assim como os partidos verdes, que tendem a ganhar força política no futuro. No curso da década de 80 tivemos três acidentes ambientais de grandes proporções que foram determinantes para o aumento da preocupação ambiental. O primeiro, há 20 anos, em dezembro de 1984, foi devastador. Em Bhopal, na Índia, havia uma indústria química produtora de defensivos agrícolas, pertencente a Union Carbide e, por negligência de manutenção, ocorreu o vazamento de um gás altamente tóxico, denominado isocianato de metila, matando aproximadamente 20 mil pessoas, por asfixia. Existem hoje 150 mil pessoas que ainda sofrem com seqüelas provenientes desse acidente. A Union Carbide foi, posteriormente, vendida à Dow Química, que até hoje não reconhece o passivo de indenização para com as vítimas. O segundo acidente, ocorrido em 1986, todos devem se lembrar, foi o de Chernobyl, a maior catástrofe nuclear da história. Houve um vazamento de radiação do reator da usina nuclear. Isso provocou a contaminação de grandes áreas, envolvendo vários países da Europa. Lembro-me que nessa época, queijos suíços eram oferecidos nos supermercados daqui em valor inferior ao meia-cura mineiro. Estavam contaminados ou ninguém queria comprá-los e acabavam vindo para serem comercializados aqui. O terceiro acidente foi em 1989, tendo ocorrido o vazamento de petróleo de um navio da Esso, o Exxon Valdez. Ele derramou uma grande quantidade de óleo no Alaska, causando grande impacto ambiental para a vida marinha e aves. Esses acidentes são emblemáticos e serviram para mobilizar e pressionar as nações para que as questões ambientais, sendo que em 1992 ocorreu a primeira grande reunião de países, para discutir o assunto, a Eco-Rio [As bases para a Eco-92 foram lançadas em 1972, quando a ONU organizou sua primeira conferência ambiental, em Estocolmo, e em 1987, quando o relatório "Nosso Futuro Comum", das Nações Unidas, lançou o conceito de desenvolvimento sustentável]. Posteriormente, em 1996, tivemos a terceira reunião em Kyoto, onde foi assinado um protocolo, por 141 países, onde 30 se comprometiam a reduzir emissões de gases poluentes. Os Estados Unidos também foram signatários, na gestão Clinton, que tinha o seu Vice-Presidente, Al Gore, comprometido com discursos por causas ambientalistas. Porém com a eleição de Bush e seu Vice Dick Cheyne, defensores dos interesses de empresas americanas produtoras de petróleo, houve a retirada da assinatura do acordo e como os Estados Unidos são os maiores poluidores, as metas de redução de emissão ficaram vazias. Hoje as questões ambientais estão em pauta. A ISO, organismo internacional que estabelece padrões normativos, estabeleceu em 1996 uma norma para a certificação de empresas que adotem um sistema de gestão ambiental, que é a ISO 14000. O assunto realmente está sendo foco de preocupações, havendo uma vasta legislação estabelecida, principalmente no Brasil. O ambientalismo, de certa forma virou modismo, sendo comum as pessoas se auto nomearem “ambientalista”. Mas o ambientalista verdadeiro, não pode deixar de pautar por princípios éticos e espirituais, porque se não fica uma coisa falsa. É inconcebível haver um verdadeiro ambientalista cético para as questões espirituais. Estão muito em moda as viagens turísticas, trilhas e caminhadas, com esse apelo. Existem agências especializadas nesse segmento. O interesse por pessoas por esse tipo viagem é muito bom e saudável, pois ajuda a aumentar a conscientização ambiental, mas é necessário que estejamos sensíveis para que a natureza faz parte de um contexto mais profundo, que envolve princípios espirituais elevados. Conta-se, que numa dessas viagens ecológicas, ao pantanal, houve um turista, apaixonado pela natureza, mas totalmente materialista. Só acreditava na existência das coisas em que efetivamente via. Num dos passeios feitos pela mata, organizados para explorar a fauna e flora da região, ele, munido de uma câmara fotográfica, se desgarrou do guia e do grupo que acompanhava e, absorto, embrenhou-se em mata fechada, perdendo-se, sem se dar conta de onde estava se metendo. Admirado pela beleza do local, deixo-se a fotografar as exuberantes espécies de flores e folhagens, assim como ararinhas, papagaios, tucanos, tuiuiús e outras aves exóticas, até que foca na objetiva de sua máquina uma onça pintada, a poucos metros de distância. E a onça o olhava ameaçadoramente. Ele apavorado pelo perigo eminente, jogou de um lado a mochila e de outro a câmara e pôs-se a correr. Porém poucos metros adiante ele tropeçou em um tronco e caiu. A onça, que vinha em seu encalço, deu um salto em sua direção com suas afiadas garras em posição de ataque, pronta para dilacerá-lo. Eis que o nosso “ambientalista”, num ato de desespero, apelou: “Deus, ajuda-me!”. Nesse momento o tempo parou. As folhagens da mata que balançavam ao vento ficaram estáticas, a onça que estava lançada ao ar, ali permaneceu flutuando. Eis que uma voz soou do alto: “Pois não meu filho! Tu me chamou?”. O nosso desesperado amigo respondeu: “Sim, meu Senhor. Acuda-me!”. Deus, em toda a sua justiça, exclamou: “Mas justo tu, que sempre negou minha existência?”. Ele, constrangido com a situação, disse: “O Senhor tem toda razão. É de fato hipocrisia de minha parte pedir que me convertas justo agora”. Mas como ele era muito inteligente e bom negociador, emendou: “Mas se não é de fato justo me converter, ao menos convertas a onça!”. Deus, em toda a sua compaixão, proferiu: “Assim seja meu filho. Seja feita a sua vontade”. O tempo, então, retomou o seu curso, as ramas das árvores voltaram a balançar ao sabor do vento e a onça, recolhendo suas garras juntou as grandes patas em posição de oração e olhando para o alto, exclamou: “Senhor! Obrigado por mais essa refeição”. E, assim, perdemos um ambientalista cético... Bom! Voltando ao nosso tema. Nessa transparência vemos a foto do planeta Terra e verificamos que ele é constituído por três elementos: Terra, Água e Ar. Existe o quarto elemento, que é o fogo, mas este no caso, é o agente de transformação dos demais elementos. Esses elementos são essenciais para que haja a existência da vida, na forma material como a conhecemos. Esses elementos devem estar devidamente equilibrados, pois caso contrário, não há sustentabilidade das condições adequadas à vida. É engano acreditarmos que um elemento está desassociado do outro. O que se fizer a um afeta o outro. Se contaminarmos o solo, essa contaminação será transferida para a água, através de lençóis freáticos, rios e mares. Se contaminarmos a água, a mesma contaminará o solo e o próprio ar. Se contaminarmos o ar, o solo e mananciais de água também serão afetados através de chuvas contaminadas. Então, vemos que a Terra, com esses elementos, é análoga ao um ser orgânico e vivo, cujas partes se interligam em processo de mútua dependência. A Terra é análoga ao corpo humano. Qualquer comprometimento de uma parte, comprometerá o todo. Existe uma tendência universal dos sistemas, qualquer que sejam eles, econômico, social ou ambiental, de passar de uma situação de ordem à crescente desordem, que é a entropia. Um palavra emprestada da termodinâmica e aplicado para explicar o mesmo fenômeno à teoria de sistemas. Mas se existe essa tendência natural de dispersão, sabendo que a existência do planeta é temporal, isso não significa que temos o direito de acelerar esse processo. Mas o que acontece hoje é que o modelo de desenvolvimento, calcado numa matriz energética fóssil, está acelerando esse processo e, vamos, em seguida ver alguns exemplos do que está acontecendo. Quanto às principais poluições do ar, temos três tipos, o efeito estufa, o buraco na camada de ozônio e a ocorrência de chuva ácida, que passaremos a expor o que vem a ser cada uma delas. A questão do efeito estufa é a que mais preocupa, pois está intimamente ligada à alteração do clima global, ao aumento da temperatura. O efeito estufa é determinado pela entrada de radiação solar, que atravessa a atmosfera. A maior parte da radiação é absorvida pela superfície da terra, aquecendo-a. Parte da radiação é refletida para o espaço, mas, em razão da grande concentração de gases na atmosfera, parte dessa radiação fica confinada, criando o aumento da temperatura. A situação é a mesma que percebemos aqui nesta sala, que está fechada. Nós todos que estamos aqui expelimos através da respiração gás carbônico, saturando a nossa atmosfera da sala. Se a nossa palestra durar 3 horas, ninguém conseguirá permanecer aqui, pois faltará oxigênio. A emissão desse gás carbônico, denominado dióxido de carbono, ou CO2, é até certo ponto necessário para a Terra, pois as árvores o utilizam para o processo de foto-síntese, fornecendo em troca oxigênio, mas o seu excesso é danoso, pois satura a atmosfera e cria o efeito estufa. Pergunta feita pelo Rogério Witmann: - O CFC também contribui para esse efeito? Resposta: Não, o CFC, que é o cloro-flúor-carbono atua na destruição da camada de ozônio, que veremos depois. O dióxido de carbono não é, portanto, um gás venenoso, pois se fosse todos nós estaríamos mortos, pois ele é usado para gaseificar os refrigerantes. Diferentemente do monóxido de carbono, o CO, este sim tóxico, que é principalmente produzido pela queima de combustíveis em motores. O CO polui mais a estratosfera. A diferença é a intensidade da queima. A queima rica em oxigênio gera o CO2, uma molécula de carbono e 2 de oxigênio, resultante principalmente de queimadas. A queima de combustíveis por meio de motores gera também o CO. Mas não é só o CO2 que causa o efeito estufa. O metano é mais danoso ainda, mas não é emitido em intensidade tão elevada como o CO2. Existem outros gases que também contribuem para o aquecimento global. O aquecimento global só não são mais sentido por causa das calotas polares. Por exemplo, se colocarmos uma bacia de gelo aqui dentro da nossa sala, o que acontecerá? Vai derreter, não vai? Ao derreter esse gelo está absorvendo o calor do ambiente, compensando um pouco esse calor gerado. A mesma coisa ocorre com as calotas polares e geleiras. Elas absorvem o calor da atmosfera diminuindo um pouco a aceleração do aquecimento. Nós temos exemplos do que vem ocorrendo com as geleiras. No Himalaia indiano as geleiras estão recuando à razão de mais de 20 metros ao ano, provocando inundações, como as que vimos há duas semanas. A Índia tem grandes rios que nascem no Himalaia, o Ganges, Brahmaputra e Indo, que pelo desgelo ocorre todas essa inundação. Na Antártida tivemos o desprendimento de grande iceberg, do tamanho de Luxemburgo. Isso jamais foi visto. Isso deverá determinar profundas alterações climáticas e já estão acontecendo. A previsão é de que possa ocorrer um aumento da temperatura média na ordem de até 10o, o que seria uma catástrofe para os países insulares, pois aumentaria o nível dos mares. Na semana passada lendo um jornal local, em Natal, tinha uma matéria sobre a elevação da temperatura da região em 1o nos últimos 25 anos, variação que seria normal para um período de um século. No verão agora no hemisfério norte, estão sendo registradas temperaturas recordes, como em algumas cidades norte-americanas, com 46o, determinando a morte inclusive de pessoas. Aqui mesmo no Brasil, não estamos tendo inverno neste ano; as temperaturas estão muito elevadas e isso não é normal. O Brasil sempre foi conhecido como terra abençoada, não existindo vulcões, terremotos e furações. Furacão já tem. Os chamados ciclones extra tropicais, que nada mais são do que furacões e têm atingido sistematicamente o sul do país. Na semana passada tivemos um desses causando destruição em Santa Catarina. Quem não assistiu ao filme Twister? Ele mostra aqueles ciclones que se formam no centro oeste norte-americano. Nós já temos esse também. Há dois meses uma câmara de vídeo de uma praça de pedágio capturou a imagem de um desses em Indaiatuba, causando grande destruição por lá. Pergunta feita por alguém da platéia: – Essas alterações são de fato provocadas pela emissão desses gases ou também são cíclicas na natureza? Resposta: Os climatologistas afirmam que a alteração do clima é produto das emissões. No entanto existem cientistas que professam a teoria de que isso faz parte de processos cíclicos no planeta, mas eles geralmente são financiados por centros de pesquisas ligados a empresas do ramo do petróleo, não havendo isenção. É certo que pode haver exageros por parte dos climatologistas, porém tudo indica que o componente de emissão tem sido determinante para as mudanças climáticas. O grande problema é que o processo de emissão é muito grande e acredito ser difícil frear essa coisa. O protocolo de Kyoto, tanto falado na mídia, fixa metas bastante modestas para a redução desses gases. A redução média é de 5% desses gases, por 30 países industrializados, sobre as emissões registradas no ano de 1990. A redução deverá ocorrer entre os anos de 2008 ao de 2012. Isso deve representar uma redução de 700 milhões de toneladas, mas o aumento progressivo de novas emissões é maior do que a redução que se pretende atingir. O ranking dos países poluidores [segundo os dados apresentados pela Convenção de Mudança Climáticas, que ocorreu em Haya, com dados de 1997] é :Estados Unidos 24%; China 14%; Federação Russa 6%; Japão 5%; Alemanha 4%; Índia 4%; Reino Unido 2%; Canadá 2%; Itália 2%; Coréia 2% . O Brasil ocupa o 17° lugar com 1% das emissões de CO2 no mundo, mas isso não considera as queimadas que estão ocorrendo. Existem países que não conseguirão cumprir as metas e, pensando nisso, criou-se o chamado crédito de carbono, que é uma moeda de troca. Por exemplo, existem países cujas indústrias não conseguem mais reduzir as metas estabelecidas e então compram dos países que conseguirem superar os 5%. Um exemplo é o que foi feito aqui em São Paulo, no Aterro Sanitário Bandeirantes, onde foi construída uma usina termelétrica movida a metano captado dos drenos de gases do aterro. O lixo gera o metano, o biogás, que normalmente é queimado na superfície. Isso gera CO2, mas é melhor queimar do que liberar o metano pura e simplesmente, pois este é mais nocivo. Esta usina ao captar o biogás e para produzir energia elétrica, está diminuindo a emissão de gases e isso pode ser remunerado através da venda desses créditos. Uma tonelada de carbono, seqüestrada, é esse o termo que se usa, vale atualmente no mercado internacional US$ 5. É um mecanismo que estimula empreendimentos voltados à melhoria ambiental, sem o qual ninguém investiria. Vamos falar do ozônio. A atmosfera é composta por camadas e uma delas, a 25 kms de altura é constituída por esse elemento químico que tem por finalidade criar uma proteção para a Terra. A radiação emitida pelo Sol é composta de raios ultravioletas, que em determinada medida são benéficos para a vida, pois eles são germicidas, matando vírus e bactérias. Mas se forem liberados em grande quantidade matam inclusive os humanos, de câncer de pele. Os cientistas observaram que a partir do final da década de 70 estava se formando um buraco nessa camada de ozônio e progressivamente foi aumentando. Descobriu-se que o principal agente dessa destruição era o CFC, já citado pelo Rogério anteriormente. Esse gás era utilizado para sistemas de refrigeração, como ar condicionados, geladeiras, sprays. Esse gás passou a ser proibido, porém ainda existe em muitos locais, à medida em que temos muitas geladeiras antigas. Esse gás ao vazar sobe até a estratosfera e por um processo químico ele destrói as moléculas de ozônio. Existem outros fatores que destroem o ozônio, como os jatos ultra-sônicos, que voam nessa altitude, mas não em tanto número assim. Essa questão do buraco na camada de ozônio parece estar bem encaminhada e sob controle. Pergunta feita pelo Marcelo Vieira: - Os impactos ambientais não poderiam também interferir na inversão do campo magnético da Terra? Resposta: Não esses impactos. Intervenção do Marcelo: - Mas se o homem mexer com as camadas profundas da Terra, isso não poderia gerar problemas? Resposta: Aqui cabe uma pequena digressão, para jogarmos um pouco mais de luz sobre o que Marcelo está falando. A Terra tem um núcleo de magma e esse magma não é estático. Ele movimenta num fluxo tal que determina as cargas positiva e negativa dos pólos. Esse fluxo, por sua vez gera um campo magnético exterior, denominado cinturão de Van Allen, em homenagem a James Van Allen, engenheiro da Nasa que o descobriu em 1958. Esse cinturão fica a aproximadamente a 25 mil km da Terra e tem por objetivo proteger o planeta de radiações magnéticas geradas pelo Sol e que chegam através do vento solar. O que o Marcelo está falando é que se houver uma mudança de movimento do fluxo de magma pode ocorrer a inversão dos pólos e isso poderia gerar grande impacto à Terra, talvez até a extinção da vida, pois inexistiria a proteção contra a radiação nociva. É o que se especula o que teria ocorrido com Marte. A ciência acredita que essa inversão de polaridade já ocorreu no passado aqui na Terra, através de análises de camadas geológicas, sendo provável que ocorra também no futuro. Agora, acredito que se o homem começar a interferir nas camadas profundas, pode desencadear algum processo perigoso sim. Vamos falar um pouco da chuva ácida, que é produzida pela precipitação de chuva misturada com poluentes emitidos na atmosfera por indústrias químicas. Esses poluentes são precipitados e causam degradação do solo, mananciais de água, flora e fauna. Isso é muito verificado em países onde há concentrações de indústrias desse tipo. Um caso por nós conhecido é o de Cubatão. Quem tem um pouco mais de idade vai se lembrar que toda a mata atlântica que cobria a Serra do Mar naquela região foi morta e após um grande esforço, onde as indústrias foram obrigadas a instalarem filtros e monitorarem suas emissões, tivemos a recuperação. Mas foi necessário que todas aquela região fosse replantada, através da dispersão de sementes lançadas por aviões. Vocês vejam como a Terra realmente se compara com o nosso corpo. Se eu fizer um corte superficial em minha mão, não há necessidade de medicamento, bastando que eu faça a assepsia, lavando com sabão. O próprio corpo através de um processo de auto-cura se encarregará da reconstituição dos tecidos e o mesmo ocorre com a natureza. Porém, caso o corte seja profundo, haverá a necessidade de suturas ou até a amputação. Na natureza, dependendo do dano provocado, necessita ser auxiliada, para que o processo de reconstituição seja efetivado. Com relação à água temos também uma relação de analogia entre a Terra e o nosso corpo físico. O planeta é constituído de 70% de água e 30% de massa, assim como a nossa estrutura física. Não será a Terra também um corpo plasmado de um grande ser? Muitos, dentro de um raciocínio simplista colocam que a água não é um problema na Terra, pois ela está disponível em abundância, mas não é bem assim e vamos ver porque. De toda a água disponível 97,5% se encontra nos mares, portanto salgada. A doce é somente 2,5%. Se colocássemos toda essa água em um copo a doce corresponderia à capacidade de um conta-gotas. Mas não fica somente nisso. Dos 2,5% a grande parte concentra-se nas calotas polares, correspondendo a 75%, portanto não tendo como ser utilizada. No sub-solo temos 24% da água doce, mas também não podemos utilizar indiscriminadamente, pois isso pode provocar problemas. No passado tivemos uma fábrica de bebidas na região de Caieiras, se não me falha a memória. De tanto que se tirou água dos poços artesianos, parte da cidade cedeu. Então, a água aproveitável é muito pouca, não chega a 1% da água doce do mundo, o que corresponderia a apenas uma gota do conta-gotas, dentro da analogia que fizemos do copo. E esse 1% compreende as águas dos rios que muitas vezes estão longe dos grandes centros populacionais. Vejam o Rio Amazonas. Toda a sua água não tem como ser utilizada, pois é uma área de baixa densidade demográfica. A questão da água é preocupante, existindo muitos países que não tem acesso a ela. Pela degradação do solo as nascentes tendem a morrer, pois elas dependem das matas. Mesmo o Brasil que é privilegiado pela quantidade de água existente o assunto requer atenção. Nas regiões ao sul e sudeste, nos períodos de estiagens, já enfrentamos sérios problemas de racionamento e cada vez vai se buscar água em locais mais distantes. Na região amazônica, pelo processo de desmatamento, a água tende a reduzir, assim como o solo deve ser degradado, pois o solo amazônico é pobre, arenoso. A camada fértil é muito superficial, produto da decomposição de material orgânico gerado pela própria floresta. Então se você desmata, o solo pode ser utilizado por alguns anos e depois virá areia. Lembremos que o Saara, outrora, foi uma grande floresta tropical. Alguém da platéia questiona sobre se não é possível o aproveitamento de água salgada. Resposta: Sim,é possível. No oriente médio, onde a água é extremamente escassa, existem usinas de dessalinização, mas essa é uma solução muito cara e somente se viabiliza quando forem esgotadas as demais alternativas. Continuando... Vemos muita falta de respeito por parte da população com o uso da água, principalmente nas regiões urbanas. É comum vermos pessoas "varrerem" calçadas com o uso de mangueiras, desperdiçando grande quantidade de uma água que custa caro. Tem a questão do solo também, mas vou passar mais à frente, para falarmos da questão da energia, pois essa é um assunto igualmente importante, pois a sociedade necessita cada vez mais de energia e ela é praticamente gerada por sistemas que causam grandes impactos ambientais. Qualquer atividade humana causa impacto ambiental. O que tem que ser avaliado é o que gera menos intensidade ao meio ambiente e a matriz energética adotada é a raiz de todos os problemas. Nós necessitamos de energia crescentes, ou combustíveis que, como vimos acarreta todos os problemas de poluição atmosférica, água e solo. Mas a demanda por energia elétrica é igualmente crescente, pois tudo depende de eletricidade. Aqui no Brasil, por exemplo, a energia elétrica é produzida através de hidrelétricas, dada ao potencial hidrográfico existente, embora esses recursos já estejam esgotados. A construção de barragens tem um custo ambiental e social, bastante significativo, quando de suas implantações. Perderam-se muitas espécies de flora e fauna, quando da construção de Itaipu, por exemplo, além do desaparecimento de cidades que foram submersas. A geração de eletricidade por meio hidráulico é a mais barata, pois a capacidade de geração é bastante grande, porém depende do índice pluviométrico. Alguns anos atrás nós tivemos problemas sérios com os apagões resultantes da sobrecarga dos sistemas, pois a geração estava no limite de sua capacidade além de estarmos na época em período de grande estiagem, com pouca água nas represas. No Brasil ainda nós temos a geração de energia, em menor escala, a partir de termelétricas e usinas nucleares. As termelétricas são normalmente movidas a diesel, gerando muita poluição sonora e atmosférica. Cidades no norte, principalmente, são abastecidas por esse meio de geração. Já, as nucleares têm um grande potencial de geração, mas extremamente perigosas. No nosso caso temos duas em Angra dos Reis e a terceira está sofrendo muita resistência dos ambientalistas para ser colocada em funcionamento, felizmente. Em outros países, principalmente na Europa, se obtém energia através de usinas nucleares. Nesta transparência, onde apresenta fotografia de todo o mapa do mundo fotografado por satélite à noite, temos uma idéia de como se concentram o consumo de eletricidade. Vemos grandes concentrações de luzes em regiões cuja geografia não dispõe de recursos hídricos suficientes para gerar toda essa energia, sendo realmente produto de termelétricas e fissão nuclear, altamente prejudiciais ao meio ambiente. Então o grande desafio que se coloca ao mundo desenvolvido são essas questões. Como o homem solucionará essas questões. Gerar mais energia, sem impacto ambiental significativo. Não vejo desfechos felizes para esse modelo de desenvolvimento, mesmo porque, como já dissemos, o petróleo está se exaurindo e a sociedade é fundamentalmente dependente desse produto, não só na sua utilização como combustível, como também em aplicações diversas, como na indústria têxtil, petroquímica, eletrônica, haja vista a multiplicidade do uso que se faz de todo material plástico em nossas vidas. Essa matriz energética levará a disputas acirradas entre nações pela posse das últimas reservas disponíveis, além de criar um custo insustentável para o equilíbrio ecológico. Por outro lado, nós temos que compreender, que esse é um processo de grandes transformações que estamos a enfrentar. Essa postura humana isolacionista, apartada do todo, está alinhada a uma curva descendente. [desenhando no quadro] Isso são valores alinhados àquela visão mecanicista. No entanto, em contrapartida, vemos que começa a ganhar força novos valores alinhados a uma outra curva, em ascensão, que em está em contraposição, provocando uma ruptura com velhos padrões. Por isso que o momento é um tanto que confuso, mas se analisarmos com atenção, nem tudo que está acontecendo é realmente ruim. Estão sendo desenvolvidos novos dispositivos geradores de energia, ambientalmente auto-sustentáveis, que deverão assegurar um melhor padrão de qualidade de vida ao Planeta e a todos nós. Dependerá de como o homem conduzirá esse processo. Se ele irá adotar uma postura preventiva ou terá que reparar prejuízos provenientes de catástrofes ambientais, talvez com custos de vidas humanas e passivos irrecuperáveis, como é o caso de extinções de espécies, por exemplo. Como exemplo de fontes renováveis de energia estão surgindo soluções interessantes que deverão ter seu uso ampliado nos próximos anos. A energia eólica é um exemplo, sendo já utilizada em muitos locais, como na Alemanha, onde são implantados grandes geradores em fazenda [mostrando transparências com fotos]. Os fazendeiros recebem subsídios do governo para instalarem e manterem esses cata-ventos e eles vendem a energia gerada, faturando mais com a venda de energia do que com a produção agrícola. No Ceará, que venta muito, existem vários geradores desses instalados. Em Fernando de Noronha também existem dois desses, gerando energia para a necessidade local. Naturalmente isso também tem impactos ambientais locais. No caso de Fernande de Noronha, por exemplo, existe uma espécie endêmica que vive lá, como o Atobá que não pode voar tranqüilamente nas proximidades do gerador. Existem mais alternativas de energia, como é o caso de placas térmicas instaladas sobre o telhado das casas para o aquecimento de água, a partir da radiação de luz solar. Nós as encontramos cada vez mais freqüente, principalmente em residência localizadas em condomínios de alto padrão. Ainda, a partir da radiação solar, temos ainda as células fotovoltaicas, que produzem eletricidade. Nas rodovias aqui de São Paulo, a cada quilômetro tem instalado um poste contendo telefone para uso de emergência que é alimentado com energia gerada através desse tipo de sistema. Nós temos ainda a energia produzida pela biomassa, alimentando termelétricas ou mesmo outros motores a combustão. Aqui no Brasil, o álcool anidro já é uma realidade e o biodiesel será em breve. Esses combustíveis produzem baixa poluição, embora tenham impactos ambientais no manejo agrícola. Outro exemplo é o aproveitamento das marés como geradoras de energia. As marés sobem a cada período de 6 horas e pelo esquema que nós vemos [apresentando no quadro] a cheia é represada e quando da vazante, o volume represado é escoado através de dutos, onde são movimentadas turbinas, produzindo-se energia elétrica. Naturalmente essa energia produzida é pouca, mas suficiente para abastecer pequenas cidades. O custo ambiental disso é muito pequeno e a fonte é inesgotável. O próprio hidrogênio está começando a ser usado como combustível, havendo inclusive carros e motos já desenvolvidos e sendo comercializados. A poluição que o hidrogênio emite é inferior a 1% dos combustíveis tradicionais. O grande desafio é a produção do hidrogênio em grande quantidade, mas não é por falta de fonte, pois ele é encontrado na água, no ar, enfim é um combustível renovável e não poluidor. Agora, o que realmente chama a atenção é a construção de uma usina elétrica movida a ar aquecido. A concepção desse projeto foi divulgada há cerca de um ano aproximadamente, através de uma entrevista que eu assisti na União Planetária, onde o Ulisses Riedel recebeu um espanhol, representante de uma ONG, que não me recordo o nome. O objetivo era procurar viabilizar a implantação do projeto, desenvolvido por técnicos alemães, aqui no Brasil, já que o mesmo deveria necessariamente ser instalado em região com grande potencial de radiação solar. Mas, acredito que não conseguiram êxito, pois, para minha surpresa, vi que esse projeto está sendo implantado na Austrália e para quem quer informações detalhadas basta consultar o site www.enviromission.com.au. O sistema consiste na instalação de uma grande área circular de placas de vidros a uma certa altura do chão, criando uma camada de ar aquecida, pela incidência dos raios solares sobre a placa. No meio dessa área circular tem uma chaminé de grande altura, por onde é conduzido o ar aquecido, pois o ar quente tende a subir. Essa coluna de ar quente, por sua vez, sendo expelido a uma velocidade de 50 kms por hora, alimentará turbinas e grupos geradores de eletricidade, fornecendo uma capacidade instalada suficiente para atender a demanda de eletricidade de uma cidade de um milhão de habitantes. Então, o que nós percebemos, é que o homem é capaz de criar as condições necessárias para que haja um desenvolvimento sustentável, sem comprometer os meios naturais. A grande dúvida, no entanto, que paira sobre a humanidade, é saber se essas implementações já não são tardias, pois até quando o planeta resiste à agressão do atual “modelo”. Se por um lado, esse sistema de vida alicerçado em meios de produção e consumo que degradam o meio ambiente nos coloca em situação de certa passividade, pois não podemos interferir num processo, ditado pelos interesses e poder dos grandes agentes econômicos, por outro, podemos e devemos assumir uma postura preservacionista, cientes de que o pouco que possamos fazer, somados a atitudes de igual natureza, poderá representar o diferencial necessário para a salvação ambiental. Essas preocupações devem ser amplamente discutidas, conscientizando crianças, jovens e adultos, no sentido de que essa causa seja abraçada por todos, e que possamos adotar uma postura de espiritualidade, pois a verdadeira espiritualidade está na ação construtiva, na ação que garantam a todos a viver em um mundo melhor.
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