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Nem atração, nem rejeição... muito "pelo contrário"
Walter da Silva Barbosa
A mente, conforme o ensinamento esotérico, tem natureza separatista. O mesmo ensinamento diz ainda que esse atributo – manas em sânscrito – subdivide-se em mente inferior (ou concreta, comparativa), e mente superior, ou abstrata. Diz também que a mente inferior se relaciona com a natureza material do ser humano, compondo a personalidade, formada em seu conjunto pelo corpo mental, emocional e físico.
Essa mesma natureza separatista da mente - que já a subdivide em mente concreta e abstrata - a torna, ao mesmo tempo, o ponto de ligação entre a natureza inferior do homem (eu inferior, ou personalidade) e sua natureza superior (Eu superior, ou Espírito).
Esse paradoxo em si já explica por que razão os contrários são a mesma coisa, em vibrações diferentes. Amor e ódio - significando atração e rejeição - têm a mesma força no sentido de aproximar, porque se o amor atrai pelo anseio de estar junto, o ódio também acaba atraindo, pois mantém unidos na mesma vibração aqueles que se odeiam, forçando um ajuste cedo ou tarde.
Examinando as atrações provocadas por essas duas forças, vemos que o amor provoca dependência na expressão do sentimento humano. É uma busca de união provocada pela dependência do outro, seja em termos de apreciação, retorno, comportamento ou vínculo material mesmo. Por estar amarrado à reação do outro, gera escravização e sofrimento. É, portanto, um amor cego, parcial, que não consegue ver as coisas no seu conjunto, sendo capaz até de matar.
Assim, por maior que seja, o amor humano é apenas um estágio no caminho em direção ao verdadeiro amor. Deverá ser superado ao longo do tempo pela vibração do amor divino, onde a Unidade, ao invés de provocar dependência, liberta.
No ódio, a atração é provocada pelo movimento de rejeição. Por isso, na Ciência do Yoga um dos preceitos é justamente nos livrarmos do jogo da atração e repulsão, tendo em vista que esses dois movimentos geram, como dissemos, o efeito de atrair.
Em razão desse efeito, vítima e agressor estarão sempre unidos, a não ser que um deles se liberte superando o mal gerado, e passando a vibrar numa tônica que neutralize a atração. Essa tônica só existe no Amor desinteressado, o único que liberta, por basear-se no princípio da Unidade. Talvez fosse melhor dizer que esse amor é a própria essência da Unidade.
O que é a Unidade? Numa pretensiosa tentativa de defini-la, poderíamos lembrar que ela fundamenta a realidade da “Vida Una Universal”, que é expressão da Vida e da Consciência divinas existentes em todas as coisas, sejam belas ou feias, puras ou impuras, dado que esses conceitos são todos relativos. Essa “Vida Una” fundamenta a Fraternidade Universal.
Na realidade da consciência divina os contrários não existem. Ou melhor, lá só existe a pureza intocável da própria essência divina, sendo inadequadas portanto adjetivações como “puro” ou “impuro”, “de luz” ou “maligno” para o Espírito. Este é sempre puro como expressão de Deus em nós, estando qualquer impureza impregnada apenas em suas vestes, da mesma forma que em nada afeta ao mergulhador o escafandro que ele utiliza para descer ao fundo dos mares.
Como seres humanos só com muito esforço podemos nos livrar da natureza dual da mente e, portanto, do pensamento. O caminho para reunificar a mente - “casando” o Espírito com a Matéria - é a senda do Yoga, ou melhor, do Raja Yoga, que é da natureza mental, exigindo em sua prática, porém, o domínio do físico, das emoções e da própria mente.
A importância de observar no dia-a-dia um pensamento voltado para a Unidade está em preparar, aos poucos, a mente para o esforço do Yoga, devagar eliminando também os grandes conflitos que a idéia de separatividade provoca no mundo, a partir de nós mesmos.
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