| Vivendo no Momento Presente |
| Qua, 27 de Agosto de 2008 12:54 | |
|
Palestra proferida por Vicente Hao Chin Jr. (Presidente da Sociedade Teosófica nas Filipinas), em 12 de julho de 2007, com tradução simultânea de Sérgio Moraes (Coordenador Regional da Sociedade Teosófica no Brasil no Estado de São Paulo). Nós gostaríamos de iniciar o momento especial da noite com uma breve reflexão para que entremos na atmosfera sagrada da Sociedade Teosófica e do movimento teosófico. Peço a todos que busquem uma posição confortável, de preferência com a coluna ereta e que possamos relaxar nossos músculos, nossos tendões trazendo uma postura de calma e de paz para o corpo físico e que esta postura de paz possa convidar o sagrado que habita em nós, o divino em nossos corações, invocando a sua presença para que ele banhe nossas emoções com a sua estabilidade, que ele banhe nossos pensamentos com visão e sabedoria, e que sua presença aqui em cada um de nós possa estar viva, flamejante, respirando e trazendo a intuição espiritual à tona para que aproveitemos da melhor forma possível, a grande oportunidade de estarmos vivos, encarnados, aqui presentes para mais um trabalho teosófico. Que a paz e as bênçãos dos grandes seres estejam presentes, que nesse espírito de paz de comunhão e de fraternidade, possamos dar início ao trabalho de hoje. É o bastante. Meus irmãos, é com muito prazer que recebemos a visita do irmão Vicente Hao Jr, que é Presidente Nacional Sociedade Teosófica nas Filipinas, viajando pela América. Amanhã ele vai para o México e depois para a Califórnia onde estará também fazendo trabalhos como o que realizou em Brasília, o Seminário de Autotransformação. Então, para aproveitarmos a mensagem, o pensamento claro, límpido e cristalino, eu peço a palavra para ele. Vicente Hao Chin Jr Boa noite a todos. Estou feliz de estar aqui de novo em São Paulo, para explorar e compartilhar com vocês, um assunto que não é só útil, mas muito importante na vida espiritual. É sobre viver no momento presente. Nós ouvimos freqüentemente este assunto, de viver no momento presente, mas às vezes ele deixa impressões diferentes em pessoas diferentes. Algumas pessoas pensam que viver no momento presente é não lembrar para coisas que aconteceram no passado e também não ligar para o que vier no futuro, mas obviamente isso não pode ser assim. Se isso acontecer eu não vou ser capaz de lembrar seu nome ou das minhas crianças ou donde eu venho, e se eu não puder planejar para o amanhã não posso nem sair de São Paulo, obviamente não é sobre esquecer o passado e não pensar sobre o futuro é na verdade um estado de mente que vai além da memória e do pensamento. Nós podemos ver nessa capacidade dois lados: O primeiro é o aspecto psicológico e o segundo é o aspecto transcendental. Vamos olhar primeiro o lado psicológico. Se vocês observarem quando estamos pensando em alguma coisa como no momento me ouvindo, observa-se que enquanto a mente está concentrada no que eu estou falando ela ignora outras coisas. Podemos observar que enquanto vocês estão me escutando, a mente não está prestando atenção sobre as sensações do corpo. Vocês podem até ter algumas tensões no corpo, mas não está na sua mente agora, vocês podem ter alguma preocupação neste momento, mas agora não estão consciente dela, mas observe que neste momento existe uma realidade para este exato momento, e sobre o que estou falando agora, neste momento, é apenas uma parte desta realidade presente, uma outra parte desta realidade é o como estamos reagindo, emocionalmente e mentalmente ao que estou dizendo. E se não estivermos cônscios, atentos, o que acontece é que estas reações acontecem automaticamente e a partir desta reação automática acontecem algumas conclusões que são automaticamente formadas, então as nossas reações para o que a gente fala ou nossos pensamentos, são coisas automáticas aos nossos condicionamentos. Vamos supor que você seja um católico ou um muçulmano, e eu possa dizer alguma coisa que possa não coincidir, ou concordar, com o seu passado particular. Então pode acontecer de alguma reação surgir tão automaticamente do nosso passado que não estejamos conscientes dela. Então os sentimentos podem levar a alguma conclusão, e a uma reação automática, reativa que não seja a conclusão correta. Muitas dessas coisas são partes da realidade deste momento, as suas tensões as suas preocupações, as suas reações mentais para o que é ouvido. Então se isso não é observado existem algumas conseqüências na nossa vida. Por exemplo, algumas reações são irreais, algumas pessoas têm medo de coisas que não as pessoas não deveriam ter medos. Algumas pessoas têm medo de bonecas, por exemplo. Podemos achar isto estranho, mas são adultas não crianças, quando vêem a boneca eles evitam e colocam a boneca de lado, nós diríamos porque alguém poderia ter medo de bonecas? É porque existe uma reação automática dos nossos pensamentos e sentimentos que a pessoa não está consciente, e porque esta reação é automática e nós não temos consciência dela. É um comportamento automático e, portanto tais reações podem ser irracionais, tais reações podem ser irreais, destrutivas, para nós mesmas e para outras pessoas. Um exemplo de tal destrutividade é a raiva. Se você fala ou faz algumas coisas agora eu posso não notar, mas pode existir uma raiva dentro de mim e de repente estou pronto para discutir com você e, portanto, isso pode causar dano a ambos embora em não seja cônscio disso agora. Agora o pensar e o sentimento, são úteis, mas eles têm suas limitações e algumas vezes eles estão errados. Para sermos capazes de ver se eles estão errados ou não temos que ser cônscios do que está acontecendo dentro de nós é esta a consciência de estar cônscio do que está acontecendo aqui e agora. Esta consciência é a chave para que nos libertemos destas reações irreais. Vamos tomar um outro exemplo. Se você pensar nos momentos em que você não estava feliz, você pode não notar de onde essa infelicidade vem, você pode ser até capaz de explicar em termos de conhecimento. Estou irritado agora por causa o Sr. A, B ou C. Isto é conhecimento não é consciência e o conhecimento por si só não pode ver a realidade de cada momento. A consciência do momento presente é que quando penso no Sr. ABC eu vejo o que está acontecendo dentro de mim, existe uma reação automática e seu estou cônscio dela e deixo-me de observá-la. E quando a gente observa pode virar algo que seja natural e que não seja destrutivo. E quando observamos isto podemos ver que pode existir raiva ou alguns sentimentos que não sejam destrutivos, e que sejam claros. Nós começamos a observar como os sentimentos da natureza surgem e como podem aparecer e desaparecer, e não estamos cônscios deles podemos nos apegar a eles e permanecerem por muito mais tempo. Mas quando estamos cônscios dele neste exato momento ele não fica congelado e flui. Em segundo lugar: não ficamos identificados com ele. Eu encontrei este assunto quando era estudante, não me lembro se compartilhei este assunto nas palestras anteriores. Naquela época eu tive uma depressão profunda, eu não sei se alguém de vocês já tiveram isso, mas acho que é um dos sentimentos mais terríveis que pode se ter. Algumas pessoas pensam até em suicídio quando estão realmente deprimidas. Quando estava em depressão eu deitava as 21:00h e as 4:00h ainda estava deitado, com sono, muito cansado e não podia dormir. Foi naquela época que encontrei particularmente um livro de Krishnamurti. Eu não sabia quem era Krishnamurti, e o livro que o bibliotecário da Sociedade Teosófica colocou na minha mão era “Life Ahead” - Vida à frente literalmente traduzido. É uma compilação de conversas com pessoas jovens, estudantes, e quando eu li as 10 primeiras páginas do livro, abriu alguma coisa dentro de mim que mudou a minha vida para sempre, Krishnamurti diz que algumas vezes não vemos as coisas como elas são, mas estamos experimentando as coisas através da nossa mente e a mente é um aparelho que julga as coisas de acordo com as nossas experiências passadas e condicionamentos. Eu posso dizer que eu gosto da cor rosa, mas não gosto do azul, mas a realidade o rosa ou do azul está além do meu gostar, a realidade é do jeito que ela é. Quando estou deprimido a reação é a de que eu não gosto da depressão e normalmente às pessoas costumam empurrar a depressão, ligam para amigos, ouvem música e fazem alguma coisa para afastar da depressão. E o que eu aprendi é que eu não vejo a realidade como ela é a cada momento presente. A mente julga e condena e tenta remover para longe aquela experiência, então a cada momento não estamos experimentando a realidade porque a cada momento nós estamos com este rótulo, gostamos ou não gostamos, nós nos colocamos além da realidade. E me ocorreu que fazia muito sentido o que ele estava falando, e então eu decidi que na próxima vez que eu tivesse a depressão ia experimentá-la completamente, sem tentar lutar contra ela. Um dia eu senti que a depressão estava vindo, eu sentei no meu dormitório e decidi experimentar a depressão completamente. O que vocês experimentam quando estão deprimidos? Auditório: Tristeza... Ligo para amigos... Estou perguntando o que vocês sentem quando estão deprimidos? Auditório: Vazio... Note! Tristeza é um conceito, não é uma descrição de uma experiência. É uma interpretação de uma experiência. O que é que a gente sente no corpo quando a gente sente a tristeza ou o vazio. O que significa o vazio? Qual é o significado do vazio? Auditório: Falta de vontade, se afastar das pessoas... Note, que se afastar das pessoas é uma conseqüência, é o resultado do que está sentido. O que é isso que você está sentindo? Auditório: Medo... Tome nota que o medo é o conceito, você diz que você tem medo, pois está sentido alguma coisa. O que você está sentido? Auditório: Um aperto no peito, na garganta, no estômago, um choro, uma lágrima, desejo de morrer... O desejo de morrer é uma conseqüência do que você está sentindo, até o chorar é uma conseqüência de alguma coisa que você está sentindo. E isto que temos que estar consciente, pois é a realidade do momento. A mente pula para interpretações e ela fica julgando, interpretando, mas isso é tudo da mente e não é a experiência direta de coisa. Você disse pressão no peito, garganta, estômago, pode haver outras coisas. Gostaria de perguntar para vocês... Auditório: Pode ser um chamado de algo superior... Que tipo de chamada? Auditório: Alguma coisa maior, como um chamado para algo maior... Isto pode ser a nossa explicação, mas o que é exatamente o que estamos sentindo que pode ser devido a esta chamada. Em outras palavras sempre que estivermos experimentarmos isto, antes de darmos qualquer nome, ou rótulo, para isso existe uma experiência crua, é aquela experiência, nem boa nem má. Não há nome para ela, e a mente pode sentir que isso seja agradável ou desagradável. Vamos olhar para isso, e o que foi descrito. Se a depressão é alguma coisa que você sente no seu peito, no seu estômago, na sua garganta, no meu caso foi alguma coisa diferente, foi sentimento de falta de energia como se não quisesse nem se mover, para não ir para a escola. Suponhamos que apenas observemos isto acontecer seja no estômago, na garganta, no peito, mas que estejamos completamente cônscios delas acontecendo, sem condenar, isso foi o que eu fiz naquela manhã quando eu estava deprimido, e geralmente a depressão vinha no dia inteiro. Naquela manhã que tirei para observar este estado de não energia em 10 minutos a depressão desapareceu. Eu fiquei surpreso com isso, pois eu não estava tentando estava tentando removê-la, estava até desejoso de ir com aquilo pelo dia inteiro mesmo que tivesse que perder a aula, mas queria observar aquilo durante o dia inteiro. Naquela manhã minha depressão desapareceu e nunca mais apareceu novamente. Isso foi em torno de 35 anos atrás e se amanhã eu tiver depressão de novo, farei isto de novo. Mas isto nunca mais veio. Quando descobri isso eu pensei será que posso usar isso para medo. Naquela época eu tinha dois medos: medo de cobras e de alturas. Eu experimentei isso subindo numa alta torre de caixa da água. Aqueles que sentem medo de altura sabem o que eu quero dizer, eu não poderia nem ficar de pé quase estando lá em cima, que minhas pernas estavam moles como borracha, meu corpo inteiro estava tremendo. E eu decidi continuar observando este medo o que quer que ele fosse, então ao invés de deixar que a mente pulasse para interpretações eu assumi aquilo sem nenhum tipo de condenação ou interpretação e experimentei qualquer que fosse a realidade daquele momento. Eu tive que sentar do lado da torre, pois eu não tinha nenhum sentimento a não ser medo, mas depois que a minha energia voltou e eu pude levantar e começar a andar e enquanto eu ainda estava tremendo continuei a andar em torno da caixa da água sentindo completamente ao meu corpo e as minhas pernas tremendo. Depois de algumas voltas eu descobri que meu tremor começou a desaparecer e eu podia olhar para baixo notar que eu estava de pé normalmente. Eu percebi que o medo tinha desaparecido, e depois disto eu me testei em edifícios mais altos ainda, e descobri que não tinha mais medo de altura e até indo passear em planadores.Não tive mais reação ruim. Eu percebi que ao observar o que esta acontecendo no momento presente tem um profundo efeito em nós. Nos tornamos livres do aprisionamento, dos pensamentos e dos sentimentos. Quando não estamos cônscios os pensamentos e os sentimentos se tornam ativos aprisionando a consciência, e começamos a brigar e tentar mudar, mas quando observamos duas coisas acontecem: - a primeira coisa que observamos é que estes efeitos de estômago, garganta de peito desaparecem, porque parece que esta coisas não são naturais, e que são resultados de certas influências de certos traumas que não estamos conscientes e quando estas reações emocionais desaparecem, elas desaparecem para sempre. - o segundo efeito é que a consciência transcende estas coisas que estão acontecendo. Ela não se identifica com aquilo que está acontecendo, mas ao mesmo tempo não está rejeitando aquilo. Nós observamos que a consciência pode observar, mas não é absorvida pelos sentimentos de que eu gosto disso ou não gosto. Eu gostaria de propor uma experiência. Não através da manga, mas se puder por dentro da roupa, belisque a si mesmo bem forte. Vocês gostam do sentimento? Agora percebam que quando vocês observam já colocam que não gostam disto, quando não estamos conscientes nos identificamos e se torna algo estressante. Vamos fazer a mesma coisa, mas com uma diferença apenas. Toquem o braço, mas não belisquem, sem apertar e estejam cônscios do contado do seu polegar com o seu braço, mais forte, sinta completamente sinta a pressão do seu dedo na sua pele, um pouco mais forte e se sentirem algum tipo de sensação de radiação apenas sinta isto, mais forte, mais forte, mais forte, e sinta e agora o mais forte que puder, e apenas sinta. Massageie, agora, sua pele. Existiu alguma diferença entre a primeira e a segunda experiência? A primeira vez doeu e a segunda não. Notem esta estranha observação. Na segunda vez nós quisemos experimentar deliberadamente a dor, não tentamos evitar o que é chamado de dor. E ainda assim vocês dizem que não foi doloroso e a primeira vez a mente não estava lá então ficou doloroso foi feito muito rápido quando a mente estava pensando em alguma outra coisa, a diferença é a presença da consciência. O corpo continua sentindo a sensação que chamamos de dor e a consciência não se identifica com isto e, portanto se sente insuportável. Observe que isto não é supressão, rejeição e não está tentando mudar ou remover, e perceba que nós estamos experimento completamente e ainda sim deixa de ser um problema. Em fato pode se fazer isto até isso sangre. Eu tentei para vários tipos de dor. Uma das mais dolorosas que eu senti foram as câimbras, quando sua perna sente aquela contração você tenta empurrar e ela puxa de volta, e você empurra de novo. E uma vez eu decidi sentir a toda a câimbra sem interferir. É tão doloroso que eu tenho que realmente estar consciente para experimentar toda a dor e isto veio até uma situação máxima e em menos de um minuto acabou e é isso que faço quando tenho câimbras. Isto significa que estamos que estar sempre prontos para experimentar o momento presente. Esse exemplo é do corpo físico, mas pode ser utilizado às emoções no momento em que nos tornamos irritados ou raivosos. Então vá para esta consciência e tente viver o momento presente. Sinta o que é sentido no momento. O que você sente quando esta com raiva? Auditório: Um tipo de uma tempestade dentro. Dentro de onde? Auditório: Dentro do coração Perceba que existe um lugar para estas coisas, não são coisas vagas, mas são bem especificas, se o seu coração está batendo forte isto é bem específico. Essas coisas não permanecem, ela parecem se mover porque é da natureza do corpo se mover. Esta energia é a mesma da acupuntura que vão através dos 14 meridianos do corpo durante o dia inteiro, se você não interfere nela vai através de você sem você interferi-la, mas no momento em que você tem medo, ela para, quando tem raiva, está deprimido, também para. Agora observe isso e ela vai recomeçar a mover. E isto no meu observar é uma maneira muito eficaz de lidar com o stress. E isto é o princípio tratado no livro “O Processo de Autotransformação” e qualquer que seja o medo, depressão, medo, ou raiva, ódio, trauma ou culpa, nós lidamos com isso e sempre que a gente observa, ele flui e desaparece, mas a chave é a consciência, e se vocês testarem, vão ver que isto é a chave para a cessação da infelicidade humana. Pode até não significar que sejamos muito felizes, mas pelo menos não seremos infelizes, teremos paz interna e isto é algo que está totalmente sob nosso controle. Este é um dos efeitos de experimentarmos o momento presente. Não pensarmos no momento presente, mas estarmos cônscios do momento presente. Então podemos ir além de algum automatismo do nosso sistema, mas isto requer que tenhamos a energia de estarmos cônscios a cada momento. Por exemplo, agora que estão me ouvindo vocês estão conscientes dos seus ombros. Eles estão relaxados ou tensos? Seus braços relaxados ou tensos? Observem que quando eu faço estas perguntas começam a incluir seus ombros e seus braços, na sua consciência, e suas pernas e a sua fronte estão tensas ou relaxadas? Para ser capaz de estar consciente disso é requerida uma energia para consciência, e quando não temos esta energia não podemos fazê-lo. Para isto precisamos economizar energia para a nossa consciência. A cada momento que estivermos com raiva, irritados ou tensos, estamos usando esta energia, por isso é importante observarmos as nossas emoções diárias, pois elas drenam a energia de nossa consciência. O segundo fator é a meditação. Quando estamos meditando criamos o que chamamos de consciência periférica e esta consciência periférica vai ficando cada vez maior à medida que continuamos a prática da meditação, e então descobrimos que temos mais energia diária para que observemos tudo que acontece ao nosso redor. Esta capacidade de estar cônscio no momento presente tem implicações importantes. A primeira é a capacidade de lidarmos com nossos problemas internos e mencionei que isto e uma chave para a cessação da infelicidade. A segunda ação é nos nossos relacionamentos. Uma pessoa que não está em contato com o momento presente pode não estar em contato com o que está acontecendo com as outras pessoas. Um pai que está tão absorvido com os seus problemas pode não observar que seu filho ou filha pode estar com depressão, ou um outro problema. Porque ele não está consciente e a sua mente está absorvida em algum outro lugar, mas se ele estiver consciente vai perceber que não está ouvindo o seu filho. No momento que ele observar isto ele vai ter que decidir ou eu penso sobre o meu problema ou eu ouço o que ele tem a dizer. Se ele está muito ocupado eu posso pedir “me dê 5 minutos que eu termino isto”, mas quando eu presto atenção no meu filho, eu completamente presto atenção no meu filho. Vocês vão observar que quando damos uma completa atenção a alguém, aquela pessoa sente amor. O genuíno escutar é o método mais simples de expressar genuíno amor. É o simples escutar com o ouvido e a mente, é escutar com o ser total, ele fica até sensível aos sentimentos. Ficamos conscientes do olhar, da linguagem corporal, do tom de voz e então somos capazes de responder completamente. E isto é o início do que podemos chamar de relacionamento efetivo. E tem também algumas implicações em alguns de nossos conceitos e crenças. Por exemplo, este conceito de céu e inferno começa a perder significado, porque descobrirmos que a felicidade ou infelicidade não depende do que está acontecendo fora, mas sim do que está acontecendo dentro. Se o inferno é fogo e se você pode se queimar e ficar consciente e observar o corpo reagindo ao fogo então você pode deixar isto acontecer. Vocês viram aquela foto de um monge budista vietnamita durante a guerra, que estava protestando contra a política? Ele sentou e meditou na rua e outro monge derrubou gasolina no seu corpo e o queimou. O fogo é uma das coisas mais dolorosas que uma pessoa pode experimentar e esse monge nem se moveu enquanto seu corpo estava queimando ele apenas caiu porque ele morreu. Esse é um exemplo de uma pessoa com tanta consciência deste momento que nem o fato de estar se queimando não o afetou então se o inferno é fogo, este monge não tem medo do inferno. Mas o inferno realmente não pode ser nenhuma dessas coisas, porque a dor e o sofrimento estão na nossa consciência e uma pessoa que está consciente das coisas que estão fora e dentro dela, pode ter completo domínio sobre isso. Então o inferno e o céu não são uma coisa que vem depois da vida, mas algo que está acontecendo aqui agora. A chave é a capacidade de se estarmos conscientes a cada momento. Deixe-me dar um outro exemplo, relacionados a conceitos e nossas crenças. Estou me referindo a reencarnação. Às vezes dizemos gostaria de fazer esta coisa, pois na outra vida eu gostaria de fazer aquela outra coisa, agora quando observamos o conceito, a reencarnação passa perder a importância porque só podemos experimentar o futuro no momento presente. Seja no momento seguinte ou seja dez vida para frente só quando o momento for presente se eu puder ter equanimidade a cada momento presente então se eu vivo 1 vida ou 10 vidas tem menos importância Nós não temos agora o controle se vamos mais duas vidas ou cinquenta vidas, mas o que nós temos controle realmente é a qualidade da vivência de cada momento presente. Então, se eu tiver uma vida ou cinqüenta vidas mais está tudo bem, enquanto cada momento presente estiver ok. O viver neste momento presente é a consciência deste centro egóico quando observarmos a nós mesmos e percebemos que existem algumas obstruções, alguns pontos dentro de nós que nós identificamos como sendo nosso ego. E toda a tradição, sabedoria das religiões, das idades que os grandes sábios observaram que quando temos este nódulo, este obstáculo, e o observamos este nódulo, começa a desaparecer e quando ele começa a desaparecer toda a raiz dos problemas humanos começa também a desaparecer. Então, a segunda faceta de viver o momento presente que é a transcendência e esse é o portal que podemos descobrir e que pode nos libertar e é o que sempre procuramos. O que nos exploramos nesta noite, neste breve período de tempo, é algo que eu recomendaria que todos nós experimentássemos tão intensamente como pudermos. Eu acho que essa é a chave da solução de muitas das buscas desta vida. O conhecimento é muito útil de várias maneiras. Este conhecimento externo das outras coisas é muito pequeno em comparação com a percepção desta realidade, mas fazendo isto nós não estamos resolvendo apenas os problemas da vida, mas obteremos o que chamamos de autorealização. Eu espero que estes ensinamentos encorajem vocês a explorar e se nós pudermos aprender isto seremos capazes de ajudar as outras pessoas. Obrigado. Aberto a perguntas: Pergunta: Isso pode ser feito em outras pessoas. Resposta: O que nós fazemos é o que fizemos recentemente no seminário em Brasília. Por exemplo, se esta pessoa está sentindo depressão eu sentaria em frente a esta pessoa e perguntaria o que ela esta sentindo no corpo dela, mas não perguntaria porque ela está sentindo esta depressão, mas por outro lado eu perguntaria qual é a sensação. Perguntaria qual é a sensação que ela está tendo. Vamos supor que seja um peso. Eu iria perguntar se esse peso é como uma bola ou como uma chapa. Podem observar isso? Tem uma forma que pode ser até algo pontiagudo. Suponhamos que seja uma bola, e aí eu perguntaria se é dura ou mole, é grande ou pequena, porque estou perguntando? É para ajudá-la a tomar consciência do que está sentindo. A pessoa comum ignora estas coisas, mas isso é a chave para libertação. Eu pediria para respirar profundamente, pelo abdômen, e sentir esta bola e quando expirar sentir o resto do corpo. E depois de 10 ou 15 ciclos de respiração eu perguntaria novamente o que está sentindo, e muitas vezes dizem que agora está se transformando numa bola pequena, ou minhas mãos estão em comichão, dormentes. Então o que está acontecendo é que aquela energia que estava congestionada no peito agora está se expandindo para fora do corpo e se continuar ela vai até desaparecer. Mas não deve empurrar para que desapareça porque se fizer isso ela não vai desaparecer; deve-se apenas experimentar sem nenhum tipo de condenação. Isto vai fluir naturalmente, e depois de desaparecer fica normal então vai descobrir que não mais está deprimida, estressada, porque quando não sente estas coisas não está estressada, não importa o que acontece a você feito por outras pessoas. O que faço é repetir isto, por várias vezes apenas para certificar que está zerado. Respirar e ao expirar ver a coisa desaparecer. Auditório: E sobre a raiva? Resposta: Você observa o que acontece conosco quando estamos com raiva? Aonde você sente a raiva? Auditório: Não me lembro, só quero me expressar. Você lembra que quando você esta com raiva, alguma coisa está acontecendo na cabeça? Vou tentar explicar o que observei trabalhando durante os últimos 15 anos com as pessoas. Quando você é emocionalmente ferida por outros vai sentir aqui no peito. Se estiver com medo vai sentir no estômago ou mãos ou nas pernas. Quando é raiva vai sentir algo na cabeça. Vocês já perceberam que quando sentimos raiva, fica muito quente aqui pelas orelhas, e essas são as energias reais se movendo pelo corpo por causa das emoções, e a consciência disso é uma chave importante para o termino disso. A próxima vez que estiver com raiva vá para uma respiração profunda por algumas vezes e perceba o que o se corpo está sentindo, se a sua mão esta tensa está significando que a energia está indo pela sua mão e quer sair. As pessoas que não estão conscientes podem querer socar a mesa ou outra pessoa o espancar as suas crianças não é que a pessoa queira machucar outras pessoas, mas a energia quer se libertar. Quando você quer resolver isso não deixa isto escapar causando dano a outras pessoas, deixe-as tremer e posteriormente esta sensação vai se normalizar, apenas aprenda como fazer uma respiração profunda. A respiração profunda começa no abdômen até o seu peito e então expire lentamente, porém profundamente, e então sinta o seu corpo, e repita tantas vezes quantas necessárias, pode ser de 5 a 15 vezes. É verdade que isso pode se transformar numa doença, mas muito comumente é o que chamamos de botão de apertar, interruptor, é uma congestão que está parada no meio do caminho. Então aquele botão é por causa do Sr. A. Então, à noite quando eu pensar no Sr. A aquela congestão vai aparecer de novo. Posso sentir raiva e chorar, posso ficar com raiva de outras pessoas então este interruptor é uma coisa perigosa é importante lidar com este botão e deixar que essa coisa flua normalmente, e amanhã quando encontrar com o Sr. A não vai ter a mesma reação. Pergunta: He Said that to live the present moment you have to not judge...but you have to judge to choose wich experiencies that you wnat to have or not. O julgamento que estamos nos referindo é o julgamento do pensamento e da mente e quando o corpo está faminto ele secreta algumas substâncias e o corpo procura por comida. Esta ação é diferente do julgamento mental. Por exemplo, eu sinto que algo é muito quente então sem qualquer julgamento mental eu retiro a minha mão, essas são reações instintivas. Agora a mente é necessária para julgar as coisas. Quando for para casa você vai ter que julgar como vai para sua casa se for construir este prédio vai ter que julgar. Ou seja, julgamento é muito importante na vida, mas note que temos que ir além deste tipo de julgamento. Temos que estar conscientes dos fatores que usamos para julgamento, e estes fatores requerem uma consciência que não é deste nível de julgamento. Poderia dar muitos exemplos, mas apenas observe esta diferença. A mente pode fazer julgamentos por fatores um, dois, três, mas pode não estar consciente dos fatores quatro, cinco, seis, que estão aqui e ela não está consciente. Mas esta consciência é de outra qualidade quando esta consciência vê as coisas na sua completude ela conduz espontaneamente a ação e não necessariamente leva ao julgamento comum do processo. Suponhamos que você tenha visto uma cadeira caída e você percebe que quando você vê isso apenas pega e a arruma, você teve que esperar para pensar se ia arrumá-la ou não? Percebe-se que existe uma consciência interna que age espontaneamente devido às coisas. Suponhamos que esteja consciente que meu ombro esteja caído, não preciso fazer um julgamento para trazê-lo de volta. Quando estou consciente dele automaticamente eu o corrijo e relaxo, ele vê as coisas vai automaticamente para o estado de equilíbrio. Auditório: Talk, talk, talk... Eu tenho uma sugestão, observe a si mesmo e veja enquanto você esta falando, perceba os sentimentos que afloram e que se expressam de acordo com a sua fala. No começo isto é difícil, porque a energia da sua consciência está na raiva, mas tente tão freqüente quanto puder. E depois você vai perceber que há algo observando você falar vai e é quase garantido que você vai parar de falar e note que você ficar menos e menos raivosa sem a supressão. E agora sem raiva você pode olhar para as coisas mais objetivamente. E ai você pode decidir a qual é a melhor maneira de lidar com a situação, se de quatro escolhas a primeira é a melhor, faça o melhor que puder para resolver, se não resolver aceite, pois você fez o seu melhor. Annie Besant disse “O que quer que esteja além do meu melhor não é mais minha obrigação” e você pode observar que não vai gastar mais energia em uma raiva inútil, se uma situação pode ser resolvida, resolva, se não pode ser resolvida, aceite. A raiva não é necessária. Pergunta feita sobre a interferência no campo energético de outras pessoas, no processo de tratamento. Reposta: Teoricamente é possível interferir na energia de outra pessoa, mas no tema que estamos lidando agora não fazemos isso. Você faz com você mesmo, ou você ensina outra pessoa a fazer ela com ela, então pessoa pode fazer sem depender de outra pessoa. Interferir na energia de outras pessoas é possível, mas normalmente eu não recomendo, porque mistura o desequilibra a energia das outras pessoas e pode afetar o equilíbrio de outras pessoas. Se for no pescoço que você está sentindo são palavras não expressadas, você queria dizer alguma coisa para outra pessoa, mas segurou. Se fizer a respiração profunda, sua boca, em poucos minutos, fica dormente. Ele aprendeu isso por que as pessoas experimentam as mesmas coisas e depois desta dormência vai desaparecer da garganta, do pescoço também. Significa que esta pessoa conseguiu se liberar deste interruptor e se libertou total e permanentemente. |
|
| Última atualização ( Qua, 27 de Agosto de 2008 15:51 ) |