| Proibir ou Liberar? Dilema Antigo |
| Sáb, 06 de Setembro de 2008 18:34 | |
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Walter da Silva Barbosa, No mito de Prometeu, também uma mulher - Pandora - é responsável pela liberação de males ao mundo, não resistindo à curiosidade de abrir certa caixa onde eles estavam encerrados. Existirá tentação maior do que o "fruto proibido"? A proibição pura e simples, como se vê desde o "início dos tempos", cria impedimentos que, ao invés de diminuírem, incentivam e até criam interesses onde eles poderiam nem existir. Daí que a proibição, paradoxalmente, acaba sustentando a corrupção e o vício. Uma das razões para isso pode estar no fato de que, segundo a ótica egoísta dominante, "se alguém me está proibindo alguma coisa é porque algo de muito bom existe ali. Por que não deve ser meu também?". Essa ótica leva-nos a desconfiar inclusive de propostas educadoras positivas, sob o olhar matreiro de que "aí tem coisa". Da impureza só pode sair a impureza. Assim, conforme a palavra crística, "julgamos os outros conforme nos julgamos", ou "pelo fruto se conhece a árvore". Jesus, por sinal, sofreu descrédito em sua mensagem de amor porque a mentalidade da época, acostumada às manobras da hipocrisia, julgava inconcebível seu fundamento. Como aceitar o "dar a outra face" do Nazareno diante do ensinamento - "mais compreensível" pela natureza humana - do "olho por olho, dente por dente" de Moisés? Não era o próprio Deus, segundo o Velho Testamento, suscetível ao desejo de adoração, à vingança e à ira? A epopéia crística sinaliza o desafio gigantesco de toda obra reformista: mudar consciências. Seu argumento diz: "Sede perfeitos como vosso Pai que está nos Céus". Pelo menos duas coisas ficam claras aí: primeiro, que nosso parâmetro para a mudança é nada menos que o Criador de todas as coisas. Segundo, que sendo infinitamente imperfeitos diante d'Ele, temos muitíssimo que mudar consciencialmente. Uma terceira conclusão pode surgir: a de que o Universo é perfeito, pois é produto da perfeição de seu Criador. Ora, para chegarmos à perfeição do Criador é claro que deve existir uma mudança extraordinária implícita na condição do homem, até porque "feito à Sua imagem e semelhança". Essa mudança também só pode ocorrer ao longo de milhares de anos, pela enorme distância existente entre nós e mesmo um ser da estatura de Francisco de Assis. Tal distância pode ser explicada unicamente pelas Leis da Evolução, da Reencarnação e do Karma. Carente delas, qualquer proposta religiosa de mudança social só se sustenta pela autoridade, pela proibição ou pela fé. Disso se aproveita a mentalidade materialista das pessoas, querendo que o espiritual se adapte aos costumes, e não o contrário. Ainda, examinando as proibições pela ótica evolucionista do Espírito, não se tornam elas anacrônicas diante do infinito proposto para a evolução da consciência? Proibir não é colocar freios à livre experimentação pela mente, como instrumento da consciência? Mas, por outro lado, "liberar" não parece dar livre curso ao caos dos instintos humanos na sociedade? Que fazer então? Resposta óbvia: oferecer estímulos à conscientização segundo as leis reais da Vida Universal, respeitando-se a inteligência humana em sua sede pelo ilimitado e pelo desconhecido. No longo prazo isso tornaria dispensáveis mesmo todas as leis do mundo. Por que se proíbe muito mais do que se conscientiza? Porque conscientizar é um ato de amor. Exige doação de tempo, sabedoria e renúncia - com certeza, atributos de poucos. |