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Os Templários - Origem, História e Legado
Dom, 07 de Setembro de 2008 14:29

Palestra proferida por Antonio Carlos Jorge

O tema que nós abordaremos hoje pega todo mundo pelo coração. São os Templários. É um tema muito bonito. A abordagem que faremos sobre os Templários, na realidade, é histórica.

Antes de entrarmos propriamente dito nos templários, nós vamos consumir um tempo aqui de exposição para vermos o que levou para o surgimento dessa ordem. Qual a origem que determinou esse movimento.

Nós vamos retroceder bastante na história e vamos iniciar lá pelo ano 2.000 aC, por Abraão. Eu vou desenhar aqui uma árvore genealógica dessas civilizações, dessas culturas e religiões, para compreendermos o que motivou a formação das cruzadas. A história dos templários se confunde com a das cruzadas. Os templários nascem com o surgimento da primeira cruzada e termina logo após a retirada dos europeus da Terra Santa [última cruzada].  


Então, vamos iniciar na Mesopotâmia, no ano de 1.850 a 2.000 aC, com Abraão e Sara. Não se sabe se Abraão e Sarai foram personagens reais ou são figuras míticas. Blavatsky diz que se trata daqueles  que se opuseram a Brahma. Os nomes Brahma e Sarasvati têm a mesma  etimologia. O fato é que a Tora, que é lei mosaica, refere-se a Abraão como sendo o primeiro patriarca.

Sara tinha um problema, pois não podia engravidar. Então, foi permitido a Abraão que desposasse uma serva chamada Hagar, uma serva egípcia, para que dessa união ela pudesse conceber um filho, o que de fato aconteceu, tendo nascido Ismael.

Depois, Sara, aos 90 anos, tem uma revelação de que poderia ser mãe, fato que a deixou assustada. Essa revelação se confirma e nasce Isaac. Após o nascimento de Isaac, a Sara faz com que Abraão expulse para o deserto, tanto Hagar como o seu filho Ismael.

Essa ramificação aqui é fundamental para que compreendamos esse processo. Esse é o primeiro fator.

Nós temos aqui, então, os primeiros patriarcas. De Isaac nasce Jacó e de Jacó nasce José, que é o seu penúltimo filho, que por ciúmes de seus irmãos, é abandonado no deserto e tem toda aquela história que nós conhecemos. José vai para o Egito e lá ele acaba se tornando um escriba, após fazer as revelações dos sonhos do faraó. Os sete anos de vacas gordas e os sete anos de vacas magras. Ele se torna uma figura de muita expressão para o Egito. Isso se dá por volta de 1.750 aC. As previsões de José se confirmam. Realmente tem um período de grande seca naquela região, o que faz com que os hebreus que estavam nessa terra da palestina migrem para o Egito.

Acontece que depois da morte de José, os judeus deixam de ter sua proteção e passam a ser escravos dos faraós. Eles empreendem todo um trabalho de construção no Egito, de maneira que eles ficam aproximadamente ali uns quatrocentos anos, como cativos, até que surge a figura de Moisés, por volta de 1350 a.C., ocasião em que retira os hebreus, que também é uma história muito conhecida. Conduz os hebreus de volta à Palestina, que é o chamado êxodo. O êxodo judaico.

Essa travessia leva, segundo a Bíblia, aproximadamente 40 anos, o que é meio difícil de entender, porque é uma distância geográfica de aproximadamente 500 quilômetros. Por mais pessoas que ele estivesse levando, não demandaria todo esse tempo para fazer esse processo de retirada. Segundo a Bíblia ele levava 600 mil pessoas, sem contar as crianças [Êxodo 12:37]. Acredita-se que não existisse isso de hebreus cativos no Egito.

O fato é que ele empreende essa jornada e, antes de chegar em Canaã, ele tem lá a revelação, no monte Sinai, das tábuas, contendo os dez mandamentos, que passa a ser o código de conduta dos judeus. Moisés não chega a se estabelecer em Canaã; ele morre antes e quem o sucede é Josué.

Nesse período, ocasião em que Moisés teve a revelação das leis, foi construída uma urna para que fossem depositadas as tábuas. A chamada Arca da Aliança.

Josué empreende toda uma guerra contra os arameus, filisteus, cananeus, enfim, todos os povos que habitavam essa região, sendo que a batalha mais famosa é a de Jericó, onde, através de sons de trombetas, são derrubadas as muralhas que protegiam a cidade. Ele faz toda uma guerra de conquistas durante muitos anos. Essas guerras se estendem até o ano de 1020 aC, quando nós temos o primeiro rei judeu que é Saul.

Agora, uma coisa interessante. Os palestinos, por exemplo, acreditam que são descendestes dos cananeus, estando, portanto, muito antes da chega de Abraão naquelas terras. Então, a gente começa a perceber a origem de todos os conflitos que existem naquela região.

Mas o fato é que os judeus se estabelecem ali, tendo Saul o primeiro rei.

Depois temos Davi, que foi o primeiro grande rei, poeta, autor dos salmos, que nos encantam tanto, isso por volta do ano de 1.000 aC. O sonho de Davi era construir um templo que pudesse acolher a Arca da Aliança, até com uma reverência a Deus, pois as tábuas eram consideradas a palavra viva de Deus. Ele estabelece um projeto para a construção desse tempo, mas o templo vai ser edificado efetivamente pelo seu filho, Salomão.

Salomão empreende todo um esforço para a construção do Tempo, que de fato existiu.

Aqui nós já temos associações com a Maçonaria, de forma muito íntima, porque a construção desse Templo foi conduzida, segundo a lenda,  por um arquiteto de renome, chamado Iram Abiff. Durante a construção ele acaba sendo assassinado por operários, porque ele não quis revelar a palavra. Os operários eram classificados em três categorias. Tinham mestres, artífices e aprendizes que eram remunerados de forma diferenciada. Quem conhecesse a palavra de mestre era remunerado como tal. Isso provocou inveja em três aprendizes, que queriam ter a palavra secreta dos mestres, para poderem receber um maior salário. Como era o Hiram Abiff quem concedia a palavra ele se recusa a revelá-la para esses três aprendizes e acaba sendo assassinado, Isso tem uma simbologia que não cabe aqui nos aprofundarmos, mas está relacionada às mortes do corpo físico, astral e mental inferior. É uma simbologia esotérica correspondendo a essa questão.

Mas, enfim, o Templo é construído e concluído no ano de 950 aC, sobre o monte Moriá [local sagrado, onde no passado Abraão ia sacrificar seu filho Isaac].

Os  judeus ficam nessa região até o ano de 589 aC, ocasião em que são levados cativos para a Mesopotâmia, sob o domínio de Nabucodonosor. Eles não permanecem muito tempo na Babilônia, porque, Nabucodonosor sofre uma derrota para o rei persa Ciro, o qual liberta os judeus daquele jugo.

Os judeus retornam a Jerusalém e reconstroem o Templo no ano de 515 aC.

Tivemos depois a invasão macedônica de Alexandre Magno [século IV aC], que devasta toda essa região até o Afeganistão, destruindo Persépolis e a toda cultura não alinhada ao pensamento grego.

Os judeus se rebelam contra os gregos, se tornam independentes, depois vem o domínio romano e Jerusalém, nessa época, por volta de 150 aC, é dominada novamente por reis judeus, da dinastia dos irmãos macabeus. Um desses reis foi Hircano, que era protegido pelos romanos, porém era um rei inepto, incompetente.

Ele tinha um primeiro ministro de origem árabe, judeu por conversão, de nome Antípater, muito competente, articulado, um bom administrador. Hircano é deposto e exilado e Antípater assume como rei dos judeus, sob proteção de Júlio César.Antípater tem um filho, que é o Herodes, o grande, o nosso conhecido Herodes, que o sucede. Herodes empreende numa nova tarefa que é a reconstrução do Templo. Um Templo monumental, grandioso, jamais visto, com muralhas enormes e de uma suntuosidade arquitetônica invejável. Herodes foi um bom administrador, mas também um grande facínora. Ele se casa com a neta de Hircano, Mariamna. Nessa época, a tensão em Roma era muito grande. Júlio César tinha sido assassinado.

Marco Antonio, que era amigo de Herodes tinha sido derrotado por Otaviano.Após a morte de seus protetores, Herodes faz uma manobra de aproximação com Otaviano, marcando uma audiência. Mas temendo por sua vida, ele instrui sua guarda para que se viesse a morrer nesse encontro, a Mariamna deveria ser também morta. Só que Otaviano se encanta com Herodes, porque ele era realmente muito envolvente. Otaviano legitima Herodes na posição de governador da Judéia. Quando ele volta para Jerusalém, por uma obra do destino, Mariamna fica sabendo dos planos de Herodes, de matá-la caso viesse a morrer, e rompe com ele. Esse rompimento é fatal para ela. Ele manda matá-la, assim como os seus dois filhos que ele tinha com ela, que eram adolescentes, crianças. Talvez daí que venha o mito de que Herodes teria cometido o crime contra as crianças recém nascidas em Belém, mas isso não corresponde à realidade, porque Herodes morre quatro anos do nascimento de Jesus. Mas, se ele pudesse, acho que ele faria esse genocídio. Herodes morre e tem um período de tumulto em Jerusalém, com a colocação da Judéia sob o governo direto de Roma. Herodes Antipas, filho de Herodes, sucede-o como governador da Galiléia.

Nós temos, quatro anos depois, o nascimento de Jesus que é uma história que todos nós conhecemos. Depois da morte de Jesus temos o trabalho de todos os apóstolos, mas vamos focar um pouco mais aqui nessa questão [dos judeus].

No ano de 70, depois da morte de Cristo, existe uma grande conturbação nessa área. Os judeus se rebelam contra os romanos, por questões da grande carga tributária imposta. Nessa guerra os romanos empreendem a destruição definitiva do Templo, pelo general Tito, filho de Vespasiano. Vespasiano seria posteriormente o imperador de Roma, depois da morte de Nero.Esse Templo que foi reconstruído por Herodes é agora aniquilado, até pela própria profecia de Jesus, embora a destruição que Jesus falasse não fosse exatamente a destruição do edifício, mas sim da destruição e edificação de seu corpo físico.

Nessa ocasião ocorre a diáspora. Os Judeus são dispersos pelo mundo. Permanece ainda  um núcleo de resistência que é Massada. Massada é uma colina que fica próxima a Jerusalém, com mais de 400 metros de altura. Lá se refugiam os chamados zelotes ou sicários.

Entre os judeus existiam dois agrupamentos; os fariseus e os saduceus. Os saduceus eram homens ligados à justiça, à política, enquanto que os fariseus estavam ligados à religião. Entre os fariseus existiam os fundamentalistas que eram os sicários. Eles eram tão extremistas como os que hoje atuam naquela região, tanto de um lado como de outro [judeus e palestinos]. Esses zelotes se refugiam no topo dessa colina e resistem por três anos, quando é mandado um general de nome Flávio Silva, que constrói uma rampa e invade a cidadela, mas não consegue capturar ninguém, porque eles cometem suicídio coletivo.

É essa história do povo judeu nessa região.

Aí nós temos a história do cristianismo, que eu não vou me alongar aqui, pois seria por demais extenso, e é já conhecida. Mas temos Saulo, Paulo de Tarso, assim como Pedro, que empreendem o processo de evangelização até Roma.

Roma, depois de um grande período de resistência na aceitação da fé católica, acaba se capitulando. Nós temos aí imperadores como Marco Aurélio, que perseguiu os cristãos. Depois tivemos Cômodo, filho de Marco Aurélio. Cômodo foi mais benevolente, pois ele tinha uma amante que era cristã e ela de certa forma o conduzia a ser tolerante para com a prática do cristianismo. Mas depois de Cômodo, tivemos outros imperadores, como Maximiano, Décio, enfim  uma série de imperadores que foram altamente danosos aos cristãos. Até que nós temos o imperador Diocleciano que faz a divisão do império romano em quatro grandes áreas, cabendo o quadrante norte a Constâncio Cloro, que posteriormente assume todo o império. Sucede a Constâncio o seu filho Constantino, que é o primeiro imperador que se converte ao cristianismo. Estamos falando disso, por volta do ano de 300 dC. Constantino vai à Jerusalém e reconstrói muitas igrejas, inclusive a do Santo Sepulcro. Constantino também constrói sobre a cidade de Bizâncio uma nova cidade, que vem a ser Constantinopla, no Estreito de Bósforo.

Depois da morte de Constantino, sucede seu filho também de nome Constâncio e aí tem uma alternância de imperadores que foram malévolos para os cristãos, outros benévolos, até que o cristianismo efetivamente se instala no império romano. O cristianismo de alastra por toda a Europa.

Nós tivemos, em seguida, a queda do império romano no ocidente, por volta do ano de 476. Tem uma série de invasões bárbaras, que culmina com a invasão dos Hunos. O império romano do oriente continua, com sede em Constantinopla.

È interessante comentarmos que nessa época, no ano de 520, que é também determinante para a história dos templários. Nessa época, no sul da Itália, temos uma figura chamada Bento, São Bento de Núrsia. Núrsia é a região em que ele vivia. Ele funda o primeiro mosteiro que vem a ser conhecido no mundo cristão, no monte Cassino, que dá origem aos Beneditinos. Nós temos um outro personagem cristão, antes de São Bento [ano de 400] que é determinante para a nossa história, que é Santo Agostino.

Ele nasce no norte da África; nasce e morre, mas ele desenvolve todo o seu conhecimento na Itália. Santo Agostinho era filósofo e dentro de seu pensamento ele pregava a legitimidade da guerra santa, mesmo antes de existir a Jihad que é a guerra santa mulçumana. Isso era um pensamento vigente naquela época e pregado por Santo Agostinho.  Essa guerra santa que de certa forma vai fomentar todo o anseio posterior pela retomada da Terra Santa.

Esse negócio de mosteiro é uma coisa que pegou bem, porque o mundo na idade média [o mundo ocidental] estava mergulhado no caos.

A estrutura social na Europa, depois da queda do império romano ficou totalmente desarticulada.Surge em substituição ao domínio romano, a estrutura feudal. São senhores que praticam a vassalagem. Existe um senhor com mais força que tem ascendência sobre outro senhor, nobre também, mas esse último é vassalo do primeiro. O que é vassalagem? É a submissão em troca de proteção. Ele presta serviços militares tendo como contrapartida a proteção daquele que está acima. A vassalagem não era vitalícia, poderiam existir pactos por tempos determinados. Eram contratuais. Eram contratos tácitos. Mas o que imperava era essa estrutura de poder. Uma estrutura que não edifica nada. As pessoas ficam confinadas aos interesses locais. E a vida era realmente muito amarga. As pessoas não tinham perspectivas de se desenvolverem, não havia trabalho. Quando muito viviam da plantação de subsistência, cultivada nos campos, desde que o senhor das terras permitissem. Não restavam muitas opções. Então, a vida monástica tem um apelo bastante interessante.

Os mosteiros se alastram. Os beneditinos vão fundando vários mosteiros. Eles fornecem muitas mentes que irão ser inclusive papas. Gregório por exemplo. O principal centro foi Cluny, o maior centro beneditino, na região da Borgonha. Cluny existe ainda, em ruínas, assim como os Beneditinos ainda permanecem vivos até hoje.

De Cluny sai uma dissidência, onde se funda um outro mosteiro chamado Citeaux e junto com Citeaux tem um outro mosteiro chamado Clairvaux, vale iluminado, isso por volta do ano de 1.098. Essa ordem não é dos beneditinos, mas sim dos Cistercienses, que não existe mais. Existe o que restou dessa ordem que são os monges trapistas.

Nessa época temos o Abade de Citeaux, que é um saxão, de nome Estevão Harding e em Clairvaux temos Bernardo, que vem a ser o São Bernardo de Clairvaux. Os dois vão ter um papel preponderante na história dos templários.

Nós estamos no ano de 1.098, mas agora, tem esse braço aqui [voltando ao esquema originalmente desenhado, contendo a árvore genealógica a partir de Abraão], de Ismael que ficou um pouco obscurecido.

Como ele se desenvolve aqui? Ele passa pelo cristianismo e no ano de 570, tem o nascimento de um outro personagem que vai ser também determinante para a nossa história, que é Mohamed Ibn Abdala, ou, simplesmente, Maomé.

Maomé nasce em Meca e era um chefe de caravanas. Não era uma pessoa rica, mas era muito inteligente, muito esperto, no bom sentido, íntegro, honesto. Ele presta serviços de transporte como chefe de caravanas para uma viúva muito rica, chamada Cadidja, que era muito mais velha que ele, quinze anos mais velha do que ele. Quando tinha 25 anos ele recebe uma proposta de Cadidja para se casar com ela. Ele se casa e se torna um homem muito próspero. Unindo sua inteligência e os recursos financeiros de sua mulher ele se torna um homem de muita expressão em Meca.

No ano de 610, ele entra em um processo alterado de consciência, um processo xamânico, febril. Isso, numa madrugada, ele tem uma revelação. Aparece, segundo ele, o Arcanjo Gabriel que vem revelar a palavra de Deus. Há de se notar os profetas e anjos do judaísmo são também do islamismo. Ismael, filho de Abraão, é uma figura importante para os muçulmanos. A partir de 610 ele passa a ter a revelação do Alcorão, sendo fundamentada uma nova religião.

É uma religião simples, pois ela não faz distinção entre religião e política. Enfim, é uma religião para homens simples.

Isso tem um apelo popular fundamental. Como um rastilho de pólvora, envolve rapidamente todos esse povo. Quando estabelece essa nova religião, ele sofre uma oposição natural daqueles que detinham o poder político e acaba fugindo para Medina, cidade próxima a Meca. Lá ele acaba arregimentando um exército muito grande, e sob a bandeira verde de Alá, volta e derrota seus opositores em Meca. A partir daí o que se tem é um estado teocrático.

Os árabes realmente têm um poder de envolvimento, de persuasão, de subjugação, muito grande. Eles partem tanto para o oriente como para o ocidente, no sentido de dominar toda essas regiões [apresentando no quadro o mapa contendo a Europa, Ásia e Norte da África]. Eles chegam à Índia.

Como o árabe era um povo bastante simples, eles não eram arrogantes, tinham a flexibilidade, a maleabilidade de absorverem a cultura alheia. Tanto é que quando eles chegam na Índia, eles recebem toda uma informação milenar da cultura indiana e incorporam isso à cultura árabe. Eles fazem transcrições e mais transcrições de compêndios filosóficos, astrológicos, enfim, de todo o conhecimento humano disponível. Eles incorporavam até como sendo conhecimento árabe. Na Índia eles se estabelecem também como imperadores. Tem a dinastia Mogul que alguns autores teosóficos fazem referências de que o segundo imperador de nome Sha Jahan foi uma das reencarnações do Mestre Kuthumi. Jahan é o construtor do Taj Mahal que é uma edificação em homenagem a sua esposa que morreu.

Então, os árabes não devem ser associados a essa pecha que o ocidente hoje tenta lhes impor. A pecha de facínoras. Embora, existiram e existem vertentes ou facções radicais, assim como existem em outras religiões e outras culturas.

Mas o fato é que tanto no oriente desde a Índia, como no ocidente, envolvendo todo o norte da África, os árabes exercem o seu domínio.

Maomé morre no ano de 632 e quem o sucede é seu sogro, não o pai de Cadidja. Cadidja já tinha morrido. É o pai de Aixa, Abu Bakr. Dois anos depois ele morre também. Essa morte de Maomé já promoveu uma ruptura aqui. Ele tinha dois genros. Tinha o Ali, casado com Fátima, e o Omar. O Ali aspirava suceder Maomé, na condução do império, mas ele é preterido. Inicialmente por Abu Bakr e depois por Omar. Ele não consegue convencer de que ele deveria ser o Califa. Califa significa o sucessor de Maomé. Então, Omar que acaba sendo legitimado nessa posição. Aqui tem uma importante ruptura. Omar segue as sunas, que são as palavras do Alcorão, e é daí que vem o termo sunita e do outro lado tem os xiitas que é a vertente de Ali, que seguem a figura do Imã.

Bom, voltando aqui. Nós estamos por volta do ano de 710 e aqui na Espanha, o reino de Toledo é usurpado por um déspota visigodo chamado Rodrigo, que toma o reinado, após uma luta com Áquila, o filho do rei que havia morrido. Áquila se refugia na região do norte da África e pede ajuda ao Califa dominante. Naturalmente os árabes já interessavam em invadir a Europa. O apelo de Áquila foi um pretexto realmente convincente. Esse califa destaca o seu maior general que ele tinha, chamado Abu Tarik, que com 12 mil homens, invade a Península Ibérica, através de uma ilha chamada Gibraltar. Essa ilha tem esse nome em homenagem a esse general. É a junção de Jebal mais Tarik. Jebal em árabe significa montanha. Monte Tarik.

O fato é que os Árabes invadiram e ficaram. Como vimos, os árabes tinham certo grau de tolerância, porque o negócio deles era subjugar, mas não exterminar a cultura. Eles admitiam a prática de outras religiões, desde que pagassem uma taxa, um imposto, que muitas vezes era simbólica, podia-se praticar a religião que quisesse. Eles desprezavam, é verdade. Eles julgavam o islão era o supra-sumo e o resto era o resto, mas não passava disso. Não existia o ódio, capaz de exterminar pela raiz alguém que pensasse diferente deles.

Nós estamos no ano de 711 e a intenção deles não é ficar aqui na Península Ibérica. Eles chegam até a França, em 732, mas são derrotados pelo Carlos Martel.

Os reis francos que dominavam essa região eram da dinastia dos Merovíngios, começando com Clóvis e indo até Carlos Martel. Carlos Martel, encorajado pelo papa, efetua um golpe de estado e acaba com a dinastia merovíngia. Os merovíngios acreditavam ser descendentes diretos de Jesus com Maria Madalena. Maria Madalena, dizem, que depois da morte de Jesus, ela saiu lá do Oriente Médio e viveu seus últimos dias na França. Dizem até que ela levou consigo a cabeça de Jesus, que teria sido confiada a um desses mosteiros que existem aqui no sul da França. Isso é uma coisa que não se sabe. Mas que também tem ligação com a história dos Templários. Essa cabeça também teria sido posteriormente confiada aos Cátaros, que foi uma religião [maniqueísta] que se desenvolveu aqui no sudoeste da França.

Alguém da platéia pergunta se eles conseguem invadir a França.

Resposta - É, eles chegaram até a região de Poitiers em 732, mas de lá foram expulsos por Carlos Martel. Eles são derrotados e ficam confinados nessa região aqui, abaixo da Galícia. A Galícia permanece sob o domínio europeu. Os árabes respeitam essa região do norte e noroeste da Espanha. Essa região sempre foi considerada sagrada, até para os mulçumanos. Santiago de Compostela fica aqui nessa região. Eles não invadem Santiago, eles respeitam.

Então, Carlos Martel funda uma nova dinastia que são os Carolíngeos. O seu filho Carlos Magno, rei, vai empreender toda uma luta contra o Islão aqui na Europa.

Como nós vimos aqui fica o centro do cristianismo ocidental e na Constantinopla o centro do cristianismo oriental. Só que os árabes invadem aqui a Constantinopla posteriormente, por volta do ano de 1.070 a 1.080, ocasião em que prendem o imperador. O imperador seguinte, Aleixo, pede ajuda aos cristãos católicos do ocidente. Nessa época já tinha ocorrido a separação entre os católicos e ortodoxos. Houve uma disputa entre o patriarca de Constantinopla com o papa Leão IX, se não me falha a memória, e um excomungou o outro. O papa Leão IX excomungou o patriarca de Constantinopla e este excomungou todos os latinos, para não deixar barato. Então houve a ruptura das igrejas. A igreja ortodoxa seguiu um caminho e a católica outro, mas eles não se davam, não se toleravam.

Esse imperador Aleixo, ao fazer o apelo ao papa que era Urbano II, pede que o ocidente mande tropas para ajudá-lo na defesa contra a invasão árabe que estava acontecendo naquela região.

Tem um concílio, que é o Concílio de Clermont, onde se discute e se decide pela realização da cruzada.O papa Urbano tinha até uma visão de que essa mobilização pudesse representar algo de bom para a sociedade, principalmente para a nobreza que vivia às turras, pois isso poderia tirar as pessoas daquela letargia, estimular as pessoas a buscarem outros caminhos. Acredito que a intenção dele até que foi honesta, pois ele tinha bons princípios.

A idéia que era fazer uma cruzada com os nobres acaba tendo um apelo muito popular e saiu do controle. A grande massa se alista nessa cruzada. Eles tomam a cruz. É o termo que se usa. Eles confeccionam a cruz em pano e quem quisesse aderir à cruzada pegava essa cruz de pano, incorporando-se ao exército libertador.Isso acaba se constituindo na 1ª Cruzada, em 1.096. Então, sai essa grande multidão, insana, para libertar Jerusalém e a buscar o Santo Graal. Eles não fazem muita distinção entre raças [nunca tinham visto um mulçumano], pois nessa peregrinação eles acabam cometendo absurdos. Eles invadem uma cidade que era habitada por judeus e matam todo mundo. Até porque era legítimo. Era a guerra santa! Santo Agostinho não tinha enaltecido esse apelo? Para a proteção da cruz tudo vale.

A prática da pilhagem era perfeitamente permitida naquela época. Aliás, até hoje, não é? Até hoje o botim de guerra é altamente apreciado.

Até para financiar a campanha, eles matam e pilham esse bairro judeu. Eles posteriormente passam ao largo de Constantinopla e adentram à Anatólia. Aqui tem uma cordilheira, que são os montes Tauro, que são muitos altos, com mais de 3 mil metros de altura.

Aqui, os otomanos... Na realidade são otomanos e não árabes. Eu vou retroagir em termos de data, um pouquinho. No ano de 1.000, aproximadamente, não se sabe de onde exatamente esse povo veio, mas sabe-se que vieram das estepes da Ásia Central. São os Seldjúcidas, os turcos, que são os otomanos. É muito comum fazer confusão entre Árabe e Turco, mas eles não têm nenhuma afinidade étnica. Mas esse povo se radica aqui no ano de 1.000 e adotam a religião mulçumana, intitulando-se como os paladinos das sunas. São Sunitas. Esse povo realmente aqui é belicoso. Mas é de se notar que ainda assim eram pessoas letradas, pois tinham uma cultura diferenciada, para os padrões da época, eram poetas, médicos, astrólogos, mas na ânsia de conquistas eles acabam encontrando esse obstáculo [as cruzadas].

Tem uma cidade de Edessa, que existe ainda, mas com outro nome, é Urfa [na Turquia]. Os cruzados vão, até onde hoje é o Iraque, contornando os montes Tauro e invadem essa cidade, e posteriormente tomam Antioquia. Os cristãos sitiam Antioquia. Eles fazem barbaridades aqui com os muçulmanos. Eles capitulam a cidade e posteriormente seguem e se estabelecem em Jerusalém em 1.099 [a custa da morte de toda a população]. Aí é nomeado o primeiro rei latino de Jerusalém, que é Balduíno I.

Vamos voltar aos mosteiros de Citeaux e Clairvaux. Vimos que temos dois personagens. Estevão Harding e São Bernardo. Acredita-se que eles viam nessa reconquista da Terra Santa, a possibilidade de trazer à luz algumas informações sobre o Templo que foi destruído por ocasião da guerra com os romanos, no ano de 70 dC. Eles travam contatos com rabinos [que viviam na Europa] e pedem que façam transcrições de textos escritos em hebraico para o francês sobre o assunto. Esses rabinos detinham informações históricas sobre o que existia no Templo, pois ele foi construído sobre uma colina, mas por baixo deveriam existir catacumbas, porões, passagens, que poderiam guardar os tesouros dos hebreus, que, quando da diáspora, poderiam ter ficado ocultos.

Isso é fato histórico... O das transcrições. Esses abades detinham esse conhecimento. Ali devia ter alguma coisa a ser revelada.

Voltando um pouco na história, pois é importante ser destacado, no local onde existiam as ruínas do Templo de Herodes, foi construído um outro templo, só que pelos muçulmanos. O Omar, sucessor de Maomé, invade Jerusalém, por volta de 638 e estabelece Jerusalém como domínio muçulmano. Esse Templo, a grande mesquita de al-Aksa, foi construída entre os anos de 691 e 692 dC, assentado sobre as ruínas do Templo judáico. Então aqui é de fato um barril de pólvora. É nesse local que Netanyahu [em 1996] queria construir um túnel, passando por debaixo dessa mesquita, ou em suas proximidades, fato que provocou a ira dos palestinos.

Mas voltando aqui... O fato é que os monges detinham conhecimentos.

Aquele mosteiro de Clairvaux foi construído em terras doadas em 1.090 por um nobre chamado Hugo de Champagne, que fica na região de Champagne na França, portanto ele era íntimo de São Bernardo.

Hugo de Champagne, posteriormente, juntamente com outros cavaleiros daquela região, seus vassalos, seguem, dentro do período do período da 1ª cruzada, à Jerusalém, e lá se estabelecem no ano de 1.118. Portanto, dezenove anos depois da tomada de Jerusalém. O rei de Jerusalém já é Balduíno II, primo de Balduíno I que já havia morrido.

Então, nós temos entre esse grupo, um cavaleiro, vassalo e parente de Hugo de Champagne, chamado Hugo de Payns, que funda a Ordem do Templo, com mais 8 cavaleiros.

Agora, é estranha a fundação dessa Ordem, porque eles ficam durante nove anos nessa região e a Ordem não cresce. Ela fica confinada aos nove membros. A Ordem tem esse nome porque eles se estabelecem ao lado do Templo. Balduíno II destina aquele espaço que são as ruínas do Templo, para que eles armem suas tendas. Eles passam a ser chamados de Pobres Cavaleiros de Jesus Cristo e do Templo do Rei Salomão, ou simplesmente Ordem dos Templários.

Eu acredito que eles devem ter promovido escavações nessa região e descoberto alguma coisa muito interessante. Outros afirmam que eles tiveram contatos com os essênios e absorvido informações e conhecimentos ocultos que os essênios preservaram.

Alguém pergunta sobre qual teria sido a última informação sobre a Arca da Aliança.

Resposta - A Arca da Aliança foi depositada no Templo construído por Salomão. Nós tivemos a destruição do Templo por Nabucodonosor e aí, pelas escrituras, não se fala mais nada. Eu creio que a Arca não estaria depositada em local de fácil acesso.

Pergunta - Mas eu já ouvi falar que nessa cruzada eles encontraram a Arca da Aliança... Não é?

Resposta - É, assim como se afirma que eles encontraram a cabeça de Jesus, mantida oculta e utilizada nas práticas internas de iniciação. Mas, historicamente, não se consegue chegar a essa conclusão. Alguma coisa eles encontraram!

Nove anos depois, eles voltam à Europa e São Bernardo... Vocês vejam como tudo indica que foi um caso planejado. Não foi um caso fortuito. A motivação pela criação da Ordem que se diz era a de proteger o caminho dos peregrinos europeus que levava a Jerusalém. Mas isso não faz muito sentido. Acredito que eles foram com um objetivo claramente definido. O que encontrar, não se sabe, mas era uma coisa definida.

O fato é que os Templários, a partir daí, se tornam um poder muito grande dentro da Igreja e nas cruzadas.

Foram oito cruzadas e eles praticamente participaram de todas.

Felizmente não participaram da 4ª cruzada, porque essa foi um desastre. Foi uma cruzada criada para a ocupação da Terra Santa, mas ela se desviou. Ela foi financiada por um doge veneziano, chamado... Até o nome é muito sugestivo. Enrico Dandolo. Rico, danoso e doloso... Ele promove essa cruzada no sentido de antes de ir a Jerusalém, invadir Constantinopla, por motivos de vingança. Como os navios eram dele, ele de fato consegue pilhar Constantinopla. Parte da cristandade se prestava, inclusive, a essas guerras de vingança.

Realmente a Ordem dos Templários se estabelecem como uma estrutura forte, de obediência direta ao papa. Era uma estrutura independente e tinha a seguinte configuração. Tinha o grão-mestre; no segundo nível os comendadores; tinha uma classe dos Cavaleiros e outra de Clérigos, com bispos, sacerdotes, diáconos e duas classes de servidores. Servidores militares, constituídos por sargentos e soldados, e servidores de ofício, os artífices e pessoal de apoio. Eles dão nomes latinos, frater servientes armigeri e frater servientis e offici. A classe dos cavaleiros era constituída por nobres, os clérigos também e era essa estrutura que existia.

Todos os integrantes faziam três votos. Votos de obediência ao grão-mestre e ao Papa, voto de castidade e voto de pobreza.

Esses são os Templários. Envolve todo esse universo de integrantes. Não são somente os cavaleiros. Os cavaleiros é o que há de mais visível na Ordem e o mais importante, pois tudo girava em torno dos cavaleiros.

Estes três votos fizeram com que essa estrutura se tornasse monolítica, pois eles não deviam satisfação a mais ninguém que não fossem ao grão-mestre e ao papa. Foram estabelecidos regras e capítulos internos que tratavam de assuntos que só diziam respeito a eles. Por isso que dizem que existia uma escola de iniciação interna. Isso não se sabe. Alguma coisa eles sabiam, porque eles levam para a Europa um conhecimento esotérico muito importante. A construção das catedrais góticas, repletas de simbolismo esotérico, foi coisa dos Templários.

Essa Ordem acaba se tornando muito poderosa até pelas sucessivas tomadas de várias cidades e pilhagens dos bens dos conquistados. Foram muitas as cruzadas. Os mulçumanos contra-atacavam. Jerusalém e as demais cidades caíram nas mãos dos cristãos e dos mulçumanos, várias vezes.

Além disso, os Templários eram financiados com recursos obtidos para a realização das cruzadas.

A segunda cruzada, inclusive, é importante porque surge uma figura de alta expressão para o mundo árabe que permanece no imaginário árabe até hoje. Nasce em Tikrit, de família curda, Salah ed-Din, para os latinos, Saladino.

Saladino consegue arregimentar todo o mundo árabe, inclusive unir sunitas e xiitas na luta contra os cristãos. Ele estabelece o domínio em Jerusalém. Ele vai ser só derrotado e não é totalmente derrotado, por Ricardo Coração de Leão, que sai da Inglaterra, para lutar na 3ª Cruzada. Mas ainda assim, Jerusalém continua sob domínio muçulmano.

Saladino era magnânimo. Apesar de toda a postura militarista ele, realmente, era considerado magnânimo. Até pelos latinos que fazem referências históricas dessas características de Saladino. Assim como Ricardo Coração de Leão também.

Agora, que os  dois eram militares e matavam, sem dúvida que o faziam. Ricardo Coração de Leão se estabelece numa cidade praiana chamada São João do Acre, que anteriormente estava sob domínio árabe, e faz imposições a Saladino para que liberte prisioneiros cristãos. Ele estabelece até um valor a ser pago pela vida dos habitantes árabes detidos em São João do Acre. A moeda era, até um fato curioso, era Besant. Saladino na sua prática de procrastinação, para ganhar tempo, faz com que Ricardo Coração de Leão determine aos seus soldados ingleses a execução de 2.700 prisioneiros, entre mulheres, crianças, velhos. As pessoas naquela época eram muito duras, mas esses dois se destacaram entre a maioria, porque eram mais magnânimos dos que os demais.

Os dois acabam fazendo um pacto, que permanece durante muitos anos. Esse pacto consiste na permissão para que cristãos peregrinos adentrem a Jerusalém e até a fazerem a prática do cristianismo, restabelecendo as igrejas. Foi um período de certa forma harmonioso entre os dois lados.

Os Templários exerciam um papel de vanguarda nessas contendas militares. Eles eram muito determinados, até por fé mesmo, pois muitos morriam. Não eram motivados pelo desejo de domínio, de acúmulo de bens materiais. É como os terroristas árabes de hoje que dão suas vidas pela causa. Não podemos duvidar da fé que é sincera. Errônea, mas é sincera. Eles se atiravam de corpo e alma nessas guerras. Muitos dos Grão-Mestres Templários morreram. Dos vinte e três Grão-Mestres, seis morreram em luta ou nas prisões. Mais da quarta parte.

Como contrapartida de todo esse processo, eles realmente conseguiram amealhar uma fortuna imensa. Eles se tornaram poderosíssimos, inclusive como financistas. Eles emprestavam dinheiro a muitos, inclusive afirma-se que existiram até alianças com muçulmanos. A divisão dos muçulmanos entre sunitas e xiitas, fez com que os confrontos fossem mais intensos com os sunitas, que era o poder dominante dentro do islã e como os xiitas se opunham aos sunitas, acordos de cooperação com os cruzados não eram incomuns.

Por exemplo, na região de Damasco, surge uma seita xiita chamada Ordem Secreta dos Assassinos, no ano de 1.080, que fez acordos com os cruzados. Esse nome foi dado pelos cruzados porque eles tinham por hábito antes das lutas, fazerem uso de haxixe, como estimulante. E como matavam sem piedade o nome assassino ficou com essa conotação que conhecemos hoje.

Eu não falei aqui de uma Ordem que foi criada antes dos Templários que foi a Ordem dos Hospitalários, antes ainda da 1ª Cruzada, pelos mercadores de Amalfi. Amalfi era uma cidade que existia e existe até hoje, perto de Salerno e de Nápoles. Esses mercadores faziam um intenso comércio com a região do Oriente Médio e eles têm a permissão dos muçulmanos para se estabelecerem em Jerusalém através dessa Ordem, mas não tinha naturalmente finalidade militar. Era uma Ordem que visava a atender aos peregrinos doentes. Era um Hospital. Essa Ordem posteriormente se transforma em militar, depois do início da 1a Cruzada.

Pergunta: Num deslocamento de tropas desse porte envolvia quantos homens? Milhares de homens?

Resposta: Eram muitos [dezenas de milhares]. Variavam, dependendo de cada Cruzada. Mas só para você ter uma idéia. Durante o período da 4ª Cruzada, aquela desastrosa, foi organizada a Cruzada das Crianças, isso em 1.212. Eles reuniram 7 mil crianças; jovens, adolescentes. Saíram de Marselha. Essas crianças não chegaram na Terra Santa. Os navios foram desviados e os jovens foram vendidos como escravos no norte da África.

Nesta transparência podemos ver que foram muitos os castelos dos Templários, tanto no Oriente Médio como aqui na Europa. O domínio aqui no Oriente Médio tinha que ser desta forma mesmo, porque eles viviam em contendas, em guerras. Eram fortificações e praticamente eles viviam intramuros. Na Europa, onde os ares eram mais favoráveis, eles se estabeleceram em toda essa região, principalmente aqui onde surgiu como Ordem [na França].

Quem estabelece os códigos, que vem a ser o regimento disciplinar, o estatuto dos Templários, é São Bernardo de Clairvaux, até para ratificar aquela idéia de que foi uma coisa planejada, arquitetada. É ele quem trabalha junto ao Papa para legitimar como uma Ordem estabelecida.

Os Templários participam de concílios, como o de Latrão, de Lion. Eles tinham assento. E tinham poder de decisão.

Eles detêm domínio, não só sobre recursos materiais como em espécie. Os cofres dos Templários eram realmente abastados e por isso eram acusados de serem egoístas. Eles não eram avaros. Eles tinham obras assistenciais, de ajuda aos pobres também.

É interessante notar que muito dos instrumentos que nós utilizamos no meio financeiro são criações dos Templários. Eram comuns as viagens serem feitas em condições adversas. Imaginem, uma pessoa que ia mudar de uma região para outra e tinha que levar o seu dinheiro. Era altamente perigoso. O perigo espreitava a cada curva. Então o que se fazia? Pegava-se o dinheiro e o depositava junto aos Templários que davam, em troca, um papel contendo o valor expresso, não transferível, para ser descontado no local de destino. Isso é o cheque, a letra de câmbio. O cheque de viagem já existia naquela época.

Alguém pergunta sobre a busca do Graal e se os Templários encontraram o Graal?

Resposta: Vamos falar do Graal como o cálice físico, o cálice sagrado. Essa busca por alguma coisa existente no Templo, suscitava esse imaginário. O que eles foram buscar realmente lá? O Graal...  A Arca da Aliança...  Alguma coisa que estava oculta e que tinha uma representatividade para a Igreja. Agora, se nós interpretarmos o Graal como sendo o ideal de libertação, cabe também essa alusão. Mas o Graal efetivo, nunca foi encontrado. Se foi, está muito bem escondido.

E a Arca da Aliança também !!! Também. Dizem que está na Etiópia, dentro de uma Igreja. Mas ninguém pode lá entrar. Não é permitido.

Tem muita história dos Templários para contar, mas quis ficar mais no que motivou a formação do movimento. Então vamos avançar um pouco aqui, para chegarmos no final das Cruzadas e ver como essa Ordem foi dissolvida e o que essa dissolução representou para nós brasileiros.

O fato da Ordem dos Templários ter prosperado financeiramente é o que determinou a sua queda.

A França, na época dos fins das cruzadas estava dominada pela dinastia capetíngia.

A 7ª Cruzada foi promovida por Luiz IX, que é o São Luiz. O neto de São Luiz, Filipe IV, o Belo, tinha empreendido uma seqüência de guerras contra a Inglaterra e estava deveras endividado. Estava quebrado. O reino como um todo. Além do que ele devia ser um mal administrador, porque ele começa a aumentar os impostos de tal forma que a população revoltada faz com que ele se refugie no Templo de Paris.

Mas, o que acontece, Filipe viu que pelas vias dos impostos não era mais possível dar sustentação às demandas de seu governo e resolve se voltar primeiro contra os lombardos. Os lombardos eram banqueiros, oriundos da Lombardia, na Itália, que detinham o poder econômico na França. Ele confisca os bens dos Lombardos e os expulsa. Mas esse confisco não teve resultados, pois ele devia muito para os Lombardos. Quando muito ele conseguiu com que sua dívidas fossem quitadas.

Em seguida ele se volta contra os judeus, confiscando os seus bens e os expulsando da França, o que também não resolve a situação financeira.

Depois ele se volta contra os Templários, que a essa altura já estavam enfraquecidos. Com o final das cruzadas no ano de 1.290 e a conseqüente expulsão de todos europeus da Terra Santa, os Templários transferiram sua sede de São João do Acre para a ilha de Chipre, mas eles não tinham mais aquela presença militar relevante. Isso abalou a posição e o prestígio dos Templários.

O Papa que então era Clemente V, um papa francês que devia sua posição ao rei Filipe, pois o Papa anterior Bonifácio fora praticamente deposto e morto pelo rei. O papado tinha sido transferido para a França em Avignon e Clemente era de fato seu aliado e subserviente.

O rei Filipe, já havia proposto a fusão dos Templários com a Ordem dos Hospitalários, o que foi rejeitado por Jacques de Molay, então o Grão-Mestre do Templo. Jacques de Molay era muito determinado, fiel ao Papa e defensor da Ordem, porém era igualmente inflexível, teimoso. Não negociava. É de se notar que os cavaleiros, de forma geral, eram iletrados. Jacques de Molay, por exemplo, era analfabeto. Coisa que era comum naquela época. 

Foram feitas acusações contra os Templários, através de um ex-cavaleiro, chamado Esquieu de Floyran, que estava particularmente interessado na desmoralização da Ordem. Na Maçonaria, até hoje, existe um rito em que esse traidor é execrado, assim como Jacques de Molay é enaltecido.

Essas acusações eram graves e consistiam entre outras coisas a prática de sodomia, de homossexualismo, adoração ao diabo, práticas de cultos hereges a uma misteriosa cabeça, a cabeça de baphomet. Nas práticas de iniciação os participantes eram obrigados a cuspirem na imagem de Cristo e a pisarem na cruz.

Todas essas práticas, segundo ele, foram introduzidas por um Grão-Mestre, que esteve sob prisão dos mulçumanos e que teria feito por promessa que foi a condição para sua libertação. Mas que não faz sentido. Se ele foi libertado porque haveria de cumprir a promessa.

A prática de homossexualismo poderia até ter algum fundamento, mas não de forma institucionalizada. Poderiam ter ocorrido casos isolados, como ocorrem hoje nos meios de agrupamentos eclesiásticos. Mas não se justificaria, pois existia um rígido código entre os integrantes da Ordem, onde um vigiava o outro. Quanto à cabeça, há quem afirme que era a cabeça embalsamada de Jesus que fora encontrada em Jerusalém ou obtida através dos Cátaros ou mesmo, ainda, uma cabeça andróide que fora dada de presente pela Ordem dos Assassinos. Essa cabeça era um mecanismo que respondia a perguntas formuladas. O rei da Sicília, Frederico II, que era ocultista, teria tido também uma dessas. Porém tudo isso são especulações e lendas.

Poderia haver sim um ídolo reverenciado pelos Templários em seus rituais, mas não diabólico. Talvez uma relíquia.

Lembremos que a maçonaria, influenciada pelo universo templário, também foi acusada por muito tempo de cultuar o mesmo Baphomet e de ter pacto com o demônio.

De qualquer forma, Jacques de Molay é convocado a ir de Chipre a França e quando ele chega em Paris é preso, em 1.307. Imediatamente, sob influência do rei, o papa determina que sejam cumprida por todos os reis de todo o mundo cristão a ordem de prisão de todos os Templários, o que de fato é seguido, inclusive em Portugal e Inglaterra.

Foram abertos dois processos contra a Ordem. Um dirigido pelo rei contra os presos, o outro conduzido pelo papa.

Foram realizadas torturas brutais e as confissões arrancadas à força [Na França]. Essas confissões foram utilizadas como peças de acusação.

Jacques de Molay confessou todas as práticas, exceto a de homossexualismo. Mas Jacques de Molay era pouco fluente, não era articulado e sozinho resolve fazer sua defesa, o que é um desastre. Porém fica evidente de que as confissões foram obtidas a ferro e começa a se esboçar algum tipo defesa, pois aqueles que investigam os autos, verificam que as confissões não são unânimes.

O rei Filipe, diante da possibilidade de uma derrota, autoriza, sem qualquer julgamento, a execução na fogueira de quarenta templários, o que faz com que aqueles que insistem na não confissão mudem de idéia.

Surge um Templário da classe dos clérigos, Pedro de Bolonha, que também estava detido, que decide articular um processo de defesa consistente. Ele era esclarecido e de fato conseguiria reverter o processo, mas ele misteriosamente desaparece.

A condenação da Ordem realmente se realiza, com o confisco de todos os bens dos Templários, a sua extinção em 1.313 e a execução na fogueira de Jacques de Molay, no ano de 1.314.

Porém, o rei pouco se beneficiou dos pertences dos Templários, pois muito foi transferido para a Ordem do Hospital, parte dos bens foi para a Igreja e foi constatado que não havia muito que confiscar em termos de dinheiro ou tesouros.

Os Templários se refugiaram maciçamente em três reinos, onde foram tratados com condescendência. Inglaterra, Escócia e principalmente Portugal. Em todos os países eles são posteriormente considerados inocentes.

O rei Dom Diniz, não aceita as acusações e estimula os Templários a se fixarem em Portugal e com os recursos da extinta Ordem ele cria em 1.318 a Ordem de Cristo, que vem a ser de certo modo a sucessora do Templo. E a partir daí é que se começa a cumprir o grande legado.

É nessa época que começam a ser plantadas as primeiras árvores que serão abatidas e utilizadas, depois de cem anos, na construção das naus e caravelas. A partir daí é fomentado um plano de estímulo às navegações.

Os Templários detinham, em paralelo ao conhecimento esotérico, muitas informações preciosas. Eles conheciam o astrolábio e a bússola, com as tábuas de declinação magnética, pois eram exímios navegadores. O pólo magnético não é o pólo norte, mas sim existem declinações que são fundamentais para quem navega.

O que se verifica é que, no plano oculto, existiu todo um planejamento traçado para que, com esses acontecimentos, viesse a ser descoberto um novo mundo, sendo que o Brasil tem um papel preponderante em todo esse processo.

É certo que a saga dos Templários, desde sua fundação em Terras Santas até o seu estabelecimento em Portugal, não tenha sido produto de um plano traçado de forma consciente pelos participantes de todo esse processo, mas, ao meu ver, é certo também que nos planos superiores da espiritualidade algo foi estabelecido. E Portugal foi a nação escolhida. E por que?

Por várias razões. Portugal era um país já com uma vocação marítima. Tinha um povo receptivo, onde já havia promovido uma miscigenação com os mouros, criando, portanto, as raízes necessárias para a formação de uma nação multirracial, além do que era um país de certa forma jovem e não tinha grandes opções de expansão, a não ser para o mar.

Nos dois séculos seguintes, a pequena Portugal se torna a principal potência marítima, com tantas conquistas e descobrimentos importantes, que determinaram a virada das páginas da história.

E por que a glória da descoberta das terras novas aqui na América não foi de Portugal?

Vejam que coisas estranhas! Por que Colombo oferece seus serviços à coroa Espanhola [inimiga de Portugal] e não a Portugal que estava mais prepara para empreender essa viagem? Por que Colombo se ofereceu à coroa espanhola, quando seu sogro [Bartolomeu Perestrello] foi membro da Ordem de Cristo? Por que ele navega sob a cruz templária estampada nas velas de Santa Maria, Pinta e Niña, se essa cruz tinha sido incorporada à Ordem de Cristo? Por que Colombo na sua viagem de regresso, após a descoberta das terras novas, faz escala em Portugal antes de se dirigir à Espanha? E não foi preso?

Tudo leva a crer que Colombo estava a serviço de Portugal, com a firme determinação de que induzisse a coroa Espanhola a tomar posse das terras localizadas ao Hemisfério Norte. Por que não tudo para Portugal? Porque Portugal tinha acabado de sair de uma guerra contra a Espanha e isso poderia reacender as desavenças.

O fato é que as terras ao sul, especialmente o Brasil foram destinadas a Portugal, para que aqui florescesse uma nova nação.

Então, o que vemos nesses quatro mil anos é uma história de segregacionismo e guerras sem fim, de intolerância racial, religiosa, que permanece até os nossos dias, porém todo processo de mudança é gradual e sempre quando um ciclo se fecha outro já vem sendo preparado e acredito que esse novo ciclo tem origem aqui, no Brasil.

A mensagem que eu quero deixar aqui é uma mensagem de esperança e de grande compromisso que todos nós temos pelo nosso Brasil. Isso aqui não foi descoberto ao acaso. Isso aqui tem um destino nobre a cumprir, um destino para toda humanidade. O Brasil foi inventado.

Porque não há no mundo uma nação com as características do Brasil. Fala-se muito de que os Estados Unidos são também multirraciais, mas quem os conhece sabe que lá existem muitas raças, muitas etnias, mas pouca tolerância. Muitos vivem em seus guetos, quanto muito se misturam entre alemães, ingleses, irlandeses, nórdicos. Os demais são mais ou menos discriminados.

Agora, o Brasil! Tudo pode. Aqui é um cadinho de raças. É comum numa mesma família haver membros de várias etnias, religiões e crenças e isso denota uma característica muito peculiar e necessária à formação da gente do novo milênio, da nova civilização. O Brasil é marcado pela tolerância. Pela comunhão. Pelo sentimento de unicidade. É isso que encontramos aqui.

É claro que temos problemas sérios e todos originários dessa própria tolerância, que é a permissividade, pois se tudo pode, tudo se aceita.

Mas haverá o dia em isso será canalizado positivamente, quando todos perceberem a força do que essa faculdade pode realizar e aí ninguém segura.

Um país que tem a extensão territorial que o Brasil tem, uma só língua falada em todos os rincões, entendível a todos, água em abundância, sol o ano inteiro, e seu povo maravilhoso, não pode estar fadado ao fracasso, como tantos de nós acreditam.

Chegará o momento em que isso fará a diferença e nós passaremos a ser a referência para a humanidade, a ser a própria humanidade, pois o Graal é aqui.

Última atualização ( Seg, 22 de Setembro de 2008 13:28 )