| Os Sete Princípios de Hermes |
| Dom, 07 de Setembro de 2008 14:34 | |
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Palestra proferida por Antonio Carlos Jorge em 30 de abril de 2004 É um prazer estar falando novamente em nossa casa. Esta exposição tem por objetivo fazer um paralelo que existe entre esses princípios com a doutrina teosófica para aqueles que estudam teosofia e, para aqueles que estão aqui pela primeira vez e que não conhecem a teosofia e nem Hermes na sua profundidade, é uma oportunidade de estarmos apreciando essa matéria que tanto nos seduz. Antes de falarmos propriamente dos princípios, seria bom nós fazermos uma contextualização histórica e geográfica, porque muito do que se atribui a Hermes na realidade não é Hermes. O que se atribui a Hermes é a obra de uma pessoa que teria vivido no Egito, de nome Toth, que é reverenciado como uma divindade. Então vamos fazer apenas um desenho aqui do que vem a ser o Egito, para compreendermos onde isso se localizou. Aqui nós temos a Itália, o mar Adriático, aqui a Grécia, com todas as sua ilhas, a Ásia Menor e aqui o nosso Egito, o Mar Vermelho, o chifre da África e o Nilo, que deságua no delta, no Mediterrâneo. Há 2.000 anos antes de Cristo, mais ou menos, é o que se imagina, na cidade de Tebas, que era o centro administrativo do Egito, teve o aparecimento desse grande homem, que revolucionou a forma de pensamento, sendo atribuído a ele a invenção da astrologia, a descoberta da alquimia, a fundamentação de todas as ciências incluindo as ocultas. É atribuída também a Toth a criação dos hieróglifos, cujo significado ficou perdido durante muito tempo. Ele foi o grande hierofante que teria dado início a todas as escolas de iniciação que afloraram no Egito, como a de Tebas, que é hoje Luxor, onde estão as ruínas de Karnac. A Rosa-Cruz afirma que Toth teria vivido na 18ª dinastia, tendo sido hierofante de Amenófis IV, que mudou seu nome para Akhenaton e que fundou o que vem a ser considerada a primeira religião monoteísta, numa cidade que ele construiu próxima aqui de Tebas, a uns 320 quilômetros, dando o nome de Amarna. Amenófis IV, faraó, viveu por volta de 1.300 aC. Existe controvérsia com relação à data que Toth teria vivido. Pode ser que ele tenha vivido também nessa época, não se sabe. Passados alguns séculos, surge na Grécia o desenvolvimento do pensamento helênico, que nos legou os valores da civilização ocidental. Muitos historiadores atribuem à Grécia o celeiro desse pensamento, mas se nós formos ver com atenção, os gregos vão buscar todo esse conhecimento do próprio Egito. Esse período começa aproximadamente no ano de 600 aC, com Tales de Mileto, que foi o primeiro grande filósofo conhecido, assim como Anaximandro, Heráclito, Pitágoras e todos aqueles que são considerados os filósofos pré-socráticos. Estudando as obras desses filófosos veremos que elas são baseadas nesses princípios que iremos ver aqui. Por que? Porque eles eram iniciados nessas escolas de mistérios no Egito. Na biografia de Pitágoras, por exemplo, nós sabemos que ele foi iniciado ainda jovem na escola de mistérios de Tebas. Depois ele andou pela Ásia, indo até a Índia. A sua forma de pensar foi profundamente estruturada pelo hermetismo. Platão, depois da morte de Sócrates, também foi iniciado nessas escolas. Heráclito de Éfeso tinha uma frase muito interessante que é uma alusão a um dos princípios que iremos ver. Ele falava que "Nada existe de permanente, a não ser a mudança". Esse conceito da impermanência, da mutabilidade, é um conceito presente em outras civilizações e culturas. O próprio budismo se alicerça nesse princípio da mudança constante. No panteão grego nós temos entre os vários deuses, um deus chamado Hermes, filho de Zeus com Maya. É interessante vermos que Maya é um nome que aparece em outras culturas, sendo mãe de Sidharta, assim como Maria mãe de Jesus. Maya e Maria têm um radical comum que é Mare, mar, água, sendo a fonte da vida. Segundo a mitologia grega, Hermes, ainda na primeira noite após o seu nascimento, se desvencilha de sua fraldas, sai da caverna onde teria nascido e rouba o gado pertencente a Apolo, escondendo-o. Mas em seguida é descoberto e levado à presença de Zeus, onde Apolo exige reparações. Na presença de Zeus e Apolo, Hermes os encanta com toda a sua sabedoria, fazendo com que Zeus o declare como um novo integrante do Olimpo. Então, Hermes, para a cultura grega, já era considerado como um deus muito popular, ligado à sabedoria, à música, à ciência. Quando os gregos tomam contato com a cultura egípcia e conhecem os atributos de Toth, logo fazem um paralelo com o seu Hermes, por isso que toda a obra de Toth é atribuída a Hermes. Mas não ao Hermes mitológico. Para diferenciar do Hermes mitológico é agregada a palavra Trismegistos, que significa três vezes grande. A Grécia, depois, passa por transformações, surgindo Sócrates, Platão, Aristóteles, que é um período intermediário do pensamento grego, a chamada fase clássica, e depois da morte de Aristóteles, tem a influência política de Roma, onde os romanos absorvem todos esses valores do legado grego e acabam dando outros nomes aos deuses. Hermes passa a ser Mercúrio. Nós temos aqui uma transparência que contém algumas imagens de Toth que é representado com corpo de homem e cabeça de íbis, gravada em inúmeros monumentos, templos, tumbas, colunas. Aqui temos a figura de Hermes, helenizada e essa outra é de Mercúrio. Mas vemos que sempre eles têm os mesmos atributos. Estão segurando o caduceu, aqui a cruz ansata que é um símbolo da Sociedade Teosófica, aquele símbolo que está no centro da Estrela, que tem um significado esotérico profundo. O próprio caduceu tem um significado muito importante, mas esse símbolo acabou sendo desvirtuado pela civilização ocidental. Etimologicamente, a palavra mercúrio vem de mercer, que significa mercantilizar, comercializar, por isso que ele é associado ao comércio e é apropriado por diferentes profissões, como os médicos e contabilistas. Mas o caduceu não é essa visão aparente. Ele tem uma representatividade muito profunda, mas não cabe a nós estarmos detalhando agora. Esse conhecimento hermético ficou muito tempo obscurecido, porque não se sabia o que aqueles hieróglifos diziam. Alguns escritos árabes, depois da invasão na Europa, chegaram ao conhecimento de alguns estudiosos, como, por exemplo, a Tábua Esmeraldina, tendo sido revelada através de uma transcrição da escrita egípcia para o árabe e do árabe para o latim e foi assim que nos chegaram esses rudimentos. A grande revelação desse conhecimento se deu depois da invasão napoleônica no Egito, isso no final do século XVIII [virada do século]. Foi descoberta uma pedra que tinha um mesmo texto escrito em grego e em hieróglifos. A chamada pedra de Roseta, que foi levada posteriormente para Paris e um estudioso da língua grega, chamado Champolion, fez a transcrição que conseguiu decodificar os significados dos hieróglifos, permitindo a partir daí se desvendar um conhecimento muito profundo. É atribuída a Hermes a autoria de uma grande quantidade de livros, aproximadamente duas mil obras, mas não conhecidas, talvez porque muitos desses livros se perderam. Clemente de Alexandria, contemporâneo dos integrantes da Escola Neo-Platônica, isso por volta de 200 dC, atribui 56 livros a Hermes; livros de medicina, filosofia e ciências das mais variadas. Os sete princípios que nós iremos ver aqui se baseiam numa obra chamada "O Caibalion". A palavra Caibalion é composta por duas palavras: Cabala mais Ion; Cabala indica a tradição e Ion, ente superior manifestando-se. Então, é a manifestação de um preceito, de uma tradição superior. Antes de falarmos dos sete princípios, vamos colocar aqui no quadro, quais são eles. O primeiro é o Mentalismo, o segundo Correspondência, o terceiro Vibração, o quarto Polaridade, o quinto Ritmo, sexto Causalidade e o sétimo do Gênero. Cada um deles tem um axioma, que está contido no Caibalion, que não discorre muito sobre esses princípios. Esse livro que estamos nos baseando foi escrito pelos Três Iniciados, que não se sabe quem são. O que nós vamos fazer aqui é seguir o que está contido nesse livro. Vamos ver que existe um paralelismo muito grande com o que estudamos em Teosofia, porque se trata da mesma fonte de conhecimento. O primeiro princípio diz que "O Todo é mente. O Universo é mental". O que é o Todo? Nós poderíamos dizer que é o espírito. Mas o que é espírito? Não temos condição de defini-lo. O Todo também não é o Universo, porque sabemos que o Universo está em constante mutação, em transformação; além de dar idéia de limitação. O Todo não pode ser mudado e o Universo está contido no Todo. O Todo não pode ser separado se não ele não é o Todo; então o Universo é o nada? Isso é meio irracional, pois o Universo existe; nós estamos aqui. Não faz muito nexo essa criação ter sido feita pelo Todo. Ele vai criar o quê? O Todo vai criar para não ficar sozinho? É meio pueril esse tido de argumento, mas é necessário para que possamos fazer um exercício do que vem a ser o Todo ou pelo menos o que a gente pode imaginar o que Ele vem a ser. O Todo criou algo para não ficar sozinho? Para ser reconhecido? Para se reconhecer? Isso não faz sentido, porque se Ele já é o Todo, Ele já se reconhece, tudo já está contido Nele. Para fazermos qualquer tentativa de explicarmos esse princípio, nós temos que buscar aquilo que nós conhecemos, fazendo um paralelo com o homem. Como o homem cria as coisas? Ele cria através de elementos que vai buscar em seu meio onde vive e os transforma; essa é uma concepção para criação. Mas essa concepção para a Criação do Todo não faz sentido, pois o Todo não pode tirar nada que esteja fora Dele. Essa linha de criação humana não vale. Outro exemplo de criação humana é a concepção de um filho, mas para conceber um filho precisa-se de uma parceira ou de um parceiro; vai buscar fora. Também esse tido de criação não vale para o Todo. O único tipo de criação possível para o ser humano, que não depende de elementos externos é a criação mental. O homem pode fazer uma criação mental! E aí tem uma extensão desse primeiro axioma que diz "Enquanto o Tudo está no Todo, é também verdade que o Todo está em Tudo". Legal não é? Por isso que a palavra hermética tem esse significado: selado, fechado, confinado, mas se formos procurar no "Aurélio" a palavra hermenêutica, ela tem por significado o ato de interpretação das palavras. Então é meio paradoxal. Ao mesmo tempo em que está lacrado, fechado, ela também revela, desde que a pessoa tenha olhos para ver. Então diz, que "Enquanto o Tudo está no Todo, é também verdade que o Todo está em Tudo". Vamos fazer um exercício aqui. A Rose resolveu escrever um livro. Ela elabora o roteiro, as situações e cria lá seus três personagens: João, Maria e José. Aí a Rose resolve adaptar esse livro para ser apresentado em uma peça teatral. Quando nós vemos lá que o todo está em tudo e o tudo está no todo, seguindo esse exemplo, começamos a visualizar o que ele está querendo dizer com isso. Ela criou mentalmente, materializou em uma unidade e podemos dizer que o João é parte da Rose, pois é sua criação. O tudo [João, Maria e José] está no todo, mas não individualmente. O João não pode falar "Eu sou a Rose", mas sim "Eu sou parte da Rose", parte do que a Rose pensa. Então para nós chegarmos, pelo método racional, à conclusão do que ele quer dizer com esse axioma é isso. Existiu um filósofo holandês que viveu no século XVI chamado Spinoza, filho de pais portugueses, judeus. Benedito Spinoza. Ele foi muito perseguido por defender essa teoria, que está contida em um livro chamado "Ética". Ele foi tido com ateu. Então, essas coisas sempre se pensaram. O próprio budismo, assim como a teosofia, também se alicerçam nesse pensamento, que é a concepção da criação. Bom, vamos passar ao axioma seguinte que diz: "O que está em cima é como o que está embaixo e o que está embaixo é como o que está em cima". O hermetismo divide os planos de existência em três. Essa divisão é um tanto que arbitrária, pois quando falamos em planos dá-se idéia de dimensão, ou seja, largura e altura para duas dimensões e profundidade para a terceira dimensão. Então, não é a terminologia mais adequada, mas não existe outra. Poderíamos falar que são camadas como uma cebola, uma camada dentro da outra, mas ainda assim essa idéia estaria submetida ao conceito de planos. Na realidade uma coisa interpenetra à outra. Então, são três os planos: físico, mental e espiritual, sendo que cada um desses planos é por sua vez dividido em sete subplanos. Para o plano espiritual não são ditas muitas coisas, a não ser que está relacionado aos adeptos e seres muito elevados. Não fala de monádico e nem atmico, como na Teosofia. O plano físico vai desde a matéria sólida, líquida e gasosa, atômica, subatômica, chegando até ao nível de energia, calor, magnetismo, forças de atração molecular e a gravitacional. O plano mental consiste no mundo de formas pensamento, envolvendo os elementos mineral, vegetal, animal e hominal. É apresentado, ainda, um processo que consiste na infusão e na efusão, ou seja, uma involução e uma evolução. O processo de involução vai desde o plano mais elevado até o ponto axial da materialidade. Essa é a imagem do mergulho na matéria, o anjo caído. Em teosofia nós temos as essências monádicas se materializando em reinos mineral, vegetal, animal e hominal, até atingir o estágio de individualização, ou seja, a volta ao seio do Senhor, que todas as religiões falam. O homem se fazendo deus. Aquela visão anterior que tivemos em o Todo em Tudo é o Tudo voltando ao Todo, mas na mais perfeita expressão. Pergunta: Essa subida ensejaria um novo processo de volta para a matéria? [alusão à reencarnação]. Resposta: Não é a volta para a matéria, mas sim volta à fonte da criação. É a ressureição, dita pelo catolicismo, que não está errada na sua colocação. Não são conflitantes os conceitos de ressureição com da reencarnação. A reencarnação compreende o processo de sucessivas vidas na matéria e a ressureição é a saída definitiva desse processo. O terceiro princípio diz: "Nada está parado. Tudo move. Tudo vibra". O que ele quer dizer com isso? É o estado da impermanência. Não existe nada que seja permanente. Por exemplo, se nós pegarmos essa bandejinha aqui na mesa. Ela é de metal, lisa, dura, não flexível. Mas se nós formos analisar do que ela é feita vamos verificar que sua estrutura é atômica. O átomo, na sua forma mais simples, apresenta-se com um núcleo, composto por um nêutron e um próton, de carga elétrica positiva e um elétron de carga elétrica negativa, que circunda o núcleo, que é a molécula de hidrogênio. Essa idéia do átomo remonta àquela época antiga, tanto é que quando falamos de Demócrito [pré-socrático], estamos falando de um grupo de filósofos denominados atomistas, porque eles tinham essa concepção, que o átomo é a última partícula da matéria e essa idéia permaneceu por muito tempo. Até Newton acreditada que o átomo era indivisível. A idéia de que o átomo é divisível é nova. Existiu um físico inglês chamado William Crookes, que para quem estuda espiritismo é uma pessoa conhecida. Ele descobriu a matéria radiante. Ele inventou um aparelho que todos nós temos em casa que é a Ampola de Crookes, que tem o seguinte esquema: [desenhando no quadro] um cátodo e um ánodo, de polaridade positiva e negativa que se interagem e produzem raios-X. Em 1895 [descoberta dos raios-X por Roentgen], a partir desse modelo, foram criadas as bases da televisão. Os televisores emitem raios-X, mas têm uma proteção adequada para que não vaze. Mas essa é a matéria radiante que William Crookes descobriu. William Crookes, por ser um emérito integrante da Sociedade de Ciências de Londres, foi destacado para investigar os fenômenos espíritas e de certa forma desmascará-los. Depois de muito estudo e muita pesquisa ele se tornou um espírita... Mas, enfim, as suas pesquisas deram início a todo o desenvolvimento científico que veio a culminar com a fundamentação da física quântica e a descoberta da divisibilidade do átomo. Daí o exemplo da bomba atômica, porque ela quebra a estrutura do átomo e provoca todo um absurdo de destruição. Agora, voltando à bandeja. Ela tem essa estrutura atômica. Essas partículas físicas, que são diminutas. Se fossemos reunir toda a matéria existente aqui na Praça da Sé, incluindo a catedral, unindo somente as partículas de neutros, prótons e elétrons, talvez toda essa matéria não caberia na cabeça de um alfinete. É absurdo isso. Então, mesmo ao nível da materialidade em que vivemos, a matéria é muito tênue, cercada de vazios e é esse vazio que se pesquisa hoje, que acreditam ser o éter. Vocês poderão falar, mas, se eu sou constituído de átomo e essa bandeja é também de átomo e tudo é praticamente vazio, por que minha mão não passa por dentro dela? Porque minha mão não toca na bandeja. Parece que toca, mas não toca. Os átomos por serem constituídos de vários elétrons, de carga negativa, determinam a repulsão. Negativo com negativo se repelem. Nós falamos em três dimensões e a vibração pode ser a quarta dimensão. A intensidade da vibração é a que constitui os diferentes planos. Tudo é uma questão de vibração. Quando ele fala "Tudo vibra" é isso que está sugerindo. Quanto mais vibra mais se eleva aos planos superiores. Por exemplo, quando nós estudamos a obra do Tríplice Logos, vemos o primeiro trabalho é a formação das bolhas no koilon, fazendo toda essa tessitura desde os planos mais elevados e culminando com o átomo mais aparente, aqui no plano físico. É essa vibração que está expressa nesse axioma. Rose: Por isso que se fala que tudo está aqui mesmo! É, está tudo aqui mesmo. Na realidade não tem esse negócio de plano. Não é como gavetas. Agora, a vibração não é somente das partículas; ela se dá nesse campo também aqui [nos "vazios" etéreos] e é aí que ocorrem os trabalhos da indução, da telepatia. Se você tem vazios entre partículas, átomos e moléculas, você pode atuar nesse campo etéreo e realizar obras. É onde se verificam as transmutações, os milagres. Pergunta feita por alguém da platéia: A televisão foi então inventada em 1895. Resposta: Não a televisão, mas o princípio da televisão. O que foi feito nessa época foi a descoberta da matéria radiante e do raio-X. Isso determinou a invenção da televisão. É de se notar que as grandes descobertas científicas se deram nessa época. O século XX de certa forma é pobre em descobertas científicas. A gente fala tanto do século XX, mas o século XX foi o da tecnologia, da aplicação de todo o conhecimento que foi concebido, e continua sendo. São ciências aplicadas. Fugindo um pouco do foco da palestra, mas é oportuno, porque isso trabalha com o átomo. Tem uma coisa que está aparecendo agora que talvez revolucione o mundo, que são as nanoestruturas, a nanotecnologia. Talvez isso represente a próxima revolução industrial. Estão fazendo pesquisas em laboratórios, altamente avançadas, mas que correm em segredo. A nanotecnologia consiste no desenvolvimento de equipamentos do tamanho de um átomo, para cumprir determinados fins. Por exemplo, já existe uma aplicação onde se pega um acetato e uma face é sensibilizada por átomos condutores devidamente preparados, utilizando-se princípios da afinidade da molécula. Uma face é condutiva e outra não. A condutiva permite a exibição de imagens e textos. Não sei como funciona, mas tem, pois já vi, embora bastante rudimentar. Isso deve substituir no futuro o computador, os jornais, as revistas. Uma folha dobrável que cabe no bolso. O impacto que isso pode provocar na sociedade é imensurável [benéfico e maléfico]. Mas vamos prosseguir aqui em nossa caminhada... O próximo princípio é o da polaridade que diz: "Tudo é duplo. Tudo tem dois pólos. Tudo tem o seu oposto. O igual é o desigual são a mesma coisa. Os opostos são idênticos em natureza, mas diferentes em grau. Os extremos se tocam. Todas as verdades são meias-verdades. Todos os paradoxos podem ser reconciliados". Vamos pegar um exemplo. Calor e frio. O que é calor e o que é frio. Não existe um conceito. O que é calor para um não é para outro. Vai lá em Manaus e com a temperatura de 28º eles consideram que está frio. Agora, você vai ao Alaska e com 5º positivo, os esquimós estarão de bermudas, tomando uma limonada. Agora, no que se refere aos extremos serem muito idênticos em sua natureza podemos dizer que tanto o calor como o frio, queimam. Vamos dar um outro exemplo, o bom e o ruim, ou melhor, o bem e o mal, para dar uma conotação mais ampla. O que é bem e o que é o mal? Alguém consegue definir? Você pode falar que o bem é ausência do mal, mas não é absoluto. Se você pegar a criatura mais ignóbil, mais pérfida existente no mundo, você irá encontrar algo de bom nela. No mínimo para os seus filhos ela tem alguma relação de bondade. Por isso que ele fala aqui, tudo tem dois pólos e seus apostos idênticos em natureza, mas diferentes em grau. O que diferencia é o grau. Pergunta formulada por alguém da platéia: Como podemos dizer que a luz e as trevas são a mesma coisa? Resposta: As trevas existem por ausência da luz. Mas tem meia luz, a penumbra. Não existe verdade absoluta. Tudo é meia-verdade. O bem absoluto não existe da mesma forma que não existe o mal absoluto [ao menos em nosso plano]. Tudo é uma questão de grau. Podemos dar um outro exemplo, como a coragem e a covardia. Quem diz que coragem é realmente coragem ou é uma forma de não deixar transparecer o medo? Ou o medo revelado é a verdadeira coragem de assumir os seus temores? A gente não sabe. Tudo é relativo. Não se pode falar que a pessoa é corajosa ou medrosa, pois é situacional. Vamos falar do ritmo. "Tudo tem fluxo e refluxo. Tudo tem suas marés. Tudo sobe e tudo desce. Tudo se manifesta por oscilações compensadas. A medida do movimento à direita é a medida do movimento à esquerda. O ritmo é a compensação". Alguém da platéia argumenta: é o equilíbrio! É o equilíbrio e o desequilíbrio. Vocês vejam que parece um jogo de palavras. Diz e contradiz. Nós podemos desenhar aqui dois pontos, sendo os dois extremos. Positivo e negativo, para sintetizarmos as polaridades. Tudo se equaciona dentro dessas polaridades. Ele fala que tudo tem seu fluxo e seu refluxo. Tudo vibra dentro de ondas. Isso é o que nós aprendemos sempre aqui, representada pelo ouroboros, a suástica, a roda de samsara, os manvantaras e pralayas, é a respiração, são as ondas do mar, a maré cheia, a maré vazante, as estações do ano, o batimento do coração. Essa é uma verdade. Aliás, todos esses axiomas, exceto o primeiro, a ciência de certa forma já comprovou. Isso se aplica dentro da metodologia científica. Aqui é que o trabalho dos alquimistas começa a ser exercido. Como eles fazem a transmutação. Os alquimistas falavam "Aurum nostrum non est aurum vulgi" que significa nosso ouro não é o ouro vulgar, indicando que a transmutação de chumbo em ouro é metafórica. Eles até conseguiam fazer, mas não era objetivo. A pedra filosofal, o lápis, tinha outro objetivo. Isso aqui é um pêndulo. Ele diz que tem um movimento para cima que remete para baixo, o mesmo movimento da esquerda é o da direita. Nós temos que sair desse pêndulo e como se sai desse pêndulo? Através de práticas alquímicas. Yoga e meditação, por exemplo. Quem desenvolveu essa tese de forma muito primorosa foi o Jung. Jung observava seus pacientes, depois de ele ter rompido com Freud. A psicologia junguiana é toda alicerçada dentro desse princípio. Aliás, os livros em que Jung se baseou para isso foram orientais e ele vai buscar na alquimia também. Os livros são "O Livro Tibetano dos Mortos" e "O Segredo da Flor Dourada", um livro chinês, de preceitos taoistas. Ele observa que os pacientes que tinham sucesso no tratamento psicoterapêutico eram aqueles que deixavam as coisas fluírem. O que é deixar as coisas fluírem? Eles davam atenção aos símbolos que vinham através do inconsciente, ou seja, através dos sonhos ou através de fatos ocorridos que eles davam importância, que ele chamou de sincronicidade. Então, ele pesquisa e descobre que esses elementos [símbolos] são os arquétipos ou conteúdos do inconsciente coletivo. Então, vamos colocar aqui no quadro o seguinte esquema: Consciente e Inconsciente. Pergunta feita por alguém da platéia: A meditação é um traço então? Sem oscilação? [alusão ao esquema apresentado, onde são apresentadas as ondas oscilando entre os dois pólos]. Resposta: Não, você não neutraliza a oscilação. Você reduz o ritmo e esse é o trabalho da alquimia. Através desse processo, em que você trabalha com os arquétipos e deixa essas mensagens aflorarem, faz com que o consciente ilumine o inconsciente e o inconsciente enriquece o consciente. É um processo de troca mútua de forma que o consciente vai se ampliando. Por isso que se fala tanto "Vamos-ampliar-o-consciente" ou "Deu-um-salto-de-consciência". São jargões que se usam, mas ampliar a consciência não é assim fácil. Precisa-se trabalhar e muito. Requer muita disciplina. Aqui temos o consciente e aqui o inconsciente. Podemos dizer que o objeto do consciente é o Self. Com esse processo de enriquecimento do consciente você adquire um processo de individuação, que nós aprendemos aqui em Teosofia. O processo de individuação reduz a presença do ego e enaltece o Self. Só que o ego que ele se refere é o ego psicológico, não é o nosso Ego [teosófico], que é o Eu Superior. O Ego teosófico diz respeito ao Self. Então, a base da psicologia junguiana segue esses princípios. O trabalho alquímico consiste em ter o domínio do ritmo. Bom, vamos prosseguir... O princípio da causalidade está relacionado com esses axiomas anteriores. Diz que "Toda causa tem o seu efeito. Todo efeito tem sua causa. Tudo acontece de acordo com a lei. O acaso é simplesmente um nome dado a uma lei não conhecida. Há muitos planos de causalidade, porém nada escapa à lei". A causa e o efeito não estão circunscritos ao nosso plano físico. Por isso que existe a palavra acaso. Se você pegar o "Aurélio" e procurar a definição para acaso você vai encontrar... Não lembro literalmente, mas é mais ou menos o seguinte: é aquilo que se origina de causas não conhecidas [1. Conjunto de pequenas causas independentes entre si, que se prendem a leis ignoradas ou mal conhecidas]. Ora, se elas não são conhecidas, logo você não pode simplesmente negá-las. É um efeito de uma causa desconhecida. Na realidade a palavra acaso deriva do latim que significa jogar dados. Mesmo no jogo de dados não existe o acaso, pois se você jogar durante um período de tempo, estatisticamente todos os resultados vão se apresentar de forma uniforme. Que causa é essa? Não se sabe. É uma causa desconhecida. Então, essa assertiva nos remete à lei da causa e efeito que nós falamos tanto aqui que é o Karma. Você pode atenuar a geração de Karma? Pode, praticando isso aqui [domínio do ritmo]. Isso é fácil falar, mas... Temos mais coisas para falar, mas [em razão da hora adiantada] vamos resumir, passando para o próximo princípio. "O gênero está em tudo. Tudo tem o seu princípio masculino e o seu princípio feminino. O gênero se manifesta em todos os planos. Todo o princípio macho tem o seu lado fêmea e todo princípio fêmea tem o seu lado macho". Isso é em todos os planos, não somente no físico, mas também nos mais sutis. Agora, o aspecto da sexualidade é existente no plano físico e os dois pólos estão contidos dentro da mesma pessoa. A sexualidade é a energia criativa. O mau uso da sexualidade pode ser uma deturpação. Desde que seja bem direcionada ela tem um poder altamente criador. Um exemplo disso são os grandes pintores. Você estuda a vida de um Gauguin, Van Gogh, Toulose-Lautrec, não, Lautrec é um caso a parte, ou melhor, vamos aos clássicos, um Da Vinci, um Rafael, um Michelangelo, não tinham praticamente uma vida profana, eles viviam para a arte. O que era aquilo? Era a transmutação da energia sexual na mais pura e sublime arte. Então, o objetivo dentro desse processo de reconciliação como vimos lá, onde diz que todos os opostos são reconciliáveis, todos os paradoxos são reconciliáveis. Até o Bin Laden e o Bush se reconciliarão; talvez não nessa vida, mas ocorrerá. Nós vemos aqui que dentro da questão do gênero, o objetivo é a pessoa ter a sua própria sexualidade harmonizada dentro de si, o que seria a vida asceta, a vida do recluso, mas não como o celibato imposto, castrador, porque você estará reprimindo o desejo, a libido. O objetivo é harmonizar de tal forma que a pessoa seria um andrógino. É lógico que isso não é para o nosso plano de desenvolvimento ainda. Por isso você vê que os grandes adeptos têm algo de assexuado, tem algo de andrógino e a palavra hermafrodita aglutina as palavras Hermes e Afrodite. Mercúrio é uma figura andrógena. Não tem nenhuma alusão a homossexualismo. Pergunta: Isso é só no plano físico? Resposta: O plano físico é onde esses opostos se encontram mais distantes. Se nós pegarmos a essência monádica, tem a involução, a materialização, a separação, inclusive a separação dos sexos, faz todo o trabalho aqui, rodas e rodas de nascimentos e mortes e volta, mas esse princípio esta presente em todo os planos. Pergunta: E os anjos? Rose: Os anjos, afirma-se que não tem sexo, mas uma vez que eles fazem alguma tarefa, a polaridade existe. De fato, de acordo com o que diz aqui, o gênero sempre continua a existir, só que de uma forma mais sutil. Pergunta feita por um participante: Esse princípio é aquele que eu mais tenho dificuldade de compreender. Primeiro, a gente não sabe se Deus tem sexo ou não. Muita gente diz que a natureza é a mulher de Deus, mas eu gostaria de saber a sua opinião se esse principio teria alguma coisa a ver naquela particularidade que todo o homem tem hormônios femininos e toda a mulher tem hormônios masculinos. Não tem alguma coisa a ver com isso? Resposta: Tem também, mas não só. Isso no aspecto plasmado, no aspecto físico. Todos esses princípios são altamente perturbadores, mas da mesma forma, libertadores. |