| Luz e Trevas: a Eterna Batalha |
| Dom, 14 de Setembro de 2008 14:10 | |
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Luz e Trevas: a Eterna Batalha A tradição oculta fala sobre a existência de uma fraternidade negra, pessoas que trabalham unicamente para o eu, que resistem ao processo de evolução e tentam distorcê-lo. Esses inimigos do progresso e da felicidade, chamados de "senhores da face escura", são considerados a antítese da Grande Fraternidade Branca. Quem se aprofunda no estudo da história, especialmente da evolução cultural e espiritual da humanidade, reconhece a existência de duas forças antagônicas: as forças do progresso e da expansão, de um lado, e as da decadência e da contenção, de outro. Essas forças opostas são, às vezes, chamadas de forças da luz e forças das trevas - expressões bastante utilizadas por oradores e escritores durante as duas grandes guerras do século vinte. A Bíblia cristã também contém referências (embora notadamente obscuras) a uma guerra nos céus, sugerindo a existência de dois seres poderosos, uma deidade e um demônio, que desde a aurora da criação estão constantemente em guerra. Uma definição geral para essas duas forças opostas deve levar em conta que todos os seres humanos altruístas, qualquer que seja seu nível de evolução, são expressões das forças da luz. Todos os seres humanos egoístas, do selvagem sensual até os cruéis e altamente intelectualizados inimigos da felicidade humana, são representantes das forças das trevas. Entre essas duas forças e seus representantes humanos é travada uma guerra perpétua, da qual as duas guerras mundiais foram uma expressão temporária no plano físico. A sombra do homem "O mal não tem existência per se. Ele não é mais que a ausência do bem, e existe somente para os que se tornam suas vítimas", afirma A. P. Sinnett, em Cartas dos Mahatmas. O demônio não é mais que a sombra que o homem projeta quando vira as costas à luz. A natureza não é nem boa nem má; apenas segue uma lei imutável e impessoal. A experiência da dualidade entre espírito e matéria, luz e trevas, movimento e inércia, expansão e contração faz com que o homem associe esses conceitos ao bem e mal. O ser humano julga os opostos conforme seu efeito. Se a resistência representa um apoio, é boa. Se traz prejuízos ou frustrações, é má. O que é a escuridão que o homem classifica como má? É apenas matéria que não está exposta à luz. Escuridão é, simplesmente, matéria não-iluminada. O homem apelidou-a de má; para ele, o demônio personifica esse estado. Portanto, se for separado dos valores e da experiência humana, o mal, de fato, não existe; está apenas na mente do homem. Quem são os verdadeiros inimigos Investigar o significado do mal levanta algumas questões: 1. O Criador do universo também criou o mal? A Teosofia oferece uma resposta clara e concisa para as primeiras cinco perguntas: não. O mal não existe por si só; está apenas na percepção humana. A resposta para a sexta pergunta seria uma definição de forças das trevas como forças da natureza voltadas para propósitos destrutivos. São seres humanos que resistem ao progresso e à evolução, que contrapõem a vontade do eu individual à vontade do universo. Esses são os verdadeiros inimigos. Uma distorção do poder universal Há certos sinais que distinguem, de maneira praticamente infalível, os movimentos e as organizações dos inimigos do homem: egoísmo, orgulho, excesso de amor próprio, crueldade, intolerância, desumanidade. Por trás de tudo isso existe um desejo contínuo de dominar a vida e a mente dos outros, pois a marca desses inimigos da felicidade é o egoísmo e a negação de toda a essencial liberdade, tanto de pensamento quanto de vida. Os poderes das trevas têm agentes humanos em vários graus de evolução, desde o selvagem cruel, sensual e egoísta (seja civilizado ou não) até indivíduos altamente intelectualizados que trabalham apenas para o eu, de maneira aberta ou disfarçada. As forças da luz são forças da natureza voltadas para propósitos construtivos. Esses poderes são formados por todos os homens que trabalham pelo progresso evolutivo, que procuram cumprir a vontade una, que buscam a liberdade e o bem-estar de todos. É importante lembrar que a energia usada por essas duas forças opostas, o egoísmo e o altruísmo, é a mesma energia. Trata-se da energia una do universo, que é completamente impessoal. O homem personaliza esse poder ligando-o ao demônio ou a Deus, tornando-o, para si e para seus semelhantes, satânico, mau, destrutivo e obscuro, ou divino, bom, construtivo e luminoso. De acordo com esse ponto de vista, não é com um demônio externo que o homem está em guerra. Não existe um colosso do mal, nenhuma deidade secundária no universo com um poder para o mal equivalente ao poder da Deidade primária para o bem. Não há qualquer indivíduo maligno e tentador sempre procurando seduzir o homem e desviá-lo de sua lealdade para com Deus, com a bondade, a beleza e a verdade. O mal vem do interior do homem, e é lá que deve ser reconhecido, combatido e vencido. O mal é uma distorção do poder universal, uma ofensa a esse poder, realizada pelo próprio homem. Não há ninguém mais a quem culpar pelo mal, atrás de quem se esconder, alguém para usar como desculpa. Uma vezque esse fato seja firmemente encarado, acaba toda tentativa de fuga. Quanto mais rápido o homem reconhecer que o mal existe apenas dentro de si, mais cedo o velho Armagedon será vencido, e a saúde espiritual, moral e física será restaurada. No interior do ser humano estão o conceito e o potencial tanto do mal quanto do bem. Dentro dele estão a batalha e o campo de batalha. O Armagedon é travado no coração e na mente do homem; dentro dele reside também o poder da vitória. O poder do dinheiro Duas das armas mais comuns contra a felicidade do homem são o poder monetário e o consumo de álcool. É difícil culpar a humanidade pelo instinto de acumular riquezas. A vida força as pessoas a concentrar a maioria de suas energias em obter garantias básicas de subsistência, para si mesmas e para seus dependentes. Essa busca de segurança é sensata, até mesmo louvável. Entretanto, a busca legítima de dinheiro pode facilmente degenerar para a ambição insensata e a soberba, tão potencialmente prejudiciais ao indivíduo. Essa é uma trilha que leva aos caminhos mais obscuros da tirania, da avareza, da ganância e da fraude, seja em nível pessoal ou coletivo. Esses males, por sua vez, produzem a corrupção, a opressão de seres humanos, o monopólio, o desabastecimento, a fome, a economia da escassez. Levam também a atitudes absurdas, como a destruição de alimentos em grande escala para manter os preços elevados e, em conseqüência, ao declínio moral generalizado. O dinheiro e a avidez por dinheiro são, portanto, nutridos e utilizados pelos poderes das trevas, com a conivência do homem. Com isso, todo o caldeirão de uma economia de apropriação indébita, implacável e competitiva ferve; as guerras assolam o mundo, dizimam povos, matam jovens que poderiam guiar as pessoas por caminhos mais favoráveis na vida. Dessa maneira, manejando tão bem suas armas monetárias, as forças das trevas acumulam vitórias. Elas aliam a ganância e a ferocidade que o poder do dinheiro evoca a argumentos como "cada um por si e o diabo com as sobras", ou "eu não sou responsável pelo meu irmão..." A educação tem uma enorme importância nessa questão. É preciso investir no desenvolvimento de atitudes corretas dos indivíduos em relação ao dinheiro. Não pode haver uma possessividade arrebatadora, uma luta insana pela riqueza; o dinheiro não pode ser o único objetivo da vida. É preciso valorizar o trabalho honesto e a justa recompensa; é preciso manter um espírito de boa administração e de liberalidade. Claro que é bom, saudável e correto ter dinheiro. É bom ter as boas coisas que o dinheiro pode comprar, mas é sempre necessário estar em guarda para não se perder de vista aquelas coisas inestimáveis que o dinheiro não pode comprar. A ganância é a isca O álcool é uma arma tão eficiente que as autoridades religiosas não têm coragem de denunciá-lo e combatê-lo abertamente. Os governos encorajam sua fabricação e venda, porque aumentam a arrecadação de imposto e o apoio político. Muita gente lucra com o consumo de álcool. O sucesso dos poderes das trevas, com a ganância como isca, leva a uma atitude de cooperação. A enorme indulgência em relação à bebida é um dos sinais desse sucesso. A defesa contra o alcoolismo passa pela temperança, campanhas de moderação, educação e aperfeiçoamento da legislação. Tudo isso depende, principalmente, do reconhecimento da natureza desse mal e de seus efeitos desastrosos. Semente de degradação O consumo abusivo de álcool traz ineficiência, incompetência e desperdício, destrói amizades, casamentos e famílias, leva à ruína financeira, gera inúmeras doenças; enfim, dissemina a degradação onde quer que esteja. O álcool é, portanto, uma das maiores armas dos poderes das trevas. Todo alcoólatra tem uma razão especial para beber. Independente disso, o denominador comum característico de todos os dependentes é a perda de controle sobre o consumo da bebida. Isso acontece devido a mudanças nas células cerebrais que controlam a vontade. Uma vez perdido esse controle, as células não podem ser substituídas. O alcoólatra não consegue controlar seus hábitos de consumo. Ele precisa interrompê-los através da abstinência total e permanente. Segundo o médico norte-americano Frederick Lemere, o álcool é uma droga formadora de hábito, e deve ser agrupado junto com os narcóticos e barbitúricos. Qualquer quantidade de álcool no organismo paralisa imediatamente o poder da vontade e de julgamento que ainda restam. A parte do cérebro que diz ao bebedor para parar fica anestesiada. No beber moderado, que chamamos de "social", o álcool não é levado ao interior das células do cérebro; porém, com o consumo continuado, o padrão de atividade das células muda, e a presença de álcool torna-se necessária para o funcionamento competente do cérebro. As células cerebrais ficam tão dependentes dessa droga que sua retirada as coloca em desequilíbrio, que transparece como "ressaca", tensão, tremor, delírio ou convulsões. |