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Estamos nós criando a "geração da permissividade"?
Seg, 24 de Novembro de 2008 11:10

Walter Barbosa, membro da SOCIEDADE TEOSÓFICA

Dizer "sim" pode nos parecer o meio mais fácil de agradar, de fazer amigos. Contudo, sendo a criatura humana insaciável, sob o acicate de seus desejos e necessidades infinitas, a busca do "sim" pode se repetir muitas vezes, até que o dia em que, percebendo o abuso, dizemos "não". Aí arranjamos um inimigo mortal, desfecho esse previsto há mais de dois mil anos pelo filósofo chinês Confúcio, na célebre frase: "Por que me odeias, se nada fiz para te ajudar". 

A lógica de dizer sim para "fazer amigos" está presente mesmo no seio das famílias. Muitos pais e mães dizem "sim" para seus filhos na expectativa de captar e manter a amizade deles. A história de vida das pessoas tem mostrado que essa lógica é, com bastante freqüência, fatal.

Citando o recente "caso Eloá", a psicóloga Karina dos Santos Cabral pergunta: "O que leva um rapaz de 22 anos a estragar a própria vida e a vida de outras duas jovens por... nada? Será que é índole? Talvez, a mídia? A influência da televisão? A situação social da violência? Traumas? Raiva contida? Deficiência social ou mental? Permissividade da sociedade? O que faz alguém achar que pode comprar armas de fogo, entrar na casa de uma família, fazer reféns, assustar e desalojar vizinhos, ocupar a polícia por mais de 100 horas e atirar em duas pessoas inocentes?".

A resposta a tantas questões veio do rapaz: "Ela não quis falar comigo", informa Karina. "A garota disse ‘não, não quero mais falar com você'. E o garoto, dizendo que ama, não aceitou um não. Seu desejo era mais importante".

Quantas pessoas, pelo Brasil afora, fizeram algo mais que acompanhar o drama na TV, buscando uma explicação? Karina fez. E encontrou tal explicação de maneira fulminante:

"Ontem, enquanto não conseguia dormir pensando nesse absurdo todo, pensei que o ‘não' da menina Eloá foi o único. Faltaram muitos outros ‘nãos' nessa história toda. Faltou um pai e uma mãe dizerem que a filha de 12 anos NÃO podia namorar um rapaz de 19. Faltou uma outra mãe dizer que NÃO iria sucumbir ao medo e ir lá tirar o filho do tal apartamento a puxões de orelha. Faltou outros pais dizerem que NÃO iriam atender ao pedido de um policial de deixar a filha voltar para o cativeiro de onde, com sorte, já tinha escapado com vida. Faltou a polícia dizer NÃO ao próprio planejamento errôneo de mandar a garota de volta para lá. Faltou o governo dizer NÃO ao sensacionalismo da imprensa em torno do caso, que permitiu que o tal seqüestrador conversasse e chorasse compulsivamente em todos os programas de TV que o procuraram. Simples assim. NÃO. Pelo jeito, a única que disse não nessa história foi punida com uma bala na cabeça".

O educador Içami Tiba diz: "O sim só tem valor para quem conhece o não. Mas a geração parafusos de geléia desconhece o não. Tudo é permitido. E a permissividade não gera um estado de poder ou de competência. Os parafusos de geléia têm baixa auto-estima porque foram regidos pela educação do prazer. Muitos pais acham que dar boa educação é deixar o filho fazer o que quiser, isto é, dar-lhe alegria e prazer. Não é isso que cria a auto-estima".

Na perspectiva esotérica, os obstáculos naturais da vida - que os pais querem sempre tirar da frente dos filhos - são os meios para o fortalecimento da Vontade (atributo supremo do Espírito), fundamentando também a auto-estima, como autodomínio e crença em si mesmo. Assim, a frustração das eventuais derrotas é um aprendizado, e não uma tragédia.

Segundo Tiba, "Alegria ou prazer são logo digeridos, e as crianças ficam à espera de receber mais alegrias ou prazeres. Quando não recebem, fazem birra, tornam-se infelizes. Portanto, esse método, além de não desenvolver a auto-estima, cria muito mais dependência (de pessoas, de drogas), pois é dela que as pessoas passam a se alimentar para estarem bem".

Ao que tudo indica, com nosso "amor" sem fundamentação espiritual, sem consciência e sem limites, estamos sim - desorientados pais e mães dos dias de hoje (salvo exceções) - alimentando a "geração da permissividade". A que isso poderá levar?

CURSOS E PRÁTICAS
- Meditação, Teosofia, Astrologia, Hatha-Yoga e Yogaterapia. Projeto em andamento: Escola de Mães e Pais. Palestras públicas aos sábados, 18 horas, na Rua Pernambuco, 824, São Francisco. Campo Grande - MS - Tel.: (67) 9988-1010.