Nossa Livraria

Procurar Livro

Meu Carrinho


O seu Cesto encontra-se vazio no momento.

A insegurança da segurança
Ter, 06 de Janeiro de 2009 10:48

Walter Barbosa, membro da SOCIEDADE TEOSÓFICA

As instituições sociais (família, religião, governo, propriedade, matrimônio) são consideradas garantia de estabilidade e segurança para a sociedade, mas qual a garantia quanto à estabilidade das instituições? Não estaria tudo isso "tremendo nas bases", a exemplo da questão econômica, com o mundo inteiro sendo afetado pela crise americana?

Ao mesmo tempo em que nos torna "mais informados", a globalidade nos solidariza no que é bom e no que é ruim, por sintonia vibratória. Se o bom predomina, a globalidade nos eleva, se não, ela nos afunda. Por que nos afunda o que não é bom? Porque segue na direção involutiva, material (ódio, egoísmo, sensualidade, apego, separatividade), em prejuízo da espiritual (amor, serviço desinteressado, pureza, desapego, unidade). Pode-se imaginar algo pior do que a globalidade da destrutividade?

Em tudo que diz respeito a este mundo, atentar para a questão da dualidade sempre traz respostas interessantes, pois "toda moeda tem duas faces". No plano físico (assim como no astral e mental), impera a "atração e repulsão" dentro da relação "tempo-espaço", fazendo-nos oscilar entre os extremos (berço dos "pecados capitais"). Já nos planos mais avançados do espírito o "tempo-espaço" deixa de reinar, prevalecendo a consciência da Vida Una. É o ponto em que os opostos são resolvidos, onde a "luz se faz".

Porém, para que a luz se faça no mundo do espírito, a passagem pelo físico deve trazer sua contribuição essencial. "Tudo que ligardes na Terra será ligado no Céu" diz o Cristo. Ora, o que são as relações e instituições sociais? São frutos do interesse, com base nos anseios de continuidade e segurança, de apego - ao prazer, ao patrimônio, aos laços afetivos - com sua característica de prender consciências e energias. Em certos momentos da vida humana a natureza oculta do homem se manifesta, parecendo um mal, remexendo então os pontos de energia estagnada, para que ela possa de novo fluir e cumprir sua missão: gerar luz, vida.

O ano de 1968 pode ter sido um desses momentos, quando surgiu na França o slogan "É proibido proibir", espalhando-se pelo mundo. A respeito, Luiz Carlos Starling escreve:

"Em 1968 ocorreu o ápice da ousadia de um  processo revolucionário secular de degradação humana. Assim, em maio daquele ano, estudantes da Sorbonne e da Naterre deram andamento a uma revolução doentia que não tinha qualquer programa, ou seja, contestava-se tudo sem nada propor explicitamente. Deste modo, observou-se que tais manifestações estudantis não incidiam apenas sobre questões restritas, mas atingiam de modo direto ou indireto todos os resquícios sobreviventes de uma tradição cultural e até religiosa já enfraquecida. Munidos com slogans como: ‘é proibido proibir', ‘gozar sem freios' e ‘nem Deus, nem mestre'; os sorbonianos pregavam o igualitarismo, o liberalismo e a sensualidade, ou seja, aludiam a um ‘modus vivendi' regido pelas paixões desenfreadas".

Quarenta anos depois, a proposta que se vê em muitos shows e programas de televisão não é diferente, mas a "degradação humana" referida por Starling é, em grande parte, fruto das próprias tradições e crenças, esses núcleos de estagnação de pensamento que identificamos como elementos de "segurança". A consciência não admite estagnação. Requer movimento a fim de evoluir para o equilíbrio, aos poucos reduzindo o antagonismo dos opostos. Caso contrário ela se rebela, mesmo "sem nada propor" como observa Starling.

Assim, a segurança das instituições decerto não está na "rigidez dos cadáveres", mas na aceitação da própria insegurança como algo purificador do lodo da estagnação. Aí, se não queremos trocar lodo por lodo, o melhor será substituir o "egocêntrico e sensual" pelo "universal e fraterno", indo-se da competição à cooperação, do "eu" para o "nós". Esse é o caminho para a Vida Una, onde os opostos se fundem e a "manjedoura humana" enfim recebe o Cristo (força onipresente a inspirar e guiar o homem, mesmo quando ele pensa estar fazendo sua própria revolução).

PRÁTICAS
- Meditação e Hatha-Yoga. R.Pernambuco, 824, S.Francisco - Campo Grande - MS, (67)9988-1010.