| “Desprender-se”: a renúncia sem sofrimento |
| Qui, 27 de Maio de 2010 13:30 | |
Walter Barbosa, membro da SOCIEDADE TEOSÓFICAO poder de síntese certamente contribui para o que chamamos de “simplicidade do sábio”, algo que só outro sábio é capaz de reproduzir. Pela mesma razão se diz que a verdade é simples. Achamos belos e maravilhosos os ensinamentos cristãos ou budistas, mas na hora da prática a decepção é total. Uma coisa nada simples. A dificuldade começa com a idéia da “renúncia”, palavra cuja menção já pode nos deixar estressados, lembrando sofrimento. Seu vínculo habitual com caminhos espirituais contribui inclusive para que nos mantenhamos prudentemente longe deles. Contudo, os santos não parecem de fato sofrer. Ao contrário, inspiram contentamento e paz. Gautama Buda ataca de frente a questão do sofrimento na síntese extraordinária da “Óctupla Senda”, indicando sua fonte no desejo. Isso porque, ligado à mente e seu atributo “memória”, o desejo leva ao apego, fazendo dessa dupla uma boca insaciável. Os desejos podem chegar e partir continuamente, sem maiores conseqüências, se a memória não tiver fixado em nós a exigência da repetição prazerosa. A luta pela posse das coisas - inclusive com a “certidão de casamento” - tem a ver com a busca dessa garantia. Contudo, naturalmente toda propriedade é falsa, pois um dia termina. Exceto a pura Consciência, o Espírito não possui coisa alguma, sendo essa a razão de entrar neste mundo em um corpo nu - que abandona num caixão - levando apenas mais consciência. Nesse intervalo (de começo e fim) criam-se, entretanto, todos os esses incríveis vínculos identificando-nos, a partir do corpo, como titulares de “posses” e, conseqüentemente, de sofrimento. No fundo, isso tem a ver com a intuição da “felicidade perene”, dormente em nossa natureza como “Filhos do Pai”, herdeiros da abundância infinita de Sua Criação. A conhecida história de Nasrudin, com um cacho de uvas na mão perante em bando de crianças - que queriam o cacho todo já tendo provado uma - mostra essa ligação entre posse e repetição do prazer. Quando a repetição é exagerada, criando um problema, a mente inclusive providencia para que nos enganemos pensando que o exagero irá enfim nos saciar, resolvendo o problema. É o paradoxo da gula e sua filha - a obesidade. O prazer é nosso fingimento de felicidade, enquanto a felicidade autêntica - que não se alterna com o sofrimento - é nossa verdadeira natureza, estando por isso espelhada no rosto dos santos. De uma maneira misteriosa a trocamos pela falsa, achando inclusive que somos “espertos” nessa troca. Tal engano é gerado pelo véu de “Maya” - a Grande Ilusão. Obviamente, sem a ilusão (e a ignorância que ela provoca) não poríamos a mão no fogo, aprendendo com a experiência. A ilusão, contudo, age no tempo, depende dele para existir, e o tempo tem sua base na mente. Quando a mente pára, o tempo pára ou muda seu ritmo. É o que ocorre na presença da dor, que alonga o tempo, ou do prazer que o encolhe. Por essa razão, a verdadeira felicidade é eterna. Não depende do processo mental para existir - pois é um sentimento - nem de qualquer posse, material ou afetiva. Assim, a receita para a felicidade é o desapego. Com ele a renúncia vem de forma espontânea, sem sofrimento, porque o desapego simplesmente dá as costas à posse. Considerando, entretanto, que é justamente pelo apego que buscamos a felicidade, como girar o botão “ao contrário”, pondo uma coisa no lugar da outra? É nosso próximo assunto. ATIVIDADES – De 2ª a 6ª feira, práticas de Yoga. Aos sábados, curso “Teosofia e Meditação” e palestras públicas (recesso a partir de 13/12, com retorno em 16/01/10), na Rua Pernambuco, 824. No site www.educbesant.org.br participe da “Escola de Mães & Pais”, colaborando para um trabalho educacional mais consciente. Inf.: (67)9988-1010. |