| Na “alegria de servir” todas as contradições se resolvem |
| Qui, 27 de Maio de 2010 13:44 | |
Walter Barbosa, membro da SOCIEDADE TEOSÓFICAUm dos meios de tentar a permanência das coisas que desejamos é ter controle sobre elas. Como as buscamos “fora” – por força de nossos valores atuais – aquela permanência depende dos outros. Assim, o controle dos outros é uma de nossas obsessões, sendo daí fonte de expectativa e sofrimento. Dentro de certos limites, podemos controlar um patrimônio colocando, por exemplo, cerca elétrica em nossa casa. E quanto às pessoas? A questão da expectativa é um dos paradoxos mais desconcertantes na evolução humana. Ela parece ter um efeito positivo no que tange às conquistas materiais (base do livro “O Segredo”), mas não funciona quando envolve coisas fora de controle, como os relacionamentos e a busca espiritual. Aí quanto mais tentamos controlar, mais perdemos. Neste mundo, sob o jugo separatista da mente, habitamos um espaço onde o ego é rei e senhor. Seus anseios têm tudo a ver com a consciência material que sustenta o corpo físico, apoiando sua segurança, além de estimular posses afetivas e patrimoniais. Entre esses apoios está, por exemplo, o enriquecimento do instinto. Herdado do reino animal, ele acentua em nós características como a astúcia e cria a tendência de projetar sobre os outros nossos próprios defeitos – ou anseios de autorrealização – a fim de preservar o ego. O que está em jogo aí? Todo o lado transitório de nossa natureza, a partir do físico. Em certa passagem diz a Bíblia “Tu és pó e ao pó voltarás”. Esse “tu” é o ego, e não o homem verdadeiro, cuja natureza é Deus, a própria imortalidade. Estando identificados com o ego nesta fase primária de nossa existência cósmica (correspondendo à metade da evolução humana), o que buscamos? A continuidade que não é característica do ego. Temos aí a base do sofrimento: ansiar por eternidade e felicidade trabalhando com a matéria-prima do egoísmo, que é fonte de tristeza e solidão. Entre as diversas situações onde a expectativa está presente, uma pode parecer mais desprendida: a do pai (ou mãe) quanto ao sucesso do filho. Na essência, porém, isso é projeção do ego paterno, ainda que engatinhando na direção do amor altruísta. No curto prazo o controle sobre pessoas é possível, dependendo do preço que estamos dispostos a pagar. Nas relações amorosas, por sinal, tais expectativas ficam no início amortecidas, gerando a doação mútua, pretendendo-se talvez cativar para depois controlar (uma armadilha da natureza?). Vencido esse tempo, a memória das coisas boas ainda perdura nas situações de “amor e ódio” até que se esvai o restante do afeto. Nossas relações amorosas são, então, realmente de amor? Na obra “Um retorno ao amor” Williamson diz “o amor quer sempre o bem do outro”. Ele age assim mesmo quando não é compreendido (ao negar algo prejudicial, por exemplo). Enquanto isso o ego prioriza seu sossego, evitando todo esforço que não lhe traz ganhos diretos. Não obstante, o Cristo diz “Ama o próximo como a ti mesmo”. Como se resolve o paradoxo? Sendo o ego naturalmente inclinado a se amar, pela força da matéria, Cristo nos exorta a pelo menos igualar esse amor na relação com o próximo. Mais amplamente, porém, é na alegria de servir que todas as contradições se resolvem, dizem os Mestres, sendo isso possível de muitas maneiras (Ramana Maharshi servia por meio do silêncio). No serviço desinteressado o ego se dilui, assim como o medo da morte, pois a tão ansiada “autorrealização” passa a acontecer dentro de nós, e não mais fora, num espaço sem fronteiras que inclui a totalidade da vida, estendendo-se ao infinito. Ao mesmo tempo a expectativa se acaba – levando junto o sofrimento – pois ela não resiste ao infinito. ATIVIDADES – Aulas de Yoga Clássico. Novo curso: “Meditação: Saúde e Consciência” (16h00) e palestras públicas (18h00) aos sábados, na Rua Pernambuco, 824, São Francisco. Em 17/3 será apresentado o tema “Auto-observação: preciosa chave consciencial”, por Rogê Teissére Delgado. No site www.educbesant.org.br acesse o Fórum de Mães & Pais, colaborando para o desenvolvimento de um trabalho educacional mais consciente. Contatos: (67) 9988-1010. |