| Hipocrisia: a familiaridade da mentira em nossas vidas |
| Qui, 27 de Maio de 2010 13:45 | |
Walter Barbosa, membro da SOCIEDADE TEOSÓFICA“Sem as pequeninas hipocrisias mútuas nos tornaríamos intoleráveis uns para os outros”. A frase é atribuída ao filósofo alemão Emanuel Wertheimer, coincidindo com as práticas gerais do mundo até nas grandes hipocrisias, como freqüentemente chega ao nosso conhecimento por meio das manchetes diárias. “Impostura, fingimento, simulação, falsidade”. Dessas quatro facetas ligadas à definição da hipocrisia provavelmente a menos conhecida é a impostura, como “artifício para iludir, embuste, vaidade ou presunção extrema”. De qualquer maneira, o que se ressalta aí é a presença da mentira. No caso da hipocrisia, a mentira social por excelência. A mentira busca alcançar ou manter vantagens que, na ausência dela, poderiam ser impossíveis. Na essência, então, é um furto. A partir das técnicas mercadológicas, criando artifícios para induzir o consumo até o limite da “propaganda enganosa”, é provável que a mentira tenha se institucionalizado como um “mal necessário” em nossas vidas, algo normal e até benéfico, justificando o pensamento de Wertheimer. O que perdemos com isso? Cada um de nós projeta o mundo que traz em sua mente. Isso acontece conforme o conteúdo do eu psicológico (o ego), nada tendo a ver com aquilo que o mundo é. Na mesma medida em que, diante de determinado fato, cada um tem uma interpretação diferente, nosso comportamento e escolhas não são uma conseqüência do mundo, mas sim de nossas crenças, mesmo quando, confortavelmente, seguimos os “costumes”, a moral de nosso tempo. É provável que nesse ponto de vista haja uma profunda diferença entre a filosofia acadêmica e a filosofia esotérica. A primeira – cunhada na influência do pensamento cristão dominante – tende a ver o homem como um produto do meio, enquanto a filosofia esotérica vê o meio como produto do homem, considerando que este não nasceu com seu corpo físico, à semelhança de uma “folha em branco”. O homem tem milhões de anos em sua jornada como centelha divina, trazendo de vidas passadas não a memória do dia-a-dia (perdida com a desintegração do físico), mas sim a memória vibratória, as tendências que resumem seu potencial de realização, sem o estorvo das cristalizações mentais de outras vidas. De natureza atômica sutil – guardada na bagagem espiritual do homem – essa memória não morre, elevando-se sempre em luz e pureza, embasando assim o produto evolutivo mais importante de todos: o avanço da consciência. Do que depende esse avanço? Identificados que nos encontramos com a mente e seus conteúdos conscientes ou não – crenças, julgamentos, preconceitos, ambições, traumas, medos – faz-se necessário que nos distanciemos dela, como ensinado nas técnicas do Raja Yoga, a fim de enxergar a realidade que aqueles conteúdos encobrem, ao mesmo tempo purificando-os. Por outro lado, a mentira apenas reforça tais projeções com uma fantasia maior ainda: a de nosso voluntário auto-engano, enquanto pensamos enganar o mundo. Por essa razão, “ser verdadeiro em tudo” é o ensinamento dos Mestres de Sabedoria. Também por essa razão o lema da Sociedade Teosófica é “Não há religião superior à verdade”, sabendo-se que essa verdade não poderá ser encontrada na filosofia acadêmica, que é uma projeção das crenças do próprio filósofo – em essência um produto mental. Ao adotar a hipocrisia ou qualquer outra mentira como “meio de vida”, aumentamos a confusão do ego, perdendo a fé em nós mesmos. Perdemos também a fé alheia, aumentando as sombras do mundo, além de afastar o conhecimento do Deus Interno, nosso Eu Real. Tudo isso não parece mais um meio de morte? ATIVIDADES – Aulas de Yoga Clássico na Rua Pernambuco, 824, S. Francisco. Aos sábados, curso “Meditação: Saúde e Consciência” (16h00) e palestras públicas (18h00). Em 24/4 Jacinta Inês Gehling apresentará o tema “Estar no Agora: cura natural da ansiedade”. No site www.educbesant.org.br acesse o Fórum de Mães & Pais. |