| “Transcender o mundo? Para quê? Ele é tão bom!” |
| Qua, 09 de Junho de 2010 10:13 | |
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Walter Barbosa, membro da SOCIEDADE TEOSÓFICA Yoga significa “unir”, aproximando-se do significado de religião como “religar”. Só se pode religar aquilo que foi, um dia, desligado. É o que narra a “Parábola do Filho Pródigo”, simbolizando a jornada do espírito nos reinos da natureza. Ao fim de sua jornada – aprendida a lição que o trouxe a este canto do universo – o filho “torna à Casa do Pai”, ou seja, transcende o mundo. Quem estaria, porém, desejando tal coisa? Devem ser poucos, considerando como as pessoas se agarram até a um corpo doente, como se dele dependesse a vida. Impulsionado pela força do Desejo, o próprio universo – como ocorre ao ser humano – encontra-se em expansão, com surgimento de novos astros, significando que neste “momento cósmico” ele evolui de dentro para fora. E da mesma forma que nossos corpos, os astros também morrem. “Assim como é em cima, é embaixo” ensina o ocultismo. Toda forma está sujeita à desintegração porque, tudo que tem começo, tem fim. A forma se desintegra por estar sujeita à saturação, ao desgaste, deixando então de ser útil para o trabalho da consciência que a habita. Daí dizer-se que ela é governada pela “Lei dos Ciclos” ou da “Periodicidade”: nascer, crescer, envelhecer, morrer. O corpo é passível de morrer, mas não a essência que mora nele. Nós somos a essência, não nascemos com ele. Na verdade jamais nascemos, e, portanto, jamais iremos morrer. Podemos dizer então que tudo é transitório, exceto a vida. Em nossa jornada evolutiva enquanto usando corpos físicos, o perecimento e a dor são companheiros permanentes, ao lado do desejo. Por isso Gautama Budha ataca a superação do desejo diretamente (não a simples negação). É uma condição essencial até por ser ele a razão da volta ao corpo, da reencarnação, pela “saudade” de suas sensações. A própria busca da verdade - na essência das religiões - torna-se contraditória sem a superação do desejo. Os conflitos entre elas (ou dentro delas) demonstram o quanto estão longe de seu alvo, até porque a verdade não pode ser possuída, apenas vivida. O que nos impede de enxergar isso, “virar o jogo”? A impureza impregnada em nossa mente. Voltada para fora - como acontece ao próprio universo - e assim distanciada da intuição, do Espírito, a mente tem nos 5 sentidos sua única referência. Então, o que ela vê? Não o fato em si, mas só o que permite seu condicionamento, essa herança fatídica que transmitimos de uma geração a outra a partir do “bicho-papão” das cantigas de ninar. Dessa condição da mente vem a superficialidade das relações, a ânsia de acumular externamente, a agonia do amor. Hoje simples objeto de consumo, o amor entrou em “linha de produção”, não mais sendo uma questão de sentir ou conquistar, mas de “fazer”. Como se pode mudar isso? O “Raja Yoga” (ou Yoga Mental) vai direto ao ponto. Sua prática habilita a mente a voltar-se para dentro, por meio da concentração, da meditação, fornecendo meios para purificá-la, além da reeducação dos sentidos. Gautama Budha também oferece técnicas de purificação da mente em sua “doutrina”. De fato, em época alguma o homem esteve só no propósito de se conhecer e libertar, até porque Deus é sua real natureza. Nesse sentido, se algo lhe falta depende dele próprio: vontade. E onde a vontade escasseia o lodo mental prospera, escancarando as portas ao desejo e sua irmã gêmea, a inconsciência. O desejo é a própria distância entre nós e o que necessitamos compreender, entre quem deseja e aquilo que é desejado. Do iate de um milhão de dólares ao sanduíche da esquina, tudo ajuda a nos manter na inconsciência, identificados com o corpo: cada pequeno prazer anulando a percepção da miséria física ou psicológica de todo dia. “Veja quem tem olhos de ver”, disse Jesus. ATIVIDADES – Práticas de Yoga Clássico. Curso “Meditação: saúde e consciência” (16h00) e palestras públicas (18h00) aos sábados, na R. Pernambuco, 824, S. Francisco. Em 12/06, Jacinta I. Gehling falará sobre o tema: “Medo e coragem: como distinguir?”. No site www.educbesant.org.br acesse o Fórum de “Mães & Pais”. Inf.: (67) 9988-1010. |