| A “purificação da mente” no Budismo |
| Seg, 14 de Junho de 2010 14:35 | |
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Walter Barbosa, membro da SOCIEDADE TEOSÓFICA Já se disse que cachorros, gatos e outros animais enxergam melhor do que os humanos. E também escutam e cheiram melhor. Tal superioridade refere-se naturalmente à percepção exterior, como elemento de sobrevivência na natureza. Apesar disso os animais são menos evoluídos, pois o que interessa é a percepção no nível da consciência, coisa que é intermediada pela mente. Esta, no reino animal, está apenas despontando. É bem conhecido o fato de que a cada releitura de uma mesma obra temos um grau diferente de percepção. No primeiro instante captamos apenas os significados mais imediatos, ficando surpresos quando novas leituras abrem outros entendimentos. Se isso acontece com cada um de nós no dia-a-dia, imagine-se as diferenças de uma pessoa para outra, considerando potenciais acumulados em centenas de vidas. Por isso as usuais comparações que fazemos entre indivíduos – coisa que achamos muito natural – chega a ser um ato de insensatez, senão de covardia. Estando essas variações subordinadas à capacidade e conteúdos da mente, torna-se essencial trabalhá-la seja em extensão ou profundidade, conhecendo seus processos e assim abrindo caminho para a consciência. Como um ensinamento ainda perfeitamente atual, qual é a contribuição do budismo nesse sentido? No capítulo “purificação da mente” da obra “A Doutrina de Buda”, lê-se: “Os homens têm paixões mundanas que os levam somente às ilusões e sofrimentos. Há cinco maneiras com as quais eles podem se livrar dos grilhões dessas paixões: 1) Primeiro, devem ter idéias corretas das coisas, idéias estas baseadas em cuidadosa observação; devem compreender corretamente o significado das causas e efeitos. Desde que a causa do sofrimento se acha arraigada aos desejos e apegos da mente, e desde que estes são frutos das errôneas observações do ego que negligencia o significado da lei de causa e efeito, só poderá haver paz se a mente puder fugir dessas paixões. 2) Os homens podem evitar estas observações erradas que originam as paixões mundanas, através de um paciente controle da mente. Com o eficiente controle mental, pode-se evitar todos os desejos que surgem das sensações dos olhos, ouvidos, nariz, língua, tato e dos subseqüentes processos mentais. 3) Deve-se ter idéias corretas a respeito do adequado uso das coisas. Assim, com relação ao alimento e à roupa, não se deve pensar em termos de conforto e prazer, mas sim, em termos das necessidades do corpo. 4) Deve-se aprender a ser tolerante, suportando os desconfortos do calor e do frio, da fome e da sede; deve-se aprender a ser paciente quando se recebe abuso ou desprezo. É pela prática da tolerância que se debela o fogo das paixões que consomem o corpo. 5) Deve-se aprender a evitar o perigo. Assim como o homem prudente evita os cavalos selvagens e os cães raivosos, não se deve freqüentar lugares evitados pelos sensatos. Tendo vivido neste planeta há mais de 2.500 anos, o Senhor Buda aponta de maneira simples e luminosa o caminho da libertação. Olhando, porém, o ensinamento número um acima, alguém poderia questionar: Como ter “idéias corretas das coisas” estando a memória entulhada de conceitos enganosos? Nas atividades repetitivas a memória é essencial, pois evita que tenhamos de reaprender tudo a cada instante. Em sua característica de “acumulação”, porém, ficamos presos às experiências passadas, à identidade pessoal que ela nos cria, tornando-nos condicionados. O que manda é sempre a “lembrança” – nos relacionamentos, na educação – repetindo as mesmas trilhas no caminhar do mundo. Qual a saída para isso? ATIVIDADES – Práticas de Yoga Clássico. Curso “Meditação: saúde e consciência” (16h00) e palestras públicas (18h00) aos sábados, na Rua Pernambuco, 824, S. Francisco. Em 19/06 Dario Xavier Pires apresentará o tema “Onde você coloca atenção, coloca poder”. No site www.educbesant.org.br acesse o “Fórum de Mães & Pais”. |



