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O Emblema
Sex, 30 de Maio de 2008 20:01


O Emblema da Sociedade Teosófica
Por Antonio Carlos Jorge

Um símbolo, por definição, tem por objetivo expressar uma idéia, ainda que abstrata.

Através de uma simples forma grafada, ele tem o poder de nos tocar, de fazer aflorar sentimentos, de falar ao nosso consciente os reais arquétipos, fazer com que assimilemos sublimes valores nem sempre passíveis de serem explicados pela linguagem convencional dos homens.

 

O emblema da Sociedade Teosófica reúne vários símbolos e tem por objetivo expressar o conjunto de seu ideal, intimamente comprometido em disseminar luz à humanidade, luz redentora, luz da tolerância, luz pacificadora, luz da verdade.


O som primordial OM é a poderosa vibração emanada e está presente nas iniciações de mistérios em diferentes culturas da humanidade, como as Xamânicas em suas múltiplas manifestações e até nas tradições cristãs, como a citação contida no Evangelho de João 1:1, onde diz que “No princípio, era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus”.


A cruz suástica (cruz alada), presente em várias culturas, é milenar na cultura oriental, na Índia e na China, sendo também cultuada no Budismo Tibetano. Não tem qualquer alusão com o nefasto significado dado na recente história da humanidade, quando as forças nazistas se apropriaram desse símbolo com objetivos de impor sua cultura xenófoba e avessa à diversidade racial, religiosa e cultural.

A palavra suástica vem do sânscrito, cuja raiz “Svas” significa bondade. Em sua essência, simboliza, com quatro braços que surgem de um ponto, a Roda Solar, o ano com suas quatro estações, ou os quatro elementos (terra, água, fogo e ar), sendo a própria roda da vida, a roda de samsara.

O sentido em que a mesma gira determina o processo construtor ou destrutor (horário e anti-horário). No Budismo Tibetano as duas suásticas geralmente são usadas no trono de um Grande Lama, representando a dupla atividade do corpo, o equilíbrio.


A serpente mordendo a própria cauda - o “ouroboros” - é o milenar símbolo da eternidade.

Esse símbolo é manifestado de diferentes formas, como o desenho de dois dragões se devorando ou a hoje tão difundida figura do Taoísmo, em que duas forças opostas, Yin e Yang, harmonizam o ciclo da vida, da eternidade, da criação.

É a própria idéia primitiva de uma natureza que provê a si própria, dentro de um padrão cíclico de renascimentos e mortes.

A morte de um vivifica o outro, indicando a dualidade integrada.


A cruz ansata (ankh), é uma importante figura encontrada nos templos do Egito antigo, gravada nas colunas e murais de templos como de Luxor, Karnak, Edfu, representando a Chave da Vida, a Cruz da Vida.

O espírito que após ser crucificado ressuscita da morte e triunfa imortal sobre a matéria.


Não Há Religião Superior à Verdade - Semicircundando o lema da Sociedade traduzido do sânscrito “Satyât nâsti paro Dharmah”.

Este ideal da Sociedade Teosófica traduz o seu caráter universalista e ecumênico.


Temos, finalmente, os dois triângulos eqüiláteros entrelaçados, simbolizando a trindade, a manifestação do espírito na matéria

A trindade está presente em todas as tradições, sendo o Pai, o Filho e o Espírito Santo, para os cristãos; o Shiva, Vishnu e Brahma, para os hinduístas; Osíris, Horus e Ísis, para a cultura egípcia antiga; Energia, Força e Matéria, para nós Teosofistas.

Ou seja, é o Espírito, a Vida e a Matéria manifestada.  Este símbolo, embora sendo identificado com as tradições judaicas, conhecido com estrela de Davi ou selo de Salomão, na realidade antecede a essa época, sendo há milênios cultuado pelas tradições védicas.

O triângulo com o vértice voltado para baixo representa o mundo das coisas, com três princípios: Lei Natural (Sattva), Rajas (Energia natural) e Tamas (Matéria). É a manifestação da Onipresença, de Brahma, a manifestação do poder criador das coisas materiais,

O triângulo com vértice voltado para cima representa o mundo da consciência, com seus três princípios: Atma (Vontade), Buddhi (Sabedoria) e Manas (Pensamento, mente superior). É a manifestação da vida, da Onisciência, de Visnhu,

A intersecção entre os dois triângulos representa a própria Divindade harmonizando a vida manifestada no mundo das formas e das consciências. É a manifestação da Onipotência, de Shiva.

Este símbolo sintetiza os sete arquétipos humanos (sete raios), assim como está associado ao plano zodiacal (com os doze signos).

A Sociedade Teosófica ao adotar um emblema que incorpora símbolos de diferentes “origens”, faz demonstrar que a sabedoria, embora expressa pela diversidade cultural dos povos e eras, está ligada à mesma fonte da verdade, o que nos remete a viver a comunhão de pensamentos e atitudes, a viver a própria unidade.

 

Última atualização ( Qui, 26 de Junho de 2008 06:15 )