Nossa Livraria

Procurar Livro

Meu Carrinho


O seu Cesto encontra-se vazio no momento.

Fundamentos de Astrologia
Ter, 01 de Julho de 2008 18:18

Palestra proferida por Antonio Carlos Jorge

em 30 de janeiro 2004

Hoje o assunto a ser abordado refere-se aos fundamentos da astrologia, e para que nós possamos compreender a astrologia, vamos dividir a palestra em três blocos. Nós vamos procurar passar o contexto histórico, desde a origem da astrologia que se saiba até os dias de hoje, vamos dar também algumas noções de astronomia que é para aprendermos sobre mecânica celeste, já que o estudo da astrologia no passado era integrado, pois ela se baseia no funcionamento, na mecânica de movimentação dos astros e, finalmente, vamos falar sobre os arquétipos que a astrologia nos indica e mostrarmos como se obtém um mapa astrológico e as técnicas utilizadas para a interpretação, como se chega ao resultado interpretativo de um mapa astrológico.

Para falarmos sobre o contexto histórico vou desenhar aqui a linha do tempo, desde as mais remotas eras até hoje, e procurarmos desenhar aqui também a configuração do mapa do mundo, para acompanharmos como essa coisa se evoluiu.

Se nós formos estudar a Doutrina Secreta, vamos ter como referência um personagem chamado Asuramaya como sendo um dos pioneiros no estudo da astronomia. Na própria Doutrina Secreta a Blavatsky não precisa em que época Asuramaya teria vivido, mas ela fala que foi há 100 mil anos atrás. Existem afirmações de que ele teria sido um pseudônimo de Ptolomeu [100-170 dC], mas sem embasamento nenhum; essa tese foi levantada por estudioso em sânscrito, no século dezenove, chamado professor Weber, mas que não se sustenta. De fato, o nome de Asuramaya é muito antigo. Asuramaya se baseou numa obra de um astrônomo de nome Nârada, chamada “O Espelho do Futuro”. Esse livro é secreto e poucos têm a revelação do que nele contém, mas ali estaria indicada toda a história da humanidade, tanto no passado como no futuro, todas as eras futuras. Asuramaya de posse dessas informações desenvolveu todo um calendário que depois passou a ser chamado calendário Tamil. O povo Tamil vive na parte meridional da Índia, próximo a Madras e são pioneiros dessa região da Índia, de tradição Shivaita. Asuramaya teria vivido na Ilha Branca, Shamballa, que fica, pelas referências, no deserto de Gobi, numa planície que outrora existira um mar, mas o seu conhecimento foi transmitido, de alguma forma, a esse povo.

O calendário Tamil é o calendário adotado pelo hinduísmo. É o calendário que divide as eras em Yugas, em quatro grandes Yugas; quatro Yugas constituem um Maha-Yuga, perfazendo 4.320 milhões de anos. Mil Maha-Yugas dá um Kalpa, ou seja, 4.320 bilhões de anos. Um Kalpa na linguagem teosófica é um Manvantara, um período de manifestação, um dia de Brahma. Um Manvantara se contrapõe a um período de imanifestação, chamado Pralaya, que é de igual período, então um dia e uma noite de Brahma perfaz 8.640 bilhões de anos. Mas não fica somente nisso, nós temos ainda um ano de Brahma com 360 dias e isso vezes cem anos de Brahma, temos 311.040 trilhões de anos, que vem a ser uma Idade de Brahma. Então, isso é pela concepção dos Vedas, a idade total do universo.

A tradição hinduísta nos remete a esses períodos do universo. Desse calendário surgiu a Astrologia Védica, ou Astrologia Hindu, ou ainda a Astrologia Sideral, que é parecida com a Astrologia que vamos falar aqui, chamada Tropical, só que ela considera um fenômeno que nós vamos também ver mais adiante, que é a precessão dos equinócios. O zodíaco Tamil considera também os doze signos, só que nós não estaríamos mais naquele signo atualmente. Vocês já devem ter ouvido falar que nós não estamos mais nesse momento em Áries, mas sim um signo adiante. Essa é a concepção da Astrologia Védica.

Essa astrologia foi transmitida com o passar do tempo a outras culturas e regiões, tendo florescido muito tempo depois, há aproximadamente 4 mil anos aC, na Mesopotâmia, tendo já registros históricos arqueológicos, de mapas, de inscrições, que remetem ao zodíaco, mas com o ponto vernal na constelação de Touro. A era de Touro. As eras astrológicas são resultantes da posição das constelações no ponto vernal, que é o início da primavera, o equinócio de primavera no hemisfério norte.

Durante dois mil e poucos anos a humanidade esteve regida por esse período de Touro. Depois, passou a uma outra era que é a de Áries. É interessante de se notar que as tradições culturais, religiosas estão sempre relacionadas com essas eras. As manifestações religiosas, organizações sócio políticas estavam ligadas a representações míticas com esses signos. Nós temos, nesse período de 4 mil anos aC, Krishna e posteriormente Mitra, que são personagens ligados ao gado, ao touro e era costume o sacrifício desse animal como uma reverência à divindade. Nós temos ainda nos dias de hoje reminiscências dessa era, nós temos as touradas, a vaquejada, havia aqui no Brasil a “farra do boi”, que felizmente foi proibida por lei. 

Depois, tivemos a era de Áries, onde o carneiro era oferecido em sacrifício a Deus; foi toda uma era em que o carneiro tinha essa representatividade. 

Finalmente no ano zero, tivemos a entrada em Peixes que permanece até hoje, contrariando o que se fala muito por aí, que nós já estaríamos na era de Aquários. Nós estamos na era de Peixes; no final da era é verdade, mas nós temos alguns anos ainda para entrarmos efetivamente na era de Aquários.

Antes do nascimento de Cristo, nós tivemos, dentro do pensamento grego, vários astrônomos que fundamentaram teorias que chegaram até nós. Um deles foi Hiparco, que viveu em Alexandria por volta em 150 aC. Alexandria era uma cidade que ficava no delta do Nilo, onde foi edificada a grande Biblioteca de Alexandria. Hiparco, pertencente a essa biblioteca, era um observador contumaz, ele registrou a movimentação dos astros, que foi determinante para que Ptolomeu, aproximadamente 120 dC, estabelecesse o que vem a ser as bases da astrologia atual. Ptolomeu considerava a Terra como o centro do universo, muito embora, no ano de 250 aC Aristarco de Samos, já tinha demonstrado a heliocentricidade do nosso sistema, calculando as distância dos planetas com bastante erro é certo, mas com uma concepção totalmente correta. Um pouco depois tivemos Eratóstenes que chegou a calcular o diâmetro da Terra, através dos ângulos de sombras projetadas sobre obeliscos existentes em Alexandria e em Siena, uma região do alto Nilo, que fica exatamente a pino, no solstício de verão. Então, através de medidas de distância e ângulos, ele calculou a circunferência da Terra, demonstrando que ela é redonda. O mundo naquela época já era muito conhecido, só que esse conhecimento de certa forma se perdeu. Embora Ptolomeu pertencesse à Biblioteca de Alexandria, tendo acesso a essas informações, passados 300 anos, talvez em razão dos primeiros incêndios ocorridos, esse conhecimento tenha sido perdido.

Teve que passar aproximadamente 1.700 anos, após Hiparco, para que Copérnico fundamentasse a teoria da heliocentricidade, onde esse conceito foi posteriormente complementado por Kepler, sendo estabelecidas as chamadas leis de Kepler, demonstrando que os planetas fazem a trajetória em torno do Sol através de elipses. As teorias de Kepler foram utilizadas posteriormente por Newton, que talvez tenha sido a mente mais brilhante que se tenha conhecimento, juntamente com Einstein, e é de se observar que todas essas personalidades antigas eram astrólogos, inclusive Newton. Dizem que Newton se ocupou mais com o ocultismo do que com a física, só que essa obra de Newton onde se encontra? Ela não deve permanecer tão oculta. Ela deve ser de conhecimento de alguns eleitos.

Bom, o que nós notamos é que a astronomia e a astrologia eram conhecimentos integrados, não existindo divergências, até chegarmos no século dezenove, com o cientificismo, com o desenvolvimento do pensamento mecanicista, cartesiano, um legado de Descartes [1596-1650], as coisas começaram a tomar outros rumos e a astrologia acabou sendo de certa forma estigmatizada, considerada como uma superstição.

Por volta de 1.500 a 1.700 em que essas grandes mentes brilharam, Copérnico, Kepler, Galileu, Giordano, Newton também surgiu um grande fundamentador da chamada astrologia gálica, de nome Morin, que é pouco conhecido, mas quem estuda astrologia sabe do seu valor. A astrologia que nós conhecemos hoje se deve a Morin, isso por volta de 1.590. Ele estabeleceu as chamadas hoje regras de Morin e praticamente a astrologia não se modificou muita coisa, a não ser a incorporação dos planetas que foram descobertos posteriormente.

Bom, vamos dar um vôo no tempo até o ano de 1.915. Nesse ano, a partir da instalação de um observatório na Califórnia, no monte Wilson, dois astrônomos Hubble e Humason descobrem a vela padrão do que vem a ser a Cosmologia, ou seja, o efeito Doppler aplicado na propagação da luz, A análise da luz do espectro, o desvio para o vermelho ou o desvio para o azul. Eles estabeleceram uma escala de distância dos corpos, onde os mesmos passaram a ser analisados pela decomposição da luz do espectro, tanto aos elementos nele contidos como também a sua própria distância. Isso foi um divisor de águas. A cosmologia foi iniciada nesta data e a partir deste momento surgiu as bases da teoria do Big Bang, por volta da década de 30 e comprovada através de testes realizados na década de 70, que hoje, rara são as exceções, é a mais aceita pela comunidade científica.

Só que o Big Bang reforça a idéia de que o universo foi criado de 15 bilhões a 20 bilhões de anos, que contraria frontalmente aos pressupostos professados pela Teosofia.

Ora, pela teoria do Big Bang houve uma explosão num determinado ponto do universo e todos os corpos foram arremessados e estão numa movimentação em velocidade contínua, mas na década de 70, George Smoot, um astro-físico, então a serviço da NASA, descobriu que na direção da constelação de Virgem tem uma série de galáxias vindo ao encontro da nossa Via-Láctea. Isso já é um dado que deve merecer um estudo nos próximos anos, porque, se tudo está em expansão, como pode um grupo de galáxias estar se aproximando de nós...

Interrupção feita pelo John: “Mas isso poderia ser resultado de uma explosão de uma estrela”.

Resposta: Mas se você tem uma explosão aqui (desenhando no quadro), a tendência é que os corpos continuem a se movimentar de forma ainda a se distanciar da nossa galáxia; poderiam se distanciar em menor velocidade, mas ainda assim se distanciando. Além disso, não se trata de uma explosão de sois, mas sim galáxias inteiras vindo em nossa direção.

... Isso nos remete a no mínimo uma possibilidade; deve ter havido mais que um Big Bang. Isso reavive a tese dos Manvantaras e Pralayas, seguida pela Sociedade Teosófica.

Apenas para fecharmos este bloco; eu quis falar sobre essa questão porque a astrologia se baseia muito nisso, nos princípios da correspondência, vibração e ritmo.

Faltou dizer que a astrologia chegou à Europa, através da invasão Árabe. Os Árabes em 711 adentram à península ibérica e transmitem não somente esse conhecimento, como também o conhecimento filosófico, religioso, médico, um conhecimento muito rico, porque a civilização Árabe praticamente já tinha envolvido toda essa região desde a Índia até às terras ocidentais da África e assimilado todo um acervo de conhecimento. A astrologia acaba sendo adaptada à cultura européia; só que essa astrologia que é um legado da Astrologia Védica, passa por transformações, pois ela não considera a precessão dos equinócios que a gente vai ver. 

O ponto de divergência entre as duas astrologias é esse. Uma considera a precessão dos equinócios e a outra não. Mas fundamentalmente são as mesmas astrologias, porque a base é arquetípica, ela não está necessariamente associada aos signos estabelecidos no firmamento.

Tem um conjunto de transparências aqui que eu preparei para tentarmos compreendermos um pouco o que é essa coisa maluca chamada universo. Maluca, linda e altamente interessante.

O mesmo Hubble que descobriu o efeito Doppler foi homenageado com o seu nome dado a um satélite observatório lançado e que teve por sinal a sua manutenção desativada na semana passada; ele foi lançado em 1990 com previsão de operar até 2010, mas não sei se sem manutenção ele vai conseguir chegar até lá. Mas tem outro satélite lançado que vai substituí-lo, talvez com mais eficácia nas suas observações. A observação do Hubble descortinou uma beleza jamais vista no universo.

Essa é uma foto; não é ilustração não; eu tenho aqui algumas ilustrações, mas essa aqui não é; isso [mostrando a 1a transparência que contém uma foto de campo de fundo do universo] são galáxias. Cada ponto desses aqui é uma galáxia. Essa foto é de um pontinho do firmamento. O Céu está coalhado disso aqui, só que nós não vemos. O Hubble tem lentes possantes que conseguem chegar a 12 bilhões de anos à frente, por isso que os cosmólogos afirmam que o Big Bang teria sido produzido de 15 a 20 bilhões de anos atrás. Não é que nós estamos vendo essa imagem 12 bilhões à frente, na realidade essa imagem está chegando aqui agora; são imagens que talvez não existam mais ou outras imagens que existem e que não estão aí. Então isso nos remete a seguinte possibilidade, isso talvez seja uma ilusão. A gente não sabe; mas são galáxias e são formidáveis; e tem de diversos tipos [mostrando a 2a transparência]. Já tem mapeado pelos astrônomos 1 milhão de galáxias, mas calculam que existam centenas de bilhões. Temos aqui galáxias com configurações diferentes, mas todas lembram um átomo, todas têm um núcleo, que hoje se afirma com alguma certeza de que se trata de buracos negros, que estão a sugar toda matéria adjacente; por isso que elas têm esse formato em espiral, algumas em sentido horário, outras em sentido anti-horário. Aqui são duas galáxias se colidindo. Olha, ao meu ver isso é uma prova que a teoria do Big Bang é uma equação que não se fecha. Essa é uma formação de quasar que são os corpos mais distantes do universo. 

Eu trouxe uma foto de uma galáxia que não tem nome. A maior parte das galáxias mapeadas é numerada, não teriam tantos nomes para se colocar...

Pergunta formulada por alguém da platéia: esses aglomerados são meteoritos?
Resposta: Não, os meteoros e meteoritos estão circunscritos ao Sistema Solar. Isso que estamos vendo são aglomerados de sistemas solares que se agrupam em galáxias, que estão em distância de bilhões de anos. Naturalmente em cada sistema solar tem meteoritos circundando, mas esses meteoritos que até ameaçam a vida da Terra é coisa do nosso Sistema Solar mesmo, é caseiro, embora sejam de dimensões para nós bastante elevadas.

... Esta [3a transparência] é a galáxia a qual eu falei que se assemelha muito a nossa Via Láctea, é a 4414; ela é um pouco maior que a nossa Via Láctea, ela tem 110 mil anos de extensão. A nossa Via Láctea tem 100 mil anos. Isso é uma fotografia. Nós não temos uma fotografia com essa visão da Via Láctea por motivos óbvios, pois teríamos que ir a uma distância muito grande para tirar uma foto dessas...

Observação feita pelo John, da platéia: os anos aqui tratados são na realidade anos luz.

Resposta: É verdade, são anos luz. A luz viaja a 300 mil quilômetros por segundo e em astronomia não se pode falar nas distâncias em quilômetros ou milhas, pois isso daria um número indizível, inefável, chamado hoje google, por isso um dos sites de busca da internet tem esse nome, que é interminável. Então em astronomia se usa ano-luz. 

... Só para fazermos uma analogia com essa galáxia aqui demonstrada, o Sol está aqui aproximadamente, há 30 mil anos-luz do núcleo. As estrelas que estamos vendo do outro lado da Via-Láctea (80 mil anos-luz) daqui da Terra, também são estrelas que talvez não existam mais também.

Bom, para que mostrar isso aqui? Para que a gente compreenda um pouco o que é o universo e que as constelações [que formam o zodíaco] não são formações do espaço exterior, mas sim estão dentro da nossa própria Via-Láctea. São coisas próximas a nós, mesmo porque os antigos não tinham telescópios. O telescópio foi inventado no período do renascimento. Não foi por Galileu. Galileu o aperfeiçoou, mas até então os antigos já sabiam de suas existência, através de observações a olho nu. O último grande astrônomo que observava o firmamento a olho nu foi Tycho Brahe. Esqecemos de mencionar esse astrônomo no bloco anterior da apresentação, mas ele tem fundamental importância para a história, Kepler além de trabalhar com ele, fez uso dos registros de suas observações, determinantes para a realização de sua obra.

Nesta transparência (4a), que já é uma ilustração, temos o Sol e a seqüência dos planetas que formam o nosso Sistema. Os planetas aqui estão representados em suas dimensões em proporções relativas. Uma coisa muito legal, quando você estuda astronomia, astrologia, percebe que existe uma harmonia em tudo. Os planetas se distanciam do Sol dentro de uma métrica. É uma PG [Progressão Geométrica] de razão 2 somado 4. Essa é a distância relativa entre os diferentes planetas. Eles seguem uma harmonização. Não foi uma coisa simplesmente jogada. Exceto aqui que não tem planeta nenhum [entre Marte e Júpiter], mas sim um cinturão de asteróides, sendo daí que vêm os meteoros que ela tinha se referido. Talvez tenha sido um planeta que tenha se dissolvido.

Uma coisa muito interessante, os antigos falavam que Júpiter ou Zeus era o protetor dos homens e eles estavam certos. O Planeta é realmente protetor, porque esses meteoritos que estão aqui entre Marte e Júpiter representam uma ameaça grande mesmo à vida aqui na Terra e só não chegam aqui na intensidade perigosa porque Júpiter, pela sua dimensão, por ser mais massivo, acaba atraindo para si esses fragmentos.

Os planetas são também inclinados nos seus eixos. A Terra é inclinada em 23o e meio. Essa inclinação que determina o fenômeno que a gente vai ver, quando a gente estuda na escola sobre os movimentos da Terra...

Pergunta: E o planeta X.

Resposta: Esse planeta pela astronomia não é conhecido, embora haja especulação sobre a sua existência [até de caráter apocalíptico]. Como nós vamos ver nós temos 12 signos, 12 casas e 10 planetas, incluindo o Sol. Não que o Sol seja um planeta, mas dentro da hierarquia ele representa a própria pessoa. Segundo a tese de alguns estudiosos de astrologia faltam ainda dois planetas a serem descobertos, mas com toda essa tecnologia de observação que é feita, acredito que alguma coisa já teria sido desvendada. Agora, os planetas são a manifestação plasmada de determinadas energias e isso não significa que não existam outros planetas em nível etéreo dentro do Sistema.Nós temos planetas aqui que são verdadeiros cadáveres que na visão teosófica, foram Cadeias evolutivas, Marte e Lua, por exemplo; Cadeias evolutivas da humanidade sendo desenvolvidas nesses orbes e hoje eles não representam mais a vida exuberante em todo o esplendor de sua matéria, mas já representou no passado. Pode ser que alguns planetas ainda estejam ainda numa condição de trabalho plasmático, mas isso é meramente uma especulação.

Pergunta: Plutão é um Planeta e por que não era considerado antigamente?

Resposta: Plutão é um planeta [embora ele tenha uma órbita não convencional] e não era considerado na astrologia antiga porque ele não era conhecido. Tinha a divindade Plutão, mas não era considerado na astrologia. Não só Plutão é considerado pela astrologia atual, como tem um poder imensurável. Na astrologia de hoje ele é considerado, não na ptolomáica. Urano, Netuno e Plutão foram descobertos posteriormente. 

... Bom, dando continuidade; quando a gente estuda na escola, nós aprendemos dois movimentos da Terra, o movimento de rotação e o movimento de translação. Com o de rotação a Terra gira em torno de 24 horas no dia e com a revolução ou translação ela perfaz 365 dias em torno do Sol. Na realidade não são 365 dias, mas sim 365 dias e 6 horas e a cada quatro anos é inserido um dia a mais no calendário, que é o ano bissexto. E essas 6 horas são diluídas nos 365 dias, o que determina que a rotação tenha 24 horas e 50 e poucos segundos. 

Esse conhecimento de 360 dias ou 365 dias já era de domínio naquela época, tanto é que os calendários tinham essa conformação. Os egípcios já utilizavam o calendário de 365 dias naquela época, eles tinham o zodíaco chamado de Denderah que era o mesmo zodíaco conhecido pelo povo Tamil. Os Astecas, Maias, Incas também seguiam, embora com datações solares ou lunares diferentes, mas dentro dos mesmos ciclos. Então equinócios e solstícios sempre foram conhecidos, tanto é que tinham festas que comemoravam essas datações. 

Muitas vezes a gente fala de solstício e equinócio e há pessoas que não tem a exata compreensão do que isso seja. Solstício é quando o Sol projeta aqui [5a transparência] as suas ondas de luz muito maior num determinado hemisfério. Então temos o solstício de verão nessa posição e de inverno no sul. Aqui temos a linha do equador que divide os dois hemisférios. Com o movimento de revolução o Sol passa pela linha tropical e vai até um ponto em que não mais se afasta do equador. Esse ponto mais elevado aqui é chamado solstício e ocorre em um determinado dia. Esse dia pode ser móvel, em função das horas que não são computadas nos anos não bissextos. Então nós temos dois períodos de solstícios, solstício de verão no hemisfério norte e de inverno no hemisfério sul e vice-versa, depois de seis meses. Os equinócios são os períodos intermediários, onde o Sol distribui suas ondas de luz de forma equilibrada, homogênea.

A gente viu que a Terra é inclinada no seu eixo, em 23o e 27´. Nesta transparência [6a transparência] temos essa figura que demonstra como se formam as linhas imaginárias como os círculos polares, os trópicos, nesse sentido horizontal e no sentido vertical, foram estabelecidas as linhas que perfazem inclusive os fusos horários e determinam localizações em graus da circunferência terrestre. Ou seja, o primeiro é denominado latitude e o segundo longitude. Isso é determinante para a astrologia, porque, com base aonde o evento ocorreu, que é o objeto do estudo astrológico, é que vai se determinar a hora exata. A hora padrão é a hora de Greenwich e a astrologia se baseia em tábuas astronômicas, chamadas efemérides e essas tábuas dão o horário de Greenwich, que é o horário que convencionalmente se denominou como sendo a hora zero, que passa por cima de Londres. Por quê? Porque o pensamento científico naquela época estava concentrado na Inglaterra. Então, foi estabelecida lá a hora mundial. Mas quando se faz o cálculo, tem que considerar todo esse deslocamento horário.

Nós vimos lá dois movimentos, o de rotação e de revolução e tem esse movimento de nutação. O que vem a ser esse movimento? Como a Terra é inclinada, ela tem um deslocamento paulatino que é imperceptível, mas ao longo de eras, como se fosse um giro de peão, ela faz um movimento de 360o, anti-horário, que é chamada Precessão dos Equinócios, nutação. Na realidade a nutação é um quarto movimento, parecido com a Precessão, só que mais sutil e dentro dessas variações ela faz algumas oscilações. O importante é sabermos que é isso aqui que determina as eras astrológicas. Só para compreendermos como funciona isso [expondo o movimento no quadro]. Esse movimento de 360o leva 25.920 anos que divididos por doze [cada signo] dá 2.160 anos. Então as eras astrológicas não têm 2.000 anos, elas têm 2.160 anos. Quem propôs essa metodologia de cálculo foi um astrônomo italiano chamado Ricciolus, mas têm outros que dão outros números, como Tycho Brahe, Cassini; mas o mais seguido é esse de Racciolus. Os outros apresentam pequenas variações, mas o que se utiliza é esse método. 2.160 anos em cada zodíaco e como o zodíaco tem 30o, cada grau corresponde a 72 anos. Está dando para compreender? 

Então, se nós formos olhar hoje no ponto vernal vamos ver que não estamos na era de aquários. Nós estamos em 2o de Peixes, aproximadamente 2o e 7´ de Peixes. Nós temos mais 140 e poucos anos. Entraríamos na era de aquários no ano de 2.150 aproximadamente. Então o que se fala por aí “Era de Aquários, etc e tal”... Nada há de mais pisciano do que esse fervor tão grande! Naturalmente as passagens das eras não se dão de forma determinista. Chegou nessa data e mudou a era. É lógico que é um processo, acompanhado por fenômenos sociológicos, econômicos, de costumes; toda essa conturbação que estamos vivendo é sintoma de uma transição de eras, e isso já começou. Eu penso que a era de aquários será realmente determinada quando tivermos Plutão transitando por Aquário. Isso deve acontecer de 2.024 a 2.048. Plutão leva aproximadamente 250 anos para percorrer o zodíaco, ficando 20 e poucos anos em cada signo. Aquário significa liberdade, mudança, tecnologia e Plutão indica morte, regeneração, renovação. Essa conjunção é favorável a grandes transformações, e se nós analisarmos no passado, as últimas conjunções culminaram realmente com períodos históricos de grandes conturbações, que depois teve um desfecho para melhor. A revolução francesa se deu nessa conjunção. A outra conjunção que houve foi na época das navegações e do próprio renascimento, reformulando a maneira do homem pensar o mundo.

Estudando astrologia e analisando os fatos históricos do passado, você compreende o futuro. Eu penso que essa grande transformação vai ocorrer nesse período. Então vamos preparar os ânimos.

Nós temos a Terra como nós vimos e o zodíaco [7a transparência]. O zodíaco está num plano diferente do eixo da Terra. O que intersecciona o plano do zodíaco com o eixo da Terra é chamado Plano da Eclíptica. Nesta outra transparência [8a] dá para vermos o Sol, a Terra e o zodíaco. Como vimos, Ptolomeu adotou as observações de Hiparco, que foram feitas quando o ponto vernal encontrava-se em Áries, mas desconsiderando-se o movimento da Precessão. Então vejam, a pessoa que nasce em Áries na realidade é pisciano, para a Astrologia Védica. São métodos diferentes, porém isso não invalida nem a Astrologia Tropical, nem a Védica, porque elas partem de arquétipos.

A astrologia, como nós vamos ver aqui, não se baseia nas forças emanadas pelas constelações. Ela se baseia, talvez, isso é uma conjectura, em outros elementos. Porque não faz sentido. Pelo que se estuda na astrologia, no momento do nascimento do indivíduo ele é ungido por uma força cósmica emanada pela constelação que está localizada atrás do Sol; essas forças são potencializadas pelo Sol e direcionadas à Terra. Ora, se nós temos a Precessão dos Equinócios, não é Áries que está aqui...

Pergunta: Então, a astrologia não tem sustentação?

Resposta: Não, não é isso. Nós vamos ver na próxima transparência o que é que forma essa coisa de signo, mas antes, seria interessante fazermos uma abordagem teosófica para explicarmos essa coisa de forças.

Pelo estudo esotérico [desenhando no quadro], o universo foi criado a partir de forças cósmicas, fohat, prana e kundalini, só que originalmente, antes da manifestação, o que existia era mula-prakriti, ou seja, raiz de matéria. Prakriti, que é matéria etérea, é plasmado através de três atributos, chamados gunas, que são, sattwa, rajas e tamas, ou seja, harmonia, atividade e inércia. Por analogia, podemos identificar que se trata do construtor, destrutor e mantenedor, Brahma, Shiva e Vishnu. Então nós temos aqui, dentro de uma curva, aquele que inicia a atividade, que tem a iniciativa, que harmoniza, aquele que estabiliza, mantém a inércia, fixa o estado adquirido e aquele que vem e altera, desestabiliza.

São atributos da matéria. Faz analogia com o princípio ternário. Toda atividade criada é mantida e alterada. Essa é uma verdade que permeia a vida. Tudo é vibracional e ritmo, estando em consonância com esse padrão de movimento. Até o andar segue este padrão. Para ir para frente eu tomo a iniciativa de caminhar, buscar a harmonia (Sattwa), uma vez harmonizado, fica-se por frações de segundo em uma posição estática, de inércia (tamas); aí vem o desequilíbrio necessário, o colapso necessário (rajas), para novamente iniciar a ação de sattwa e é assim que  caminha a humanidade.

Ação, Equilíbrio e Desequilíbrio. Toda a matéria está condicionada a esses três atributos.

Essas três forças se materializam em quatro elementos. Por isso é que a pirâmide representa um símbolo esotérico formidável, pois é o ternário sobre o quaternário.

Vamos chamar os três atributos de A, B e C. Matematicamente do três se faz o quatro. Por isso que esses números são esotéricos. Aplicando a análise combinatória, temos os quatro resultados: A+B, A+C, B+C, A+B+C, ou seja, do mais sutil para o mais denso, ar, fogo, água e terra, que são os elementos dos atributos superiores plasmados, cristalizados, materializados aqui no nosso plano. O quatro representa o número da materialidade e o três da divindade. Quatro mais três é igual a sete, que é outro número cabalístico, ou quatro vezes três é igual a doze, que também é outro número. O doze é resultado da análise combinatória do três associado ao quatro.

A astrologia para os três princípios dá os seguintes nomes: Cardinal, Fixo e Mutável.

... Dando continuidade; na década de 70, teve um astrólogo inglês, Jeff Mayo, que fez uma descoberta interessante; ele observou que o Sol tem cargas positivas e negativas no seu pólo norte e sul, respectivamente, e em razão do movimento de rotação de 28 dias ou 26 dias observado da Terra [8a transparência]. Como a Terra é inclinada em seu eixo, como vimos, e em razão do movimento de revolução da Terra, as ondas de radiação magnética, combinadas entre positivo e negativo, formam quatro tipos de combinações, o que se repete a cada ciclo de quatro meses. Essas partículas magnéticas emanadas são carregadas pelo vento solar e captadas pelo cinturão de Van Allen, filtrando-as em transportando-as para a calota polar norte. Essas partículas descem em forma de espiral até o pólo sul, permeando todo o planeta. Isso resulta em padrões magnéticos sazonais, com padrões se repetindo a cada quatro meses.

Isso é uma coisa interessante, pois abre uma perspectiva de uma explicação baseada em elementos científicos para a formação dos signos. 

Foi observado ainda, na década de 90, nas fecundações in vitro que existe uma mutação genética de DNA nos pré-embriões determinada pelos ciclos solares.

Isso, entretanto, requer muitos estudos ainda. Mas como essas coisas não tem interesse acadêmico, as instituições não colocam dinheiro para pesquisa. Precisaria pesquisar e muito.

Vocês vejam, como a comunidade científica não se interessa por essas coisas. Teve um pesquisador da Sorbonne, Michel Gauquelin, que realizou o trabalho de uma vida. A sua tese é conhecida por uma obra chamada “O Efeito Marte”. Ele fez uma pesquisa metodológica. Ele era um pesquisador e não astrólogo. Ele pega um grupo de 6 mil pessoas, atletas famosos nascidos nos últimos 200 anos, verifica na data de nascimento a posição de marte e ele consegue demonstrar que existe uma concentração bastante significativa de pessoas nascidas com marte na casa 10. Marte significa energia, ímpeto, e casa 10, astrologicamente, é a casa da profissão, do status. Mas é uma pesquisa que a comunidade científica não aceita. Chegaram até a argumentar que se a estatística comprovar a astrologia, ela passa a ser um método cientificamente não aceito.

Aqui [9a transparência] nós temos o zodíaco, que é uma roda que apresenta as constelações, com movimento anti-horário. Na elaboração de um mapa são consideradas também as casas terrestres, que são doze casas também. Cada casa tem duas horas. A primeira casa coincide com o momento em que o Sol está nascendo, representando um aspecto importante no mapa. A roda do zodíaco gira a razão de 12 meses, um signo para cada período de 30 dias aproximadamente, e a roda das casas a razão de 24 horas.

Por isso que é necessário conhecer o local e a hora precisa de nascimento da pessoa.

Mas por essas duas rodas articuladas [apresentadas na transparência] dá para calcular, sem muita precisão, o ascendente da pessoa, posicionando a roda do zodíaco no horário correspondente ao nascimento.

Mas isso só não é astrologia. No meio do mapa nós temos a terra, o Sol e todos os planetas em suas diferentes localizações, variando-se conforme a data em que está sendo observado. A partir do momento do nascimento, tem que saber onde estavam os diferentes planetas, associados com os signos e com as casas.

Então, a interpretação de um mapa considera os signos, os planetas e as casas, aspectos formados entre eles, regências. Cada signo, cada planeta e cada casa têm vários significados. No quadro ao lado coloquei uma tabela que apresenta para cada símbolo uma palavra-chave, embora existam várias palavras-chave que exprimem os significados arquetípicos.

Aqui [10a transparência] temos um mapa reproduzindo este momento, esta data de hoje e a hora de 21:30, embora já estejamos com 20 minutos de atraso. Esse é um mapa típico onde você vai fazer as análises, com as casas os signos e os planetas e cada combinação dessas resulta numa interpretação. Vamos pegar, por exemplo, Vênus de Casa 6, vamos pegar aqui na tabela no quadro ao lado. Vênus é afeição. Aqui só tem uma palavra, mas tem várias palavras-chave para designar Vênus. Vênus fala de afeto, de amor, beleza, sensualidade, harmonia e ela está conjugada com Casa 6, que diz respeito ao trabalho, serviço, saúde, então aqui você pode fazer uma interpretação, indicando envolvimentos românticos ligados ao trabalho ou condições de trabalho harmoniosas. A Vênus está posicionada no signo de Peixes [em exaltação] indicando que o princípio do amor aqui está bastante elevado.

Associando os significados arquetípicos de cada um desses elementos é que vai se construindo a interpretação do mapa. Nós dizemos o seguinte; isso aqui é um tabuleiro que representa a vida como se fosse uma peça teatral, onde os personagens são os signos, os papéis a serem desempenhados são os planetas e as casas os cenários, as situações. A intenção aqui não é de passarmos um curso de astrologia, mas sim os elementos básicos utilizados... 

Pergunta: O que vem a ser o ascendente?

Resposta: É o signo que está ascendendo no horizonte oriental, no momento do nascimento. Mas isso envolve cálculos matemáticos de certa complexidade. Para isso é necessário consultar efemérides e efetuar cálculos. O ascendente indica a persona, ou seja, os instrumentos que você utiliza para se relacionar com o mundo, é a nossa aparência, a forma de auto-expressão. Ele é um aspecto importante para a leitura de um mapa.

Pergunta: Persona é mascara; então eu tenho a personagem, eu tenho o eu e o que eu tiro disso para relacionar com meu ascendente? É isso?

O ascendente reúne as características que você utiliza, mas, pode ser que você não é aquilo que aparenta ser demonstra aquilo aparenta ser. O seu eu é o seu sol, é o seu signo. A sua emoção está relacionada com a lua. Você é geminiano e se o seu ascendente for pisciano, você vai utilizar esse instrumental. A personalidade de uma pessoa é um tanto que complexa. Muitas vezes passa uma vida inteira convivendo com uma pessoa e você não sabe quem ela é, o que pensa. Ela pode expressar reações, mas pode não estar revelando o seu mais íntimo ser. Pela astrologia se você tem um ascendente igual ao do próprio signo, ela vai expressar aquilo que ela é. Se você tem um ascendente de um outro signo, não é que você deixou de ser a sua essência, você vai continuar a ser aquilo, só que você utiliza determinados recursos adicionais ligados ao signo do ascendente.