| A Voz do Silêncio - O paradoxo da expectativa |
| Seg, 08 de Setembro de 2008 12:20 | |
|
Walter Barbosa, membro da SOCIEDADE TEOSÓFICA O filme "Poder Além da Vida" é uma dessas pepitas douradas que encontramos no caminho do auto-conhecimento. Conta a saga de um jovem talentoso que se prepara na condição de ginasta, obcecado, como todos, pelo ouro das medalhas. Cheio de convicções próprias, mas ao mesmo tempo insatisfeito, inquieto, encontra numa noite de insônia um homem simples, atendente num posto de gasolina, capaz entretanto de feitos extraordinários, como deslocar-se subitamente para cima de um telhado. O jovem atleta fica fascinado por tais poderes. Quer saber a origem deles, tornar-se discípulo daquele homem. Sendo aceito, a principal lição que tem de aprender é livrar-se de suas expectativas, deixar-se invadir e governar pelo fluxo das misteriosas energias que, brotando de todos os lados, providenciam esses inúmeros "milagres" que inconscientemente desfrutamos todos os dias, desde o nascer do sol. Contudo, não seria a expectativa justamente a mola mestra de nossa vida? O que pode restar do ginasta se retirarmos dele a esperança do troféu? A certa altura, com o pretexto de mostrar-lhe uma coisa importante, o instrutor conduz o jovem numa caminhada em meio a florestas, montes e descampados. Depois de horas de peregrinação e muita conversa, já impaciente, o moço pergunta se ainda falta muito para chegar. Tendo então atingido um topo - idêntico a tantos outros - o instrutor olha em volta, mostra-lhe a paisagem e diz "Já chegamos". "Aqui? Você me trouxe tão longe para mostrar isto?" pergunta decepcionado o discípulo. Percepção é tudo de que necessitamos. As coisas que nos cercam neste momento parecem ter-se juntado ao acaso ou, no máximo, sob o capricho de nossas escolhas. Mas, quando olhamos para trás e notamos as "coincidências" que pontilharam esse caminho, sobressai logo que um poder deve tê-las colocado ali, meticulosamente planejadas no sentido de nos proporcionar uma parte das muitas experiências que nos faltam. Outra conseqüência desse poder tão evidente - e ao mesmo tempo intangível - é o fato de que jamais estamos isolados, ainda que únicos e auto-suficientes em Espírito. Na medida em que nossas necessidades arrefecem, afastando-nos da multidão - que se une pela busca de satisfação mútua - cresce por outro lado a solidariedade sob o impulso da doação incondicional. O eu "egocentrado" dá lugar ao eu "teocentrado", que não disputa nem se angustia, simplesmente porque não precisa de coisa alguma, reconhecendo que já "é" tudo. Diante disso, perguntamos: o que está fazendo o ginasta diante do seu instrutor? Se ele persegue medalhas, o que deve aprender com alguém que ensina o distanciamento da expectativa, em último caso, até mesmo a inutilidade de lutar por medalhas? De acordo com o épico "Bhagavad-Gita", o que está sendo ensinado é a "habilidade na ação", algo que surge quando deixamos que lute apenas o guerreiro em nós, limitando- nos a observar. Livre de nossa expectativa, o guerreiro pode agir, em lugar de reagir. O resultado é chegar-se à ação perfeita, não condicionada pela mente, fazendo-se o melhor não para superar o outro, mas a nós mesmos, pela conexão com nossa essência divina. Neste momento, porém, o jovem ginasta encontra-se frustrado no topo daquele monte comum, tendo o instrutor à sua frente. E este lhe lembra o quanto ele parecia contente até pouco tempo atrás, enquanto desfrutava a caminhada. A caminhada! Um sorriso brotou nos lábios do jovem e seu rosto se iluminou. A importância estava na caminhada! Sentou-se então no topo daquele monte e desfrutou a oportunidade maravilhosa de estar ali. CURSOS E PRÁTICAS - Meditação, Astrologia, Hatha-Yoga e Yogaterapia. Palestras públicas aos sábados, 18 horas, na R. Pernambuco, 824, S.Francisco. Campo Grande-MS Tel.: (67) 9988-1010. |
|
| Última atualização ( Seg, 08 de Setembro de 2008 12:23 ) |



