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"Ninguém vem ao Pai senão por mim"
Qui, 16 de Outubro de 2008 17:01

"Ninguém vem ao Pai senão por mim"

Walter Barbosa, membro da SOCIEDADE TEOSÓFICA

Na perspectiva cristã Jesus é considerado "filho unigênito", ou seja, filho único de Deus. O Mestre - encarnando o Instrutor do Mundo no corpo de Jesus, a partir do batismo por João - parece confirmar isso ao dizer "Eu sou o caminho, a verdade e a vida. Ninguém vem ao Pai senão por mim". Com esse "vem", em lugar de "vai", sutilmente é informada sua condição de Unidade com o Pai, repetida em outra conhecida frase: "Eu e o Pai somos Um".

Já a Teosofia ensina que cada ser humano "é" Deus, como Espírito Individualizado, da mesma forma que existe uma árvore "embutida" na semente da própria árvore. Aí, justifica-se dizer "é", em lugar de "será", porque o Espírito (que realmente somos, e não o corpo) está e sempre esteve em comunhão com o Pai. Ele não se mistura com as impurezas dos corpos inferiores de cada vida física (o que é uma garantia da própria evolução).

Assim, a diferença entre o estado potencial de ser, da "semente-Deus" humana, e o estado auto-realizado do "Homem-Deus", é só uma questão de reconhecimento daquilo que "já se é", mas como fruto da experiência de Ser no próprio ventre da Matéria - a "Virgo-Mater" cristã. Aí o Ser obtém corpos para poder atuar, espelho para se auto-conhecer e resistência onde embasar seu próprio crescimento (sem oposição o crescimento é impossível).

Tal experiência se desenvolve pelo trabalho interno, no teatro da mente, onde Espírito e Matéria vivem seu namoro milenar. O fruto desse namoro é a elevação do estado vibracional de nossos corpos ao longo de muitas vidas, culminando na "iluminação" ou "auto-realização" por meio de um esforço especial. A luz espiritual tem que se manifestar através desses corpos. Os desejos - geradores de apegos - têm que ser superados e a mente purificada como um cristal, para que a luz do "Deus Interno" possa atravessá-la livremente.

Houve uma época em que a palavra das autoridades religiosas determinava o limite das especulações intelectuais sobre os mistérios da vida, o que só começou a mudar a partir das constatações objetivas provocadas pela Ciência. O ano de 1514 marcou um desses momentos.

Naquele ano, o astrônomo Copérnico divulgou a idéia do "heliocentrismo", afirmando que a Terra se movia em torno do Sol, contrariando o ensinamento bíblico de uma Criação centrada na Terra como planeta fixo, tudo girando em torno dela (geocentrismo). Copérnico não foi incomodado pelos tribunais da Inquisição. Já Galileu, quase cem anos depois, ao defender a tese do colega, teve que retratar-se publicamente para não morrer queimado. Conta-se que enquanto negava o movimento da Terra, dizia entre dentes: "Contudo, ela se move!".

Na perspectiva esotérica, os livros sagrados são considerados repositórios de verdades eternas. Contudo, já que o Divino Instrutor veio para "todos", essas verdades são expressas em diversos graus, desvelando-se os mais profundos apenas sob a lente do estudante sério. A questão do geocentrismo bíblico pode ter explicação nessa mesma perspectiva.

Segundo o teósofo C.W.Leadbeater, nossa morada planetária é o globo mais denso no chamado "esquema da Terra", sendo em razão disso o ponto focal da evolução em um grupo restrito de 7 planetas dentro do Sistema Solar, sendo alguns visíveis e outros não. Esse Sistema abrigaria outros esquemas além do nosso, alguns mais adiantados como o de Vênus.

E quanto à questão de ser Jesus o "filho unigênito"? É afirmação ligada ao dogma, tomando o Cristo, Instrutor do Mundo, como o Cristo Cósmico ("único nascido" na condição de 2ª Pessoa da Trindade Cristã, segundo C.W.Leadbeater). Contudo, para quem sabe ler, a própria Bíblia contém indicações mais esclarecedoras. Numa delas, Paulo diz: "Filhinhos meus, por quem volto a sofrer dores de parto, até que Cristo seja formado em vós". É esse o Cristo referido na frase "Ninguém vem ao Pai senão por mim", pois a condição crística é o matrimônio indissolúvel entre Espírito e Matéria, ao final de nossa jornada no reino humano.

Não há como ir ao Pai senão através do Cristo, que se encontra crucificado na carne em cada um de nós. Por sinal, eis aí um significado oculto na Crucificação do Senhor.

CURSOS E PRÁTICAS
- Meditação, Teosofia, Astrologia, Hatha-Yoga e Terapia-Yoga. Palestras públicas aos sábados, 18 h, na R. Pernambuco, 824, Campo Grande - MS, S.Francisco. Tel.: (67) 9988-1010.