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Ciência e religião
Qui, 27 de Maio de 2010 13:13

Walter Barbosa, membro da SOCIEDADE TEOSÓFICA

Segundo Albert Einstein, “A ciência sem religião é aleijada; a religião sem ciência é cega”. Autor de parâmetros científicos situados além das possibilidades de comprovação de seu tempo, Einstein transcendia os domínios do intelecto, considerando que este só conclui algo partindo de coisas conhecidas. Teria sido Einstein um “guru” da ciência, estabelecendo um traço de união entre ela e a religião, essas duas forças por tanto tempo antagônicas?

Contemporâneo de Einstein, Max Planck - considerado “pai da Física Quântica”, onde os determinismos da mecânica clássica caem por terra - diz: “A ciência é incapaz de resolver os mistérios finais da natureza, porque nós somos parte da natureza e, portanto, do mistério que tentamos resolver”. A expressão “somos parte da natureza” encontra eco na Teosofia desde que nos identifiquemos com o intelecto, pois o finito não pode conter o infinito. Mas o que sucederia se entendêssemos que somos bem mais do que “natureza”?

Na questão que envolve a tentativa de estabelecer relações entre ciência e religião, parece que nosso erro primário está na distinção que fazemos entre o homem espiritual e o mundano, separando também suas criações. Corrigindo isso, o filósofo búlgaro Omraam M. Aïvanhov observa: “A ciência, bem compreendida, só pode ajudar os crentes a concentrarem-se no essencial. Assim como a religião, se bem compreendida, dá à ciência a sua verdadeira dimensão. Cada uma delas tem a sua própria função e, desde já, devem coexistir um religioso e um cientista em todo ser humano”.

Por outro lado, Einstein diz: “A ciência nos afasta de Deus, mas a ciência pura nos aproxima de um Criador”. Qual seria a distinção entre “ciência” e “ciência pura”? Talvez o fato de a segunda se libertar da arrogância de querer definir tudo e, pior, achar que resolveu o mistério quando apenas lhe deu um nome.

Conforme já comprovado por muitos místicos, na medida em que nos libertamos das definições, mergulhando no próprio mistério, a realidade que ele oculta brota em nossa mente de maneira espontânea, vindo de algum lugar “além”. E essa auto-entrega do mistério aos olhos que se entregam a ele, não chega necessariamente por meio de palavras, como também reconhece Einstein. Pode ser uma “percepção sem palavras” - a percepção pura - denominada “experiência direta” pelo teósofo indiano I. K. Taimni, como fruto da vivência espiritual, da consciência intuitiva (Autocultura à Luz do Ocultismo, Editora

Para alguns pensadores, a condição de “religiosidade” é mais importante do que a religião. Cria-se, aí, um efeito interessante: o homem pode transcender os limites impostos pela religião, como forma de controle, o que sempre foi causa de conflito com a ciência. Daí o radialista Sérgio Reis, depois de confessar-se como “um dos milhares de católicos não praticantes neste mundo de Deus”, dizer: “Acredito em Deus como uma força superior. Acredito na vida depois da morte. Acredito na reencarnação, misturando nessas minhas crenças as verdades do cristianismo e do espiritismo” (O Caminho de Santiago, Editora Artes e Ofícios).

Enfim, corroborando Planck, vemos que o cientista - capaz de realizações extraordinárias, desde a colocação de um homem na Lua até o mergulho na estrutura do DNA - não consegue, porém, fabricar uma semente, com sua capacidade de germinação. Esse milagre que na forma de um “simples” grão de arroz, por exemplo, colocamos em nossa panela todos os dias.

ATIVIDADES – Curso “Introdução à Teosofia e Meditação” (gratuito), práticas de Yoga. Palestras aos sábados, 18 horas, na Rua Pernambuco, 824, São Francisco. No site “www.educbesant.org.br” participe do “Fórum de Mães e Pais”, ajudando a construir caminhos de maior consciência para o trabalho educativo. Contatos: (67) 9988-1010.