| O que é a irracionalidade? |
| Qui, 27 de Maio de 2010 13:42 | |
Walter Barbosa, membro da SOCIEDADE TEOSÓFICAAtribui-se ao filósofo grego Aristóteles a afirmação “O homem é um animal racional”. A não ser pela “racionalidade”, a frase justapõe dois reinos completamente distintos: o animal e o humano, certamente tomando o corpo do homem – herança do arquétipo animal – como o próprio homem. Essa visão arrasta-se através dos séculos, considerando que a humanidade quase toda confunde a si mesma com seu corpo. A Ciência é algo muito próximo da lógica, da razão, ajudando na percepção dos fatos. Contudo, freqüentemente suas conclusões são alteradas por novos conhecimentos, mudando a interpretação dos fatos. Então essa lógica é também limitada, havendo algo além dela que se chama “razão pura”, situada nos domínios do Espírito, como a própria essência da razão e do conhecimento. A irracionalidade opõe-se à razão, sendo definida como “superimposição da mente” por Rohit Mehta na obra “Yoga, a arte da integração”, onde são analisados os Yogasutras de Patanjali, elaborados há mais de 25 séculos, dando os fundamentos essenciais do Yoga (Editora Teosófica). Tal superimposição atropela os fatos, aquilo que “é”, colocando em seu lugar o que a mente vê (o olho apenas registra a imagem, quem vê é a mente). Estamos numa condição e agimos como se estivéssemos em outra – às vezes oposta – sendo exemplo clássico o homem que se encontra diante de uma corda e teme uma serpente. Apesar de criar o nada, isso não vem do nada. Origina-se em tendências viciosas da mente, adquiridas no passado, gerando, ao lado da memória, o banco de dados do comportamento e de sua condição reativa (segundo Mehta, tal característica permeia os atos da maioria das pessoas, geralmente por incapacidade de estar no agora). Ao mesmo tempo em que a memória é importante para auxiliar nas decisões do presente, dependendo de suas impurezas ela se torna fonte de irracionalidade e reatividade. Seus mecanismos de antecipação do prazer (ou da dor) turvam-nos a percepção do real, como acontece nas situações de medo, paixão, raiva e ciúme. No tocante aos vícios a irracionalidade é muito ativa, contrariando a lógica da boa convivência com as pessoas e com o “dharma” do corpo (dharma no sânscrito é lei, dever, significando, no caso do corpo, suas propriedades essenciais e o que elas exigem de nós em questões como alimento, descanso, higiene, uso das energias e sexualidade). Em uma de suas definições, vício “é a inclinação para o mal”, representando então o oposto da virtude. Não apenas fumar ou ingerir drogas é vício, mas toda prática que aprofunda a negação de nossa natureza divina, aumentando – pela supervalorização da posse e do prazer – nossa ligação com os parâmetros do mundo, onde Lúcifer, o “Portador da Luz”, está encadeado conosco. Isso nos lembra o Mito de Prometeu. Referindo-se à “Queda dos Anjos”, aquele mito narra que Prometeu rouba o fogo do Olimpo – de uso exclusivo dos deuses – para entregá-lo aos homens, ficando em razão disso preso a uma rocha onde um abutre lhe devora continuamente o fígado, que se regenera. O “fogo” é a mente acrescentada ao reino humano na 3ª raça-raiz, acelerando-lhe a evolução. Nesse processo a mente atua voltada para fora, sustentando o ego. Então, qual é a natureza do mal? Como diz Helena P. Blavatsky em “A Doutrina Secreta”, é apenas a “ausência do bem”, não tem existência além do ego humano, onde sua força se baseia na ilusão de estarmos separados uns dos outros. Dessa ilusão nasce também a irracionalidade, às vezes tornando-nos menos lúcidos que os próprios animais, apesar do Deus Pessoal que em nosso coração nos distingue deles. Por isso na meditação trabalha-se de maneira direta com a mente, forçando-a de volta para o interior, de forma a restabelecer nosso autoconhecimento como Luz e Poder. ATIVIDADES – Aulas de Yoga Clássico. Novo curso: “Meditação: Saúde e Consciência” (16h00) e palestras públicas (18h00) aos sábados, na Rua Pernambuco, 824, São Francisco. Em 10/3, Erlinda Martins Batista com o tema “Ser verdadeiro em tudo”. No site www.educbesant.org.br acesse o “Fórum de Mães & Pais”. Inf.: (67) 9988-1010. |



