| Autotransformação e a Vida Espiritual |
| Seg, 30 de Junho de 2008 19:46 | |
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Autoconhecimento para a Libertação da Consciência Algum tipo de busca ou necessidade ou carência não pode ser satisfeito nem por atividades física no plano físico, emocional, mental e social. Essa busca para a vida espiritual demanda dois tipos de trabalho e esses dois procedimentos estão representados nesse slide (mostrando slide contendo a triângulo superior e o inferior). Suponho que a maioria de vocês conheça todos estes níveis, dos quais trata a Teosofia, da condição humana de consciência. E os três inferiores representam assim a nossa personalidade, e o triângulo que aponta para cima representa, a nossa natureza superior, ou espiritual, incluindo a mente superior ou abstrata. Na maioria das pessoas, este triângulo que aponta para cima, ainda não está desperto, às vezes, porém há alguma atividade mental abstrata ou superior. O que é mais comum nas pessoas, e mais forte, é sua personalidade, tanto quanto os hábitos físicos, ou mente concreta. Existe um momento em nossas vidas em que eventualmente desperta esta chama espiritual superior, e isso é o início de nossa busca espiritual, e esse é o início do conflito entre a nossa natureza mais profunda e a personalidade mais externa, pois esta personalidade desenvolveu uma série de condicionamentos e padrões que estão em conflito com as necessidades superiores da consciência. Então os dois trabalhos da vida espiritual são o despertar a natureza superior e adquirir controle ou purificar a inferior. Então neste slide mostramos simbolicamente a personalidade com alguns condicionamentos na zona correspondente ao vermelho, e o triângulo branco indica potenciais de natureza espiritual. E esses são os condicionamentos psicológicos desde a infância até o momento presente. Isto abrange coisas como preferências de gostar e não gostar, medos, preocupações, ressentimentos e iras, nossa tendência à depressão ou a excitação. No nível superior nós temos, então, valores superiores, a mente impessoal, portanto a consciência transcendente ou espiritual. A pessoa comum ou mediana tem uma fração de consciência deste conjunto. Enquanto nós não somos conscientes destes outros fatores, ou mesmo dos condicionamentos, não somos capazes de removê-los. Portanto, uma parte importante da remoção dos condicionamentos é um tipo de autoconhecimento que vem da autopercepção. Por exemplo, muitos destes fatores de condicionamentos estão em conflito entre si e nem sempre somos, sequer, conscientes destes conflitos internos. Se eu começo a me tornar consciente pelo menos de alguns condicionamentos, começo a poder trabalhá-los no domínio ou controle, mas devemos ter consciência que a própria tomada de consciência não é o mesmo que o conhecimento, ou percebimento. Quer dizer que saber que está irritado, ou irado, isso não é o mesmo que estar despertamente consciente que se está irritado. É preciso notar que há uma diferença entre conhecimento ou estar consciente. Vou falar mais a respeito sobre este assunto depois. Na medida que posso expandir esta consciência, as minhas condições de autodomínio vão ficando mais eficazes. Então na medida que eu também venha a expandir a percepção da nossa natureza interna aí começo ter este autopercebimento espiritual além do autopercebimento no nível da personalidade. Na medida em que se passarem 10 ou 20 anos, vamos começar a ter essa percepção do conflito mais nítido entre a natureza espiritual e a pessoal. Por exemplo, posso ter o desejo de sentir aquela paz interior, mas a personalidade não deseja ficar silenciosa. O objetivo da vida espiritual é tornar-se consciente da maior parte possível da nossa natureza, tanto superior como inferior. Isto é o que é geralmente chamado de expansão da consciência. Então esta noite gostaria de discutir um pouco deste conflito entre o superior e o exterior na nossa consciência, e o que podemos fazer para resolver o conflito. Se formos bem sucedidos neste procedimento teremos integração entre o superior e inferior simbolizado pelos dois triângulos entrelaçados pela estrela de seis pontas. Pode-se observar, no próprio símbolo da Sociedade Teosófica, a integração dos dois triângulos entrelaçados. O que significa que o objetivo da vida espiritual não é simplesmente abandonar os problemas da vida mundana, mas integrar ambas as características. Despertando a natureza do triângulo superior seríamos capazes de nos integrar e viver plenamente a vida mental, emocional e física da personalidade. Na noite de ontem (12/07/07), dei exemplos de alguns tipos de conflito, quando nós sentimos ira ou irritação e naquele momento não é possível expressar amor, pois a ira tem uma tendência a machucar e o amor é exatamente o contrário. Então para que o amor possa florescer em nossas vidas, a ira deve desaparecer. É possível ser eficaz na vida sem nenhum tipo de ira? Particularmente quando temos que dirigir negócios com pessoas que estão sobre as nossas ordens. Eu diria que sim, pois já vi este desenvolvimento em algumas pessoas. Eu conheci um senhor com experiência de mais 30 anos, gerenciando duas empresas com mais de 700 pessoas, e por mais de 15 anos com muito sucesso, e nunca o vi irritado uma única vez sequer. Ele era capaz de lidar com os problemas das pessoas sem ficar irado. Temos que entender que um destes dois opostos tem que ir embora, não podem conviver, desenvolver-se simultaneamente e o nosso ser superior interno representado pelas letras brancas e as características de autodefesa com as letras vermelhas brancas (mostrando um outro slide). Por exemplo, queremos serenidade e paz mental, mas toda vez que ocorrer o medo, a serenidade não é possível. Pode ser qualquer tipo de medo, e pode ser medo de cobras, de altura, de falar em público, medo de pessoas ou de ser rejeitado, medo da morte, medo de fracassar, medo de doenças. É possível viver a vida sem este tipo de medos? Vocês sabem qual é o medo número um dos seres humanos? Qual é a opinião da platéia? Auditório: Morte, solidão, falar em público.... São opiniões. O número um, segundo os psicólogos, é o medo de rejeição e assim falar em público se enquadra nesta categoria, como o medo do fracasso, medo da crítica, o medo do que as pessoas vão dizer, e esses medos são adquiridos e da mesma forma podemos deixá-los ir embora. Vou falar um pouco como manejar estas coisas, a maioria destes problemas gira em torno de um centro em nós que chamamos de ego psicológico, e é natural em nós estruturalmente sendo, em nós, autodefensivo. É muito útil, pois nos protege na medida que vamos nos desenvolvendo, mas a partir de um certo ponto se torna daninho e temos que nos livrar dele, e o egoísmo é aquilo que chamamos de pessoal. Temos que aprender uma vida pelo ângulo impessoal. É possível tornar-se impessoal e ainda assim sentir amor. A maioria dos seres humanos de uma série de padrões reações automáticas, os chamados “push-buttons”, e que eles podem ser disparados por algo visto, ouvido ou lembrado. Por exemplo, tenho um amigo que tem medo de cobras. Alguém de vocês tem medo de cobras? Tem pessoas que tem dificuldades em assistir até na televisão. Alguém? É importante ter consciência que a cobra na televisão não pode nos causar dano e mesmo assim, esta pessoa que tem esta fobia, não consegue assistir a cobra na televisão e ficar relaxado, e como se ao ver a imagem, apertasse o botão, “push-button”, da reação. É mais um processo que se torna defensivo pelo simples fato de lembrarmos do assunto, o meu amigo tinha medo até de comer espaguete, agora tem próximo dos 50 anos, mas quando era jovem tinha dificuldade até para escrever palavras que continham o “S”, pois o “esses” eram pulado por parecerem como cobras. E vejam que era um processo muito automático. Uma pessoa não tem a decisão sobre o que pode ter medo ou não. Nós todos temos uma série de reações padrões. Alguns gostam da cor azul, outros não, do presidente e outros não, de um filme no cinema e outros não. Temos inúmeros tipos de gosto e isto está dentro de nós de uma forma automática, e todos esses botões de reações automáticas. “Push-buttons” precisam ser revistos e se necessários, neutralizados ou substituídos. Então, aqui são os indicadores de stress: Medo, irritação, ressentimento, solidão, culpa e aversão. Todos eles são botões capazes de disparar uma reação automática. É importante tomar consciência que se fossemos capazes de remover estes botões à causa da infelicidade desapareceria. Todo eles estão acompanhados de algum tipo de tensão ou stress. Como vamos manejar esta situação? Quando chega ao nível físico de tensão ou stress, existe uma maneira muito eficaz de lidar com isto que depende da tomada de consciência e da respiração. Por exemplo, estão prestando atenção nas minhas palavras e vendo os diagramas, gostaria que tomassem consciência, da cabeça aos pés, do corpo de vocês. Tente sentir se há alguma zona de desconforto no corpo, mas não tente removê-lo. Tente respirar profundamente e sentir o desconforto. A partir do abdômen inspire e exale, quando inspirar sinta o desconforto e ao espirar o resto do corpo e verão que mesmo sem remover o desconforto ele passa a ficar diferente. Se passarem a fazer isto todos os dias e tomarem consciência deste processo a cada hora, vão descobrir que o nível de stress vai diminuir e que não vão ficar tão cansados no fim do dia, isto pode ser feito por qualquer em relação aos desconfortos físicos. Vamos agora verificar a questão das emoções. Eu fui convidado para vir ao Brasil pela Sociedade Teosófica no Brasil para apresentar um seminário de Autotransformação, inclusive o livro vai ser lançado aqui na segunda dia 23, fazendo então aqui divulgação do livro neste tema. Eu e meus colegas estamos conduzindo esse seminário pelos últimos 15 anos, e temos encontrado quase todo tipo de problemas emocionais nas pessoas: a ira, a depressão, mágoas, ódio e temos visto como é possível isto desaparecer a partir do autopercebimento. É sempre possível descobrir que o medo gera um tipo de desconforto físico. Se não existe o desconforto físico então não existe o medo. Também quando existe a ira algum tipo de desconforto físico aparece. Então se não aparece o desconforto físico a ira também não aparece? Aqueles que tem medo de cobra e conseguem olhar para ela, ele ainda está sentindo medo dela? Ou seja, o que nós chamamos de medo é uma reação fisiológica a alguma coisa. Quando a reação fisiológica desaparece também o medo desaparece. Mesmo quando a pessoa possa estar em perigo não existe o medo. Eu perguntaria em que parte do corpo você sente o desconforto quando eventualmente temos medo de cobra, falar em público, de altura... Alguém fala que é no estômago? Nós não temos tempo para fazer um exercício, então, deixe-me explicar como funciona para que vocês pratiquem em suas residências. Supondo que haja este desconforto no estômago, o que a pessoa pode fazer? Quando se inspira o ar profundamente tente tomar consciência do desconforto sem tentar alterá-lo, não tente removê-lo e depois de um minuto já se começará a ter uma sensação de movimento. Se for duro vai relaxar, pode até se expandir, poderá sentir uma corrente passando pelos braços quando isto se move para os braços ou mãos se sente um formigamento ou agulhadas, ou até produzir tensão nos dedos e as mãos e chega até a ficar muito cerrada. Mas não se preocupe ao observar isto, pois é apenas a liberação da energia que estava presa no estômago. Às vezes fica entre 20 e 30 minutos, ou apenas 5 minutos, mas depois desaparece e aparece um relaxamento e se for necessário pode-se repetir o exercício. Suponhamos que estejamos olhando uma gravura de cobra e temos esta reação e através deste processo, da retomada da consciência pela respiração, observando a imagem a reação vai desaparecendo, e depois de relaxar olhe novamente para a figura da cobra. Se ainda houver a reação repita o processo duas três ou quatro vezes até que não haja a reação mais. Em alguns casos este processo pode demorar até uma hora. A pessoa pode ter tido este medo durante 30 anos e perdê-lo em uma hora. Eu sei que estou reivindicando algo poderoso, mas temos feito por muitos anos. Pode-se relacionar também com o ódio. Pode ser um ódio de 20 anos de alguém, pode ser cinco dias atrás, quando se sente ódio ou ira se pode sentir isto no seu corpo. Tente sentir em que parte do corpo isto está estabelecido. Se estiver na cabeça em que parte da cabeça, tem a forma de uma linha ou dum circulo, é fino ou espesso, é mais duro ou mais suave? Isto é a tomada da consciência da reação física, e é este é o caminho que aquela energia congelada aos poucos desaparece. Na vida espiritual a remoção destas áreas de reação são muito importantes. Na tradição da literatura Teosófica existe um importante livro chamado “Luz do Caminho” as palavras iniciais deste livro são as seguintes: “Antes que os olhos sejam capazes de ver eles devem ser incapazes de lágrimas”, a minha interpretação desta frase é de que antes que nossos olhos possam ver a realidade eles devem ser incapazes de reações emocionais. Quando eu vejo você através da ira eu não vejo você realmente. Quando eu vejo o meu filho com muita afeição, não vejo propriamente meu filho. Pois a verdadeira realidade é que todas as crianças são crianças iguais ao meu filho. Mas as minhas emoções me fazem amar o meu filho e não o seu. Então eu não estou vendo a realidade das pessoas como são. Se tiver ódio de uma pessoa, não posso realmente ver como esse alguém é, vejo com lentes vermelhas, e toda a vez que penso naquela pessoa fico irado. Assim fracassamos em compreender aquela pessoa. Também diz o livro: “Antes que os ouvido sejam capazes de ouvir eles devem perder a sensibilidade”. Pois, quer dizer que sou emocionalmente afetado pelo que vocês dizem. Suponhamos que estão me criticando em algo verdadeiro. Se eu tiver esta sensibilidade pessoal não sou capaz de ouvi-los, porque eu tentarei me defender ou mesmo atacar a você, mas se não houver esta sensibilidade pessoal poderei compreender vocês completamente. Se vocês estiverem com a razão eu aceitarei e agradecerei, mas se não for verdadeiro e perceberei que vocês estarão mal informados. “Antes que a voz seja capaz de falar na presença dos mestres ela deve ter perdido a capacidade de ferir”. Antes de ter a capacidade de nos expressar, e falar temos que ter perdido a capacidade de ferir. Portanto, são os nossos sentimentos de ira e ressentimento que tem a capacidade ferir aos outros. “Antes que a alma o possa permanecer na presença dos mestres seus pés devem ser lavados no sangue do coração”. Através da experiência da dor e do sofrimento nós podemos aprender a não ter mais esse sentimento de ressentimento e ira. Então, a nossa primeira tarefa é remover esses elementos de ira e de ressentimento da nossa personalidade. E isto não é apenas útil para a nossa vida espiritual é útil em qualquer sentido da nossa vida diária. Na relação com a esposa e marido, com filhos, na educação entre professores e alunos, e em relação aos colegas de trabalho. Falamos do nível físico e emocional. Agora vamos falar do terceiro que é o mental. Aqui há dois níveis. O primeiro é a atividade mental sendo usada como uma âncora. A mente comum não tem autodisciplina, de modo que ela salta de um assunto para outro sem controle. Se vocês experimentarem sentar por alguns minutos e a tentem ficar silenciosos mentalmente, verão que o pensamento ficará pulando de um lado para outro sem controle, mesmo querendo parar, não para. Deste modo a mente se assemelha a um máquina que automaticamente está produzindo pensamentos de si mesmo e não sabemos onde está o botão de desligar desta máquina. E nos não sabemos onde está o botão de desligar desta máquina. Esta observação é algo muito importante, por que se não somos capazes de controlar nossos pensamentos e isso significa que somos incapazes de controlar as nossas vidas, porque o que vamos fazer amanhã ou no ano que vem será sempre resultado dos nossos pensamentos. Então, se o controle do nosso pensamento está além das nossas forças também a nossa vida está fora do controle. De modo que se nós quisermos dirigir o nosso destino temos que adquirir controle do nosso pensamento. A maioria de nossos conteúdos mentais foi inserida desde a nossa infância e segue até hoje, portanto estes pensamentos que costumam aparecer são apenas pensamentos que já estavam acumulados. E muito destes pensamentos nem sequer são úteis, mas se não temos consciência deles, tampouco podemos removê-los. Por isso que a meditação é tão importante, vamos começar a tomar consciência de quais são os pensamentos que estão em harmonia com a nossa natureza superior e quais não estão. E podemos usar na meditação se permanece como uma palavra ou uma imagem na nossa cabeça e se mantenha um foco neste ponto, palavra ou imagem, mesmo que outro pensamento queira invadir. Por exemplo, a pessoa escolhe o foco da respiração ou usar a palavra um quando de inspira ou dois quando se expira, então quando a mente começar a fugir, apenas preste atenção na respiração e na contagem. E se o pensamento fugir cem vezes, traga-o de volta cem vezes gentilmente, e se perceberá que a mente vai se tornar, depois de algumas semanas ou meses, autodisciplinada. Aí nós estaremos prontos para o segundo estágio. É um tipo de tomada de consciência sem esse processo de controle, para que se possa andar a cavalo primeiro tem que se dominá-lo, mas uma vez que ele está domesticado não há necessidade de contê-lo. Ele não vai saltar. O nível superior é o de tomada de consciência sem foco em qualquer objeto. Alguns de nós temos estudado os escritos de Krishnamurti e ele não gosta de nenhum método ou técnica, e fala desse percebimento integrado. Mas muitas pessoas não têm energia para fazer isso, pois maior parte da sua energia está dissipada, então em primeiro lugar a pessoa precisa iniciar autodisciplina pela tomada de consciência. O estágio final deste processo inicial é a tomada de consciência do centro do ego, e esse centro do ego é a fonte do apego e ao tomar consciência deste ego psicológico se pode transcendê-lo, e desaparece o interesse superficial de pessoas, objetos ou coisas assim se começa a ver as coisas como elas são. Estão, deixe-me referir ao “Luz no Caminho” sobre alguns pontos. O objetivo da vida espiritual é o desaparecimento deste ego pessoal, e este é um estágio que torna possível agir e viver no mundo e essas passagens de “Luz no Caminho” falam de importante ponto de ação no mundo. Esta é uma das situações que mais me influenciam pessoalmente. Diz: “mata a ambição, mas vive como aqueles que trabalham pela ambição”. Como pode uma pessoa trabalhar com intensidade se ela não tem ambição? Qual será a motivação da ação. A ambição pessoal vem da triângulo vermelho, ou personalidade inferior de modo que se para pessoas comuns se não houver ambição do ego pessoal, não há movimento, mas quando há o despertar do eu superior do triângulo branco algo diferente acontece, neste nível mesmo até quando não há ambição, alguma coisa se move. Encontrei entre os livros do Antonio Carlos (Terezo) um trabalho sobre Ghandi. Ghandi era uma pessoa que não tinha mais o ego pessoal, ou havia diluído e ainda assim era um dos caracteres mais fortes do último século. Para ele pessoalmente não era importante se ele iria falhar, não importava pessoalmente se ele ia para a prisão, se iria morrer, então seu interesse pessoal era praticamente zero, e ainda assim que ele trabalhava com mais intensidade e eficazmente do que pessoas comuns. Temos então um exemplo de pessoas que não trabalhavam por ambição pessoal, mas trabalhavam com mais intensidade do que a maioria de nós. Ghandi era movido por algo mais, porque algo superior nele estava desperto. Não era movido por desejo ou ambição pessoal, mas uma visão superior da realidade. Aqui também é dito “mata o desejo de viver, mas respeita a vida como aqueles que desejam viver", "mata o desejo de conforto, mas seja feliz com aqueles que vivem para a felicidade”. Fala-se também sobre o desejo pessoal pela vida ou pelo conforto. E existem ouras afirmativas na Luz no Caminho deste tipo, também diz: “não se envolva na batalha que está por começar e ainda que tu lutes não sejas o guerreiro, procura o guerreiro e deixa que ele lute em ti, tome as ordens para a batalha e obedeça-as, obedeça a ordem não como se fosse um General, mas como se ele fosse tu mesmo, porque ele é tu mesmo, mesmo que infinitamente mais sábio e infinitamente mais forte que tu mesmo, mas o procura por ele mesmo na febre e na pressa da batalha, de maneira que possas passar pela batalha, para não perder a capacidade de vê-lo”. Tudo isto está a indicar que temos algo muito mais eficaz que o ego pessoal, mas primeiro a personalidade inferior precisa se tornar silenciosa e transparente, de outra forma não poderemos ouvir a silenciosa voz do eu interior. Vamos fazer assim uma síntese da transformação da pessoa, do nível físico, emocional, mental pessoal, mental sutil, e do eu superior. Precisamos conquistar todos estes níveis até chegar ao centro do ego, e usamos estes métodos para chegar lá. Nós vamos de um nível de falta de autocontrole e consciência limitada da personalidade para um nível de alto domínio e autocontrole estimulado pela percepção espiritual. O processo de tomada de consciência e purificação pode ser como científico, quando se observa e se compreende o processo e os obstáculos podem ser neutralizá-los. Esses princípios são conhecidos por milhares de anos e não são, evidentemente, um segredo. O que realmente importa é nossa decisão pessoal de empreender esta tarefa. Então, eu vou parar por aqui e abrir o espaço para perguntas. Pergunta: Qual sua formação escolar, sua educação, profissão? Resposta: Meu formei em Economia, sou empresário e temos trabalho na manufatura. Eu descobri que as tarefas da minha vida diária poderiam ser muito úteis para minha vida espiritual. Como posso dirigir um negócio sem sentir que o concorrente é um inimigo, e mesmo ter amigos entre eles? Como enfrentar os problemas da administração sem sentir stress ou infelicidade? Como pode se obter tranqüilidade na mente e no coração mesmo enfrentando problemas? Então, podemos descobrir que o melhor lugar para crescer espiritualmente não é nas montanhas, meditando, mas entre as pessoas, no mundo. Então, creio que se formos capazes de fazer isto, vamos crescer ainda mais rapidamente. Pergunta: Tem alguma conexão desta palestra e as escolas que você administra na Filipina? Resposta: Nós temos, como mencionamos, cinco escolas que administramos com a Sociedade Teosófica nas Filipinas. Estruturamos as escolas de maneira que não houvesse danos, ou traumas, as crianças. As escolas de modo tradicional usam o medo para forçar a estudar e assim as crianças se esforçam por passar nos exames mesmo não compreendendo o assunto. Nossos professores são treinados para despertar o interesse dos alunos nos assuntos sem usar a pressão do medo, de modo que não usamos notas, medalhas ou honras ao mérito para motivá-las. Existem momentos que todos falam em público, sem exceção, desde os 3 até os 18 anos, cada um sobe ali, no palco, e fala alguma coisa. A autoconfiança que a criança assim desenvolve é muito diferente. Assim nós evitamos que as crianças sejam pressionadas e desenvolvam aqueles botões que mencionávamos antes, de modo a não ter medo do público, de erros ou de falhas, e nós tentamos evitar muitos dos problemas que temos agora, quando adultos. As crianças às vezes ficam com medo de raios e trovões, ensinamos a elas a ouvirem e assistirem isto sem sentir medo e elas aprendem a apreciar a natureza, os insetos, sem querer matá-los. Uma das conseqüências é que eles amam a escola e aparecem por lá mesmos nos feriados. Alguns alunos chegam uma hora antes só para estar na escola. Pergunta: Como podemos gerenciar o início do controle da respiração quando própria emoção bloqueia a continuidade do processo. O medo não é importante para proteção de alguma maneira? Resposta: É verdade. Tanto isto é verdade que é por isso melhor, ao fazer as primeiras tentativas, ter alguém que auxilie o processo de modo que esse parceiro te conduza com perguntas mesmo que ele seja desconfortável. Mas depois de ter feito uma vez, você pode fazer por si mesmo. Existem apenas dois medos naturais dos bebês, o primeiro é o medo de sons muito altos e o segundo é o medo por queda. Nenhum bebê tem medo de serpentes, tigres ou cobras. Estes são adquiridos na medidas em que nos desenvolvemos. A pergunta feita é se esses medos não são também úteis. Eu diria que se remova o medo, mas se mantenha atento a um problema, mas sem o medo. Então conquistamos a prudência. Eu posso não ter o medo de ficar no limite de um edifício de cinqüenta andares, mas eu não irei lá. Porque isto é prudência, mas não é medo. Mas uma pessoa que tem medo não é capaz sequer de olhar através de um vidro resistente mesmo para uma distância de 10 andares. Há outros motivos pelos quais os medos devem desaparecer. Qualquer coisa que nos sentimos medo, passamos a odiar, se nós temos medo de uma barata podemos ter a tendência a querer matá-la. Se nós temos medo de nosso pai, começamos a odiá-lo. Então, é melhor ter o respeito e não o medo. Elas não são reações automáticas, como já dissemos nenhum bebê tem medo do fogo ou cobra. Pergunta feita sobre sexualidade: Resposta: A sexualidade é uma necessidade natural dos seres humanos, mas o problema está quando desenvolvemos apego a sexualidade, mesmo quando a situação não está lá, a mente começa a pensar no assunto, porque há uma energia infinita que precisa ser satisfeita, mas quando uma experiência se completou ela não precisa ser repetida. Quando se come boa comida, e quando a experiência de sentir o gosto de comer é completa, não existe nada incompleto, então, não se tem a necessidade de repetição. Só quando a experiência é incompleta que sentimos a necessidade da repetição, e ai ela continua retornando. Isto é válido para o medo, para as relações humanas, ou mesmo para a sexualidade. Mas quando a relação entre marido e a esposa é completa, não se sente falta da esposa ou do marido quando se está distante. Somente quando a relação de alguma forma é incompleta é que se sente da esposa e esposo a falta na ausência. Quando uma relação com uma pessoa é completa a morte dela é aceitável. Pergunta: Porque é difícil para a maioria das pessoas ter esta experiência completa? Resposta: Quando nós experimentamos alguma coisa podemos perceber que a mente está em outras coisas, portanto a experiência não será completa. Suponhamos que estivesse uma serpente da qual tivéssemos medo. Se nós não tivermos plena consciência da experiência de medo vamos desenvolver uma fobia, mas se a experiência for completa não vou mais sentir medo da cobra. Seja uma experiência positiva ou negativa, se ela for completa não haverá o mecanismo de repetição. A mesma questão pode se aplicar à pergunta feita para a sexualidade. Quando a experiência sexual é completa não há desejo da sua repetição, mas pensar sobre alguma coisa não é experimentá-la. Algo plenamente experimentado inclui corpo, emoções e todos os tipos sutis de percepção, as necessidades de repetição sempre indicam experiências ou energias que não terminaram, quando se chora até o fim, termina a necessidade de chorar e a energia passou. Se nós estamos chorando por alguma coisa sem parar, então se perceberá que quando a experiência do chorar é completa, se perceberá que não se sentirá mais vontade de chorar por aquele motivo novamente, pode até se lembrar, mas aquele botão emocional não existe mais. Isso se aplica a muitas coisas inclusive à dor. Se a dor foi experimentada plenamente se notará que ela não é tão penosa quanto reconhecida do jeito comum.
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| Última atualização ( Seg, 30 de Junho de 2008 19:56 ) |



