| Verdade – A “Subversão” dos Valores do Mundo |
| Qua, 27 de Agosto de 2008 22:28 | |
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Autor:Walter da Silva Apesar de terem transcorrido mais de dois mil anos desde a presença física de Jesus na Terra, segundo a cronologia aceita, seus ensinamentos continuam atuais. Sob esse ponto de vista, chegam a ser totalmente irrelevantes discussões que coloquem em perspectiva o fato de Jesus ter realmente existido ou não. Para aqueles que se detêm na leitura do texto bíblico, seja como um devoto, seja como um pesquisador, as verdades saltam dali como pérolas cristalinas, especialmente quando buscam “o espírito da letra”, em vez de ficarem presos “à letra do espírito”. É dessa forma que Raul Branco - na excelente obra “Os Ensinamentos de Jesus e a Tradição Esotérica Cristã” (Editora Pensamento) - passa em revista aqueles ensinamentos, usando a lente de quem conhece o fundamento teosófico, esse que esteve presente de uma forma ou de outra nas chamadas “Escolas de Mistérios” de todos os tempos. A Jesus mesmo se atribui, freqüentemente, o fato de ter passado pelos Mistérios Egípcios, justificando as décadas que passou incógnito na narração bíblica entre a juventude e a maturidade, antes de dar início ao curtíssimo período de sua pregação. Curtíssimo, porém, revolucionário. Isso é o mínimo que se poderia dizer sobre o pequeno lapso de tempo em que Ele lançou as bases do cristianismo, com a ajuda dos discípulos, depositários de um ensinamento especial (“A vós outros vos é dado o mistério do reino de Deus, mas aos de fora tudo se ensina por meio de parábolas”- Mc 4:10-11). Tal aspecto revolucionário é sempre uma faceta básica da verdade, sabendo-se que a cota de verdade que cada um está disposto a aceitar limita-se ao tamanho de sua capacidade para o sacrifício. Quando essa capacidade é pequena, a pessoa se acomoda numa linha confortável, mais identificada com o “caminho largo” do que com a “porta estreita”. Ora, se as mensagens do Nazareno tivessem sido imediatamente aceitas por todos, apenas estariam consolidando suas expectativas, o que significaria a inexistência de qualquer fundamento de transformação nelas. Então, Ele teria vindo ao mundo para nada. Em geral, pouquíssimos aceitam imediatamente uma verdade, e a estes cabe o papel de exemplificá-la freqüentemente com o tributo de suas vidas. À rejeição de uma verdade por uma grande maioria segue-se a necessidade de sacrificar os que a defendem. Talvez esse seja o preço do reconhecimento da verdade, que deve trazer em si algo tão incomodativo ao inconsciente, que seja preciso eliminar seus defensores e, com eles, a afronta que representam à nossa insegurança. Raul Branco, na obra acima, examina vários aspectos da palavra messiânica, em confronto com os valores praticados pela sociedade da época, mostrando seu espírito revolucionário e, assim, as causas prováveis do Martírio. “A mensagem de Jesus subverte esses valores culturais” diz Branco, referindo-se ainda ao caminho largo e espaçoso da sabedoria convencional, centrada, naquele tempo em preocupações com “família, riqueza, honra e religião” (algo não muito diferente de hoje). Um erudito citado por Branco diz ”A sabedoria convencional torna-se facilmente uma armadilha, prendendo o ego com suas promessas de segurança e identidade, levando-o a preocupar-se com assuntos externos, limitando sua visão e estreitando seus interesses e compaixão”. |
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| Última atualização ( Qua, 27 de Agosto de 2008 22:30 ) |



