Nossa Livraria

Procurar Livro

Meu Carrinho


O seu Cesto encontra-se vazio no momento.

A Voz do Silêncio - Procurando ver as coisas como elas são
Seg, 01 de Setembro de 2008 12:17

Walter S.B., membro da SOCIEDADE TEOSÓFICA

Parece fácil, mas não é. Ver as coisas em sua natureza real pode ser até um dos desafios mais ambiciosos do mundo, sendo ao mesmo tempo um dos mais libertadores. Nesse sentido está inclusive a possibilidade de maduramente assumirmos a autoria de nosso destino, em lugar de pô-la noutra fonte, como indica a conhecida frase “Deus quis assim”.

Apesar da ambição do desafio, o “efeito libertação” – na forma de contentamento e paz interior – começa a acontecer assim que começamos a nos interessar pela realidade das coisas. Por sinal, as metas de mudança interna, sempre relacionadas com processos de percepção, têm essa característica de gerar resultados imediatos, diferentemente das metas externas. Como ensina a filosofia Zen, o importante não é a chegada, mas sim a caminhada.

As coisas novas que aprendemos às vezes dão a sensação de um “clic” em nossa cons-ciência. Vindo então de dentro para fora, relacionam-se aos chamados flashes de intuição. De fato instantâneos – como um “relâmpago que ilumina um quarto escuro” segundo ilustra o teósofo I.K.Taimni – tais flashes colocam em evidência tudo o que está dentro desse quarto. Contudo, para que o flash possa acontecer, uma clareira tem que ser aberta na selva de nosso intelecto, significando isso pelo menos duas coisas: 1) elevar a condição vibracional de nossa mente, purificando seus alimentos (desejos, apegos, sede de glória); e 2) manter a mente mais serena, desativando seu excesso de reatividade (resultado que se viabiliza pela auto-observação e pela meditação). É justamente em função desse trabalho prévio que a intuição pode ter um significado para nós ao iluminar o “quarto escuro” e mostrar a realidade, juntando as peças de um quebra-cabeça, ou trazendo uma solução longamente aguardada.

Apesar de algumas vezes a intuição trazer insights inteiramente novos – como os pre-monitórios e os obtidos na meditação, por exemplo – em geral o tal “clic” é precedido de lições repetitivas, de muita reincidência nos mesmos erros, envolvendo situações em que achávamos estar agindo corretamente, dando o melhor de nós mesmos. Isso mostra que a percepção do “real” não pode ser um mero fruto de julgamentos ou desejos. Está além.

Considerando que somos efetivamente espíritos vivendo uma experiência humana, toda percepção é sempre um fenômeno espiritual, às vezes fechando um ciclo de aprendiza-gem quanto a determinado aspecto até então obscuro para nós. Apesar de instantânea, a percepção mais elevada não chega de graça e tem uma força inconfundível: a certeza. É fruto do discernimento (capacidade de separar o real do irreal), virtude facilitada pela auto-observação constante, purificação dos hábitos e educação da mente.

Em cada nível de consciência física atual, “o homem é o que pensa”. Essa afirmação parece negada pelo fato de às vezes dizermos convictamente uma coisa e fazermos outra. Como se explica isso? Uma das razões é o fato de que a mente, sendo um corpo mais sutil, a partir de determinada percepção tende a modificar-se mais depressa do que a capacidade de resposta dos corpos “abaixo” dela. Depois que muda em suas bases conceituais, a mente tem de “convencer” também o corpo emocional (fonte dos desejos) e o corpo físico (fonte dos instintos) a mudarem de posição – cooperando vibracionalmente com os novos padrões da mente – até porque o corpo físico é fruto do carma designado para esta vida específica.

A natureza, em si, está sempre mostrando a realidade, mas nossa mente faz adaptações tendentes à auto-indulgência – projetando nossa responsabilidade nos outros – sejam estes nossos pais, o destino, a sociedade ou mesmo Deus. Ver as coisas “como elas são” é um atributo do estado real de consciência, e ocorre no sentido contrário aos mecanismos de sobrevivência do eu humano. Não é uma proposta para o intelecto, mas sim para a alma.

CURSOS E PRÁTICAS - Meditação, Astrologia, Hatha-Yoga e Yogaterapia. Palestras públicas aos sábados, 18 horas, na R. Pernambuco, 824, S.Francisco. Tel.: (67) 9988-1010. Campo Grande-MS. Loja Campo Grande. e-mail: Este endereço de e-mail está protegido contra SpamBots. Você precisa ter o JavaScript habilitado para vê-lo.

Última atualização ( Seg, 01 de Setembro de 2008 12:26 )