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Walter Barbosa
Com as "Profecias Maias", sob o impulso da Internet, outra vez tocam bem alto as trombetas do fim do mundo, desta vez apontando o ano de 2012. "Você está preparado?"
Independentemente do fato de que o mundo "acaba" diariamente para os milhões de indivíduos que vão para o "andar de cima", o pano de fundo dessa idéia (falta de compromisso com o Ser) parece confirmar as perspectivas apocalípticas tanto na visão materialista quanto na religiosa, que se dão as mãos na indiferença quanto ao destino individual ou planetário.
A visão religiosa, ao estreitar o propósito da vida humana no surrealismo que opõe o céu e o inferno, nega ao homem comum elementos reais de motivação para um viver mais puro e compromissado com o bem geral. Desconhecendo a relação de causalidade entre seus atos e o que vai para além do seu umbigo, esse homem opta pela indiferença. Não parece o inferno já identificado com seu próprio dia a dia, oferecendo a dor - mas também o prazer que o fascina? E o que é esse céu incompreensível, a acenar com algo que ele absolutamente não busca nem deseja?
Menos mal, contudo, para os que se agarram devocionalmente à perspectiva do céu, ainda que pelo medo do inferno. Transcendendo as demandas intermináveis do intelecto (facilidade dos devotos), isolam-se eles em seu padrão de crença e fazem mudanças pessoais, achando até ocasião para advertir: "Arrependei-vos, enquanto é tempo". Não obstante muito se fale no "comércio por trás da fé" - lembrando Paulo na frase "Com Deus não se barganha" - a intenção é sempre o que conta. Assim, entre "César e Deus" cada um deverá ficar com sua parte.
Quando vemos na televisão crianças sendo exploradas em "concursos de beleza infantil" e "danças do ventre" (um incentivo à exposição do corpo e à sensualidade como "virtude"), ou divertindo-se nas festinhas com a "dança da garrafa" e outras "modernidades", percebe-se a enorme desinformação das pessoas quanto às forças que geram e sustentam a vida.
Como admite Freud, a energia criadora do sexo alcança, pela sublimação, o brilho característico do gênio (simbolizado pela auréola do santo e pela serpente na mitra do faraó). Mas seu abuso - na ânsia da dicotomia excitação-relaxamento - abastarda a criatura humana, lembrando histórias da Roma antiga onde as pessoas provocavam o vômito após empanturrar-se nos banquetes, a fim de continuar comendo. As anormalidades são decorrências do excesso de excitação, baseando-se em valores enganosos. "Nenhuma energia pode ser eliminada" diz H.P.B, logo isso tem de encontrar uma saída. A partir da idéia de que o corpo é um "parque de diversões", o poder criador da mente encarrega-se de moldar nele os desvios decorrentes, para esta vida e as próximas.
Sob o impulso do ódio, da sensualidade e da violência - pondo em ação a Magia Negra consciente ou não (abismo que engoliu a Atlântida) - a humanidade fica "anestesiada" por ocasião das mudanças cíclicas. Valores reais são esmagados sob a acusação de "falsa moralidade", misturando-se palha e trigo num mesmo caldeirão e incinerando-se tudo.
Porém, "Deus tem um Plano para os homens" diz Krishnamurti na pequenina obra "Aos pés do Mestre". Quando os homens põem em risco esse plano, o que sucede? O Senhor do Mundo separa as "sementes" melhores - enviando-as a locais seguros - e varre o restante do planeta, até mesmo afundando ou criando novos continentes. E assim é retomada a obra evolutiva, aproveitando o melhor daquilo que foi antes alcançado (o que não inclui necessariamente a "tecnologia", tantas vezes elevada a alto grau e perdida em civilizações anteriores).
Quando isso ocorrerá? Só Ele sabe. De qualquer maneira, não deverá ser o "fim do mundo". No máximo, um novo começo.
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