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Walter Barbosa, membro da SOCIEDADE TEOSÓFICA
Velhos ou jovens, passamos a vida inteira iludidos. O que muda, depois de certa idade, é que suspiramos não mais pelo que "é" ou pelo que "será", mas pelo que foi. Ficamos "lá" rememorando os momentos de ilusão vividos, apesar dos desencantos que se seguiram, porque "estar iludido" é algo inerente à natureza humana. É no berço da ilusão (filha da Matéria) que a Suprema Realidade do Espírito chega para cada um de nós, quando a Iluminação acontece.
Segundo a tradição oriental, "Tudo o que está vazio tende a se encher e tudo o que está cheio tende a se esvaziar". Dizendo a mesma coisa em outras palavras, temos a conhecida frase: "Depois da tempestade vem a bonança". E o que vem depois da bonança? A tempestade.
Isso está dentro da Lei da Periodicidade, envolvendo toda a vida de relações entre os dois "atores" principais do Universo: o Espírito e a Matéria - ambos eternos em si mesmos - daí se originando não somente tudo o que existe de manifestado, mas também o caráter cíclico dessa manifestação, essencialmente de vida e morte, luz e trevas, "fundo do poço" e ascensão.
Dentro da Lei da Periodicidade, outra lei se faz presente: a da Evolução, determinando a transformação permanente das coisas. E essa transformação é sempre para melhor, mesmo que em alguns momentos aquilo que esteja à nossa vista pareça ser "o pior". A mudança mais flagrante é a da forma (atributo da Matéria), onde se abriga a consciência (atributo do Espírito). É pela mudança cíclica da forma (nascimento, maturação, envelhecimento e morte) que o Espírito tem a possibilidade de expandir seu domínio sobre a matéria, aí crescendo em Luz e Poder.
O mecanismo da reencarnação decorre tanto da Lei da Periodicidade quanto da Evolução. Voltando a nascer como bebês, podemos começar tudo do "zero", esquecendo os preconceitos e apegos de outras vidas. Sem esse esquecimento a evolução seria bem mais demorada e difícil. Aliás, dentro de uma mesma vida, a recomendação dos Mestres é justamente que reconheçamos e eliminemos preconceitos e apegos, se queremos de fato aproveitar essa vida.
Quando falamos em "desilusão" a que normalmente nos referimos? Justamente à morte dos apegos, cuja forma mental origina preconceitos e necessidade de segurança psicológica. Nossos apegos são infinitos, nisso baseando-se o ensinamento da "Óctupla Senda do Senhor Buda", com a afirmação inicial da "Verdade do Sofrimento". Todo aprendizado espiritual realmente começa com essa percepção, aparentemente amarga, pessimista, mas que é um resultado inevitável do fato de vivermos um cortejo de desilusões ao longo de nossa existência, cada uma delas com sua própria quota de sofrimento.
Ao examinar-se a origem da palavra - "des-ilusão" - vemos que uma ilusão está sendo tirada. Alguém duvida que "ilusão" significa engano? Quando nos desiludimos é porque um engano está acabando, morrendo. Deveríamos ficar felizes com isso, mas ao contrário, sofremos. E o que significa esse sofrimento? Só pode ser libertação, "des-engano".
A libertação definitiva do ser humano ocorre com a iluminação, por meio de um esforço especial. Contudo, ela é preparada aos poucos, significando a queda dos véus inerentes à matéria. Portanto, como a própria ilusão, a desilusão é um "mal" inevitável e necessário.
A ascensão começa no "fundo do poço" (nome do lugar onde enterramos uma ilusão, com sua parcela de apego e dependência). Quando enfim chegamos ao estágio de não mais necessitar da ilusão "para viver" é porque a condição humana está acabando. Aí, o Cristo Interno desperta em nós e nos tornamos deuses, Mestres de Sabedoria. Senhores do Universo em nós mesmos.
CURSOS E PRÁTICAS - Meditação e Teosofia, Astrologia, Hatha-Yoga, Yogaterapia. Palestras públicas aos sábados, 18 h, na R. Pernambuco, 824, São Francisco. Campo Grande, MS - Tel.: (67) 9988-1010.
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