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Walter Barbosa, membro da SOCIEDADE TEOSÓFICA
O termo autoridade nos dias de hoje - até pelo constante desgaste provocado pelo mau uso - apresenta-se carregado de uma conotação quase pejorativa. Uma das razões parece-nos ser a inadequada correlação de "autoridade" com "autoritarismo". Outro aspecto é a idéia de que, a partir das famílias, a autoridade "trava" a expansão da consciência, na medida em que perpetua medos, tabus e preconceitos. Numa sociedade viciada, a maior possibilidade de mudança reside de fato nos jovens. É possível adequar isso à autoridade?
"Direito ou poder de se fazer obedecer, de dar ordens, de tomar decisões" é, entre outros, o significado de autoridade, aplicando-se comumente aos ocupantes de cargos públicos na manutenção da ordem social. O "pátrio poder" é também um exercício de autoridade, pela responsabilidade que têm os pais de prover a educação dos filhos, atendendo suas necessidades e tomando decisões por eles enquanto legalmente incapazes.
Já "autoritarismo" é o "Regime político que postula o princípio da autoridade, aplicada com freqüência em detrimento da liberdade individual; despotismo, ditatorialismo".
Autoridade incontestável é, sem dúvida, a dos santos e sábios. Entretanto, sendo eles homens livres, costumam recusar a autoridade a partir de si mesmos, pois a única submissão natural é a que se deve à força da Verdade, e esta ocorre no indivíduo de dentro para fora, sujeitando o eu inferior ao Espírito. Por outro lado, numa fase evolutiva em que predomina o egoísmo (sendo o Espírito ainda tímida chama, a bruxulear no coração de cada ser), como prescindir da autoridade que estabelece e cobra limites?
A autoridade pode ser exercida com autoritarismo ou não, e talvez a real diferença entre as duas posturas esteja na questão do respeito. Pelo respeito pode-se evitar o tripúdio da arrogância sobre a autoridade necessária, ou a transformação dela em autoritarismo.
O que é "respeitar"? Significa "Tratar com reverência ou acatamento, venerar, honrar", o que é aplicável a todas as criaturas, desde que se tenha a visão do outro como um ser dotado do direito à liberdade, enquanto não contrarie os deveres inerentes à convivência.
Essa liberdade natural tem sua fonte no Espírito, Deus dentro de nós, que é (e tem de ser) livre para que possa realizar seus desígnios evolutivos. Contudo, quando ela extrapola, ferindo o direito do outro, perde essa condição natural. Passa a ser um tormento, ou mesmo um risco para a convivência, requerendo a presença de um poder de contenção.
Mas os dias de hoje parecem contestar irrestritamente a autoridade. O lado bom disso é que ela pode ser desnudada onde não há mérito que a sustente. O lado ruim é que nivela tudo por baixo, transformando o conjunto das instituições numa caricatura de si mesmas.
A família, como célula-mater das instituições sociais, é certamente das mais atingidas com a degradação da autoridade, sendo o local onde tudo começa e termina.
Compreende-se que parte do problema da falta de autoridade nos lares - e da ausência de respeito dentro e fora deles - possa decorrer do repúdio dos pais de hoje ao modelo truculento da educação recebida por eles, de seus pais. Há também, nos casais separados, a ânsia de "agradar o filho para não perder seu amor". Chega-se, daí, ao oposto da educação antiga: deixar os filhos por conta de si mesmos, sem norte algum. Por medo ou repúdio ao autoritarismo, renunciaram os pais à autoridade legítima, na condição de educadores.
O grande desafio do ser humano é achar o equilíbrio nos atos da vida. De tão sério, é algo que está na essência do Budismo sob a recomendação do "Caminho do Meio". Tal meio termo é encontrado pelo respeito dos dois lados na questão da autoridade, que então será sempre bem-vinda - não embrutecendo o governante, não travando consciências, não humilhando ninguém.
PRÁTICAS - Meditação e Hatha-Yoga. R.Pernambuco, 824, S.Francisco. Campo Grande - MS - F.: (67)9988-1010.
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