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Walter Barbosa, membro da SOCIEDADE TEOSÓFICA
Para o filósofo alemão Friedrich Nietzsche, "A sensualidade ultrapassa muitas vezes o crescimento do amor, de forma que a raiz permanece fraca e arranca-se facilmente". Essa talvez seja uma das razões de se fazer cada vez mais efêmera a união dos casais nos dias de hoje, à proporção em que a sensualidade cresce e se valoriza.
Como se manifesta o amor? Por que a sensualidade pode matá-lo antes que germine?
Sempre é bom conhecer o significado das palavras. Define-se sensualidade como "lubricidade, volúpia, lascívia, luxúria". Essas tendências, segundo H.P.Blavatsky, levaram ao uso indevido do fogo entregue pelo herói do "Mito de Prometeu" à humanidade: "O fogo recebido se converteu na pior das maldições; o elemento animal e a consciência da posse desse fogo transformaram o instinto periódico (cio) em animalismo e sensualidade crônica. É isso que pende sobre a humanidade como pesado manto funerário". (A Doutrina Secreta, Pensamento, vol. VI).
Numa relação bem extensa se significados, amor por sua vez é "sentimento que predispõe alguém a desejar o bem de outrem", "devoção extrema", "sentimento terno ou ardente de uma pessoa por outra, e que engloba também a atração física" (Novo Aurélio, Edit. Nova Fronteira).
Em geral, tendemos a achar que a sensualidade ajuda a manter acesa a chama do amor. Este, não obstante admita a atração física, carrega porém um sentido de extensão e abrangência, de ternura e envolvimento com "o bem do outro", coisas que voam bem mais alto do que as labaredas da luxúria podem tocar. Amor é algo que pode se desenvolver quando há tempo e interesse para uma troca mais profunda, para a descoberta da complementaridade no oposto, não se limitando ao "revirar de olhos" da sensação externa.
As palavras "tempo" e "interesse" nos remetem a uma questão básica: como começa o relacionamento? Se a sensualidade domina tudo desde a impressão inicial até o momento íntimo - usando o outro antes mesmo de conhecê-lo - pode ser que continue dominando e não dando tempo para a germinação do amor, do interesse além da "posse" do outro.
Literaturas têm mencionado a atração da mulher pelo homem como algo milenarmente voltado para a formação da prole, indo do biótipo masculino à relevância das suas posses. Na medida, porém, em que se tornou mais independente profissional e sexualmente (com ajuda da "pílula"), dois efeitos parecem ter se destacado: 1) ela tende a imitar o homem na superficialidade da relação, e 2) seu instinto quanto aos "interesses da prole" passa a ser menos importante do que "se divertir". A generalização disso como opção da mulher independente atinge, porém, todas as faixas etárias (sob forte estímulo da mídia), estimulando a gravidez adolescente, sem preparo profissional e também sem pílula.
Muito se fala sobre a "química do amor", frase que, por sinal, alinha-se com sua irmã gêmea: "fazer amor". Como sugere seu significado mais profundo, o amor não pode ser "feito", não pode ter química. É um mistério relacionado com a afinidade dos raios ou a simpatia das almas, às vezes surgindo (ou ressurgindo) no primeiro olhar. Pode existir química na sensualidade como manifestação instintiva, material, alimentando a atração puramente física, que tende a gratificar apenas a si mesma e por isso logo se extingue.
A sociedade em que vivemos nos tem treinado para o consumismo em todos os níveis. As pessoas são intensamente bombardeadas pelo poder que as induz a mudar de sapato, de carro, de marido ou de mulher todos os dias. Nesse contexto, a questão do amor naturalmente perde força, limitando-se ao imediatismo do desejo, da sensualidade.
Qual a importância do amor, mesmo esse pequenino amor dos casais, que sobrevive na base de trocas? Ele faz brotar o germe do amor maior, que não exige recompensa. Se perdura algum tempo, ele pode gerar o exercício da tolerância e compreensão do oposto masculino ou feminino, levando ao conhecimento de nossa própria unidade como o "Andrógino Divino" de que fala Helena Blavatsky na "Doutrina Secreta".
O amor dos casais é ainda a essência da família (hoje dele tão desnutrida, e por isso mesmo mais desorientada sob um falso pretexto de liberdade), podendo daí se expandir para a família universal em que deveremos, um dia, transformar o mundo.
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