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Walter Barbosa, membro da SOCIEDADE TEOSÓFICA
Entre as mensagens que recebo todos os dias, algumas se destacam pelo ensinamento elevado, pela construção incomum. Uma delas trouxe a questão acima, que parece pergunta de criança, mas que também poderia sair da boca de um sábio. Somente os que não têm medo de se expor - vencendo a barreira da auto-importância - estão aptos a fazer as perguntas mais ingênuas, com isso freqüentemente obtendo as respostas mais profundas.
Dentro do homem essas respostas estão no Eu Superior, o Deus Pessoal. Fora do homem, grande parte está na própria natureza, porque a vida nos reinos animal, vegetal e mineral flui com abundância, beleza e equilíbrio, sob a ação de um poder invisível. Somente onde entra a influência humana é que o desequilíbrio acontece. Entretanto, no próprio reino humano - apesar do livre-arbítrio que o caracteriza - esse poder age de forma misteriosa para a continuidade da vida. Adiante vão alguns exemplos.
Segundo o patologista Paulo Saldiva (USP), a taxa de nascimento de meninos tem sido historicamente superior à de meninas - 51% contra 49% - o que compensaria a mais elevada taxa de mortalidade masculina (maior exposição a riscos, stress, etc.). Contudo, essa proporção estaria se invertendo em regiões altamente poluídas, porque o cromossomo Y, responsável pela geração de meninos, parece menos resistente à poluição.
Que tipo de influência - a não ser algo Onisciente - poderia manter equilibrada a quantidade de meninos e meninas, como apontam as estatísticas, inclusive considerando que alguns casais não têm filhos ou têm apenas filhos de um mesmo sexo?
Referindo-se às maravilhas do cérebro, Rohit Mehta diz: "O açúcar é uma das substâncias construtoras da energia do corpo e devemos ingeri-lo na quantidade certa, nem mais nem menos. Caminhamos sobre uma corda bamba entre o coma e a convulsão, resultado de possíveis mudanças relativamente leves nos níveis de açúcar no sangue. Mas o cérebro geralmente recebe informação antecipada sobre problemas pendentes". A partir daí, o cérebro "faz os ajustamentos de maneira tão eficaz quanto um piloto guiando um aeroplano através de uma tempestade" (A Ciência da Meditação, Editora Teosófica).
O que leva o cérebro a fazer com precisão meticulosa esse e outros controles, como a regulagem da respiração (dezoito a vinte vezes por minuto), os batimentos cardíacos (cerca de 70 vezes por minuto) e a manutenção da temperatura do corpo em 36 graus?
Finalmente, examinemos a questão do sangue, como essência da vida física. O teósofo Norman Pearson assinala que cada molécula da hemoglobina (matéria vermelha do sangue) tem 712 átomos de carbono, 1.129 de hidrogênio, 214 de nitrogênio, um de ferro, dois de enxofre e 425 de oxigênio, num total de 2.483 átomos! Qualquer desequilíbrio aí pode gerar doenças, como a anemia (escassez de ferro). Quem engendrou essa matemática extraordinária? O "acaso"? Um pedaço de rocha lançado no espaço pelo "Big-Bang"?
No Bhagavad-Gita, o arqueiro Arjuna roga ao todo amoroso Krishna que lhe revele a totalidade do seu poder. Apavora-se, contudo, diante dele, exclamando: "Semelhantes aos rios que se precipitam em torrentes para o mar, assim os heróis do mundo dos homens se lançam em Tuas bocas flamejantes". Krishna, ou Deus, é o poder da inclusão universal, como começo, meio e fim de todas as coisas.
Bebendo na fonte divina, o poder do sábio não é diferente. Capaz de infundir medo se olhado bem no fundo, rebaixa-se porém ao nível do mais fraco a fim de compreendê-lo. Compreender é "abarcar", "abranger". Assim, o homem sábio se assemelha também ao mar. O mar que é grande "porque se coloca alguns centímetros abaixo de todos os rios".
PRÁTICAS E CURSOS - Meditação, Teosofia e Hatha-Yoga. Palestras públicas aos sábados, 18 horas (entrada franca), na Rua Pernambuco, 824, S.Francisco. Campo Grande - MS - Inf.: 9988-1010.
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