Nossa Livraria

Procurar Livro

Meu Carrinho


O seu Cesto encontra-se vazio no momento.

A ânsia de poder e seus delírios
Qui, 27 de Maio de 2010 13:06

Walter Barbosa, membro da SOCIEDADE TEOSÓFICA

Desafiando as grandes potências, a Coréia do Norte realizou os únicos dois testes nucleares deste século. Por que ela deseja a bomba? Segundo os analistas, mais como instrumento de barganha, de “chantagem diplomática” em sua condição de país miserável, num contexto internacional regido pela desigualdade e pelo medo. Mal detonou sua bomba-teste, ela já arreganhou os dentes para sua irmã de berço, a Coréia do Sul.

Na relação entre as Coréias, tem-se a fotografia em tamanho “pôster” do dilema humano: enquanto os coreanos do sul vigiam inquietamente suas fronteiras, os do norte celebram o status atômico com festas nas ruas. Desgraça de uns, alegria de outros.

De posse do poder sobre o átomo, o que fará a Coréia do Norte? Se conseguiu isso como país pobre e isolado, quanto demorará para que tal poder caia em mãos extremistas – já embalado para “consumo” – podendo vitimar qualquer ponto do planeta? Essa é a maior preocupação dos líderes mundiais, talvez contribuindo para incentivar esforços a fim de atenuar desigualdades. O mal da violência não pode ser resolvido com a violência.

Durante os anos da Guerra Fria, várias vezes corremos o risco de que algum dono do mundo apertasse o “botão”, pondo fim, talvez, ao gênero humano. Naquela época, porém, os donos eram apenas dois. Numa de suas célebres frases, Einstein sentenciou: “Só há duas coisas infinitas: o Universo e a estupidez humana, mas não estou muito seguro da primeira. Da segunda, pode-se observar como nos destruímos só para demonstrar quem pode mais.”

O que fazem as grandes ou pequenas potências não é diferente, contudo, do que fazemos no dia-a-dia. “O mundo é você mesmo”, nos adverte insistentemente Jiddu Krishnamurti, autor de mais de 60 livros com ênfase no relacionamento.

Em grupos de qualquer tamanho, a partir dos casais, a convivência entre as pessoas – desde que fundamentada em algum tipo de dependência – tem por base o exercício do poder, da intimidação. Aí, a questão é saber “quem pode mais”, como assinala Einstein. Delineia-se, dessa maneira, a pequena/grande tragédia de nossas vidas. Relacionamento é fundamental. Porém, se o medo está na sua base, que tipo de convivência propicia?

Mesmo nos lares, para obter alguma colaboração dos filhos, as mães costumam apelar: “Se você não fizer isso, não lhe dou (ou tiro) aquilo”. Usam a “técnica” da chantagem, abdicando do essencial, mas oneroso, recurso da conscientização (exige tempo, autoconfiança, energia). Registrado na memória dos jovens como atalho entre o “desejar” e o “ter” – com reforço dos games e filmes de violência – tal exemplo pode levá-los a usar a técnica depois, extorquindo pessoas. Ou ditando condições a outros países com uma bomba à mão.

No caso da Coréia do Norte, as potências de alguma forma ameaçadas retribuem com suas próprias ameaças. Há longo tempo aquele país faz o jogo de “ceder” e “rebelar-se”, para ganhar poder. No fundo, porém, ele apenas segue o rastro das potências maiores, freqüentemente elevadas a essa condição não apenas pelo valor de seu povo, mas também pela exploração ou intimidação de outros povos, inclusive com o terrorismo econômico.

Assim, o problema não está na Coréia do Norte. Está no mundo inteiro, em mim, em você. Presos ao ego sequioso de poder, todos sofremos ou causamos algum tipo de medo. Só conscientizando-nos disso (consciência e medo são incompatíveis) poderemos evitar que certa previsão de Einstein se torne realidade. Perguntado como seria a terceira guerra mundial, respondeu: “A terceira eu não sei, mas a quarta será com paus e pedras”.

ATIVIDADES – Curso “Introdução à Teosofia e Meditação” (gratuito), práticas de Yoga. Palestras aos sábados, 18h, na Rua Pernambuco, 824, S. Francisco. No site educacional www.educbesant.org.br, participe do “Fórum de Pais e Mães”, discutindo propostas para um trabalho educacional mais consciente e elevado. Contatos: (67) 9988-1010.