| Consciência nos atos, pensamentos e sentimentos: o Caminho |
| Qui, 27 de Maio de 2010 13:23 | |
Walter Barbosa, membro da SOCIEDADE TEOSÓFICASegundo a teosofia, evolução é a viagem da inconsciência para a Consciência, termo este que corresponde à natureza do Ser, que tem a capacidade da compreensão, da “penetrabilidade”, por estar na essência de todas as coisas, sendo por isso a fonte do Amor e da Paz. No sentido inverso, a “inconsciência” refere-se ao desconhecimento de nossa natureza real. Predominando ela, usamos 90% ou mais de nosso tempo e energia com projetos vazios de significação maior - e até com hábitos suicidas. Por outro lado, tudo o que fazemos tem importância, ao menos para levar-nos a uma conclusão fundamental: “Não vale a pena”. Lembro-me de uma frase de Osho referindo-se à ânsia generalizada pelo “conhecimento”, o que acaba sendo útil não somente pelo desenvolvimento mental gerado, mas também para provar-nos que a felicidade não se encontra aí, partindo para esforços mais sérios rumo à meta mais valiosa de todas: o autoconhecimento. Justificando a frase “tudo está certo como está”, há ainda outra razão para a relativa importância de tudo: é pelo mergulho na negatividade da ilusão que o “Filho Pródigo” chega ao conhecimento e domínio da matéria em si mesmo (essência do Poder). Isso nos leva a “ter consciência de”, o que vai muito além de “rotular”. Só a consciência gera transformação. Um amigo meu, pessoa já idosa e com certa cultura, disse-me ter só recentemente se conscientizado da importância de um hábito muito simples: o uso do fio dental. A essa altura, porém - lamentou - já havia perdido a maioria dos dentes naturais. Aí, perguntei a mim mesmo: “De que maneira escovo meus dentes? Será que ponho atenção nisso (isto é, consciência), ou estou completamente alheio, planejando o que vou fazer em seguida, às vezes já com um pé fora de casa, correndo para o trabalho?” A nota que dei a mim mesmo, em matéria de “autoconsciência”, infelizmente não foi superior à que poderia ter dado ao meu amigo. Essencialmente, autoconhecimento é autoconsciência, abrangendo, de um lado, físico, emoção e mente - conjunto chamado “não-eu” - e, de outro, a percepção do Eu (saber o que “não somos” ajuda a descobrir o que “somos”). Poderíamos exemplificar com o ato de escovar os dentes. Se eu fizer isso com plena atenção, estarei acompanhando o trajeto da escova em minha boca. Não preciso pensar a respeito. Estarei “lá”, serei talvez a mão ou própria escova. Um ato simples como esse contribui para a “plenitude” não apenas da saúde de minha boca, mas também de minha alma, com relaxamento e paz, pois no fundo significa “meditar”, ou seja, atuar com presença, sem julgamento ou expectativa, sendo a própria ação. Ao colocar “presença” em nossos atos, assumimos a posição do Eu - o Ser ou Consciência - passando a usar nossos corpos, em lugar de sermos usados por eles. Isso vale igualmente para emoções e pensamentos. Sentimentos destrutivos - como vingança e ira - tendem a desaparecer quando colocamos consciência neles, simplesmente observando-os, sentindo a região afetada no corpo (geralmente sob tensão) e vendo-a afrouxar junto com o sentimento. Lembrando o Professor Ravi Ravindra, a jornada consciencial não precisa de rituais ou templos para acontecer. Desde que estejamos “presentes”, constrói-se mesmo nas situações triviais, nos mais simples relacionamentos, não obstante - pelo esforço concentrado de “auto-observação” que a meditação encerra - dedicar-nos a ela habitualmente, em um momento “especial”, signifique um formidável impulso na viagem da inconsciência para a Consciência. ATIVIDADES – Curso “Introdução à Teosofia e Meditação” (gratuito), práticas de Yoga. Palestras aos sábados, 18 horas, na Rua Pernambuco, 824, São Francisco. No site “www.educbesant.org.br” participe do “Fórum de Mães e Pais”, ajudando a construir caminhos de maior consciência para o trabalho educativo. Contatos: (67) 9988-1010. |



