| Qual é o preço do seu ideal? |
| Qui, 27 de Maio de 2010 13:39 | |
Walter Barbosa, membro da SOCIEDADE TEOSÓFICAApresentei a questão acima a uma pessoa amiga e ela de pronto respondeu: “Meu ideal não tem preço”. Achei bonita a resposta, porém rápida demais. Na economia do Universo tudo tem preço, sendo sua meta mais elevada - a conquista da Consciência - obtida palmo a palmo durante milhões de anos, com o aperfeiçoamento também de nossos corpos. Até mesmo a “Graça do Guru” tem um preço, baseado nas condições alcançadas pelo discípulo. Ideal é “aquilo que é objeto de nossa mais alta aspiração intelectual, estética, espiritual, afetiva ou de ordem prática”, ensina o velho “Aurélio”. Também pode ser o que “existe somente na idéia, imaginário, fantástico”. Nesse intervalo entre algo prático e fantasia - sendo a realidade medida pelo sacrifício envolvido - onde se enquadra nosso ideal? Quanto ele consome de nossa atenção, recursos e tempo? É uma força autêntica ou mero verniz, resumindo-se nosso dia-a-dia às funções instintivas herdadas dos animais? Em certo sentido, “ter um ideal” parece não ser tão bom assim. O idealista pode encarnar alguém que não vive o momento, sempre focado em algo “melhor” a acontecer no futuro. Sendo o agora o tempo de fato existente - só podendo ser vivido na ausência do medo e da expectativa criados pelo “tempo psicológico” - por que alguém deveria perder esse tesouro esperando para “se realizar” na muito improvável circunstância do “amanhã”? Não nos enganemos, porém, achando que “ausência de expectativa” admita ser fraco ou displicente na ação. Ao contrário, é a condição de executá-la com habilidade, no exato compasso dos ciclos de realização do mundo, onde a precipitação ou o atraso é a morte. Cabe a ressalva de que alguns pensam viver o agora com o “máximo de prazer e o mínimo de compromisso”. Mas isso é justamente o que a Matéria quer, mantendo-nos presos à inconsciência, além de ser um engano quanto à extensão do compromisso. Bem ou mal utilizada, a energia é uma só - e toda ação é um emprego de energia. A única ação isenta de compromisso é a que não busca recompensa, pois “mata” o Carma em sua própria fonte. Em ângulo oposto, Eckhart Tolle (O Poder do Agora) fala daqueles que habitualmente colocam suas perspectivas de realização no futuro, tornando o agora mero trampolim para a nebulosidade do amanhã. Estando a felicidade “lá” só restaria a infelicidade “aqui”? Mas Tolle lembra também aqueles que nutrem um ideal sem perder o foco do presente, como o único espaço-tempo onde as possibilidades de construir e vivenciar estão disponíveis. Dessa forma, nenhuma oportunidade será perdida, seja em função do ideal ou das demais propostas que o universo a cada instante nos oferece, podendo até mudar tudo. “E qual é o seu ideal?” Pensei em fazer essa pergunta à minha amiga quanto ao seu ideal “sem preço”, mas desisti. Se ele tiver um sentido prático (ainda que espiritual), com certeza terá um preço, significando enterrá-lo pensar-se o contrário. Poderá ser também uma ficção como felicidade baseada em condições futuras, pois ela só existe no agora. Qualquer ideal pode gerar felicidade “já” pela totalidade da atenção que lhe damos, sem expectativa. Não longe disso, o teósofo Rohit Mehta diz: “Só o infinito é felicidade” (O Chamado dos Upanixades). O infinito é o Eterno Agora. Qual é seu preço? De acordo com Tolle, é nos libertarmos do tempo psicológico criado pela mente. Em termos mais profundos é a morte do ego (o preço mais alto de todos), abrindo as portas ao próprio infinito: Deus em nós mesmos. ATIVIDADES – Aulas de Yoga Clássico. Novo curso: “Meditação: Saúde e Consciência” (16h00) e palestras públicas (18h00) aos sábados. Em 13/03, Walter Barbosa com o tema “Consciência e inconsciência no dia-a-dia” na Rua Pernambuco, 824, S. Francisco. No site www.educbesant.org.br participe do Fórum de Mães & Pais, colaborando para o desenvolvimento de um trabalho educacional mais consciente. Contatos: (67) 9988-1010. |



