| A Maçonaria |
| Qui, 05 de Junho de 2008 12:56 | |
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A Maçonaria A Maçonaria é uma instituição secreta que externamente, em o seu conjunto, sempre soube adaptar-se inteligentemente às limitações de determinada época ou nação, tanto que internamente manteve intacta as suas bases e estrutura, e os ensinamentos mais íntimos sempre foram perpetuados e transmitidos por sua tradição através dos séculos. O Ilustre irmão poderia explicar brevemente a história da Maçonaria? Segundo muitos historiadores a Maçonaria é uma das organizações mais antigas que existem no mundo e consideram a sua origem no Egito. Por exemplo, menciona-se que aproximadamente 5.600 anos antes da Era Cristã o Faraó Menes vinculou a Maçonaria à estrutura administrativa do país, criando uma sociedade muito eficiente e com uma base plenamente moral. Na Europa, durante a Idade Média, a Maçonaria foi considerada herética e os maçons foram perseguidos, motivo pelo qual tornou-se uma organização clandestina. Os maçons formaram associações de pedreiros e construíram as igrejas góticas na Europa. (A palavra “mason”, em inglês, significa pedreiro.). A Maçonaria moderna começou em 24 de junho de 1717, no dia de São João, em Londres, quando várias Lojas Maçônicas formaram a Grande Loja Maçônica da Inglaterra, que se converteu na Grande Loja Maçônica Mãe de todas as Grandes Lojas Maçônicas que se formaram posteriormente. Existem várias organizações Maçônicas? A explicação que temos dado anteriormente se refere à Maçonaria que denominamos “regular” e “universal”, que é masculina e que existe em quase todos os países do mundo. Sim, existem alguns outros corpos maçônicos, como a Grande Loja da Co-Maçonaria “Le Droit Humain”, que tem a sua sede em Paris, França, e a Ordem do Oriente da Franco-Maçonaria Internacional, que tem a sua sede em Chennai, Índia, com uma característica muito particular, pois ambas são mistas e são formadas por homens e mulheres. Poderia explicar-nos a estrutura da Maçonaria? A Maçonaria é constituída por dois grandes grupos: a simbólica e a filosófica, com um total de trinta e três graus. A Maçonaria simbólica é formada pelos três primeiros graus: o 1º é do Aprendiz, o 2º é do Companheiro e o 3º é do Mestre Maçom. Com sete Mestres Maçons se constitui uma Loja e com sete Lojas Maçônicas se forma uma Grande Loja ou um Grande Oriente, que rege uma área geográfica determinada. A Maçonaria filosófica compreende desde o grau 4º até o grau 33º. O 4º grau é do Mestre Secreto; o 9º grau é do Eleito dos Nove; o 14º grau é do Perfeito e Sublime Maçom; o 18º grau é do Príncipe da Rosa Cruz; o 30º grau é do Ilustre Cavaleiro Kadosh; o 32º grau é do Sublime e Valente Príncipe do Real Secreto; e o 33º grau é do Soberano Grande Inspetor Geral da Ordem. Pode-se considerar a Maçonaria como uma religião? Não, a Maçonaria não é uma religião porque não têm dogmas nem teologias que se aceitem como atos de fé. Mesmo que existam cerimônias em cada um de seus graus, como formas simbólicas de ensinar virtudes e princípios, o Maçom tem de ser um homem livre e de bons costumes, que acredita na existência de um Ser Supremo que não se define, e que se menciona simbolicamente como o Grande Arquiteto do Universo. Qual é a base filosófica da Maçonaria? As normas filosóficas adotadas pela Maçonaria, como lei universal, são os Antigos Limites da Fraternidade (Landmarks), que expressam: “A Maçonaria é a instituição orgânica da Moralidade e seu fim é dissipar a ignorância, combater o vício e inspirar o amor à Humanidade”. Um Maçom tem absoluta liberdade de consciência para acreditar em tudo o que considere como verdadeiro e de bom senso.. A Maçonaria é uma sociedade fraternal? Um aspecto da Maçonaria a considera como uma sociedade fraternal, formada por homens honestos, que se auxiliam mutuamente e levam a cabo obras de beneficência. Não se pode negar que isso é importante, mas além disso a Maçonaria incentiva seus membros, que desejam encontrar em nossa Augusta Instituição do Esquadro e o Compasso os meios e as orientações para converterem-se em verdadeiros obreiros do progresso humano. Como a Maçonaria considera os acontecimentos que se estão desenvolvendo ao nosso redor? Em todos os acontecimentos que se estão desenvolvendo ao nosso redor, estamos conscientes de que neles, incluindo o cenário mundial, o que importa não é em que momento específico tem lugar cada fato, senão que cada um deles é um movimento definido que “poderosa e docemente” propicia o desenvolvimento espiritual da Humanidade. Quais são os requisitos para ingressar na Maçonaria? São dois os requisitos para ingressar na Maçonaria. Um é que o candidato deve ser um homem livre e de bons costumes. No outro se precisa acreditar na existência de um Ser Supremo que não se define, e que se denomina o Grande Arquiteto do Universo. Como se valora a Maçonaria no mundo externo? Pode-se afirmar que os Maçons crescem, de maneira silenciosa e contínua, por meio da coerência de seus ideais e convicções aplicadas a sua conduta diária, para mostrá-las em pensamento, palavra e obra. Quando a Maçonaria vive no coração de cada membro e se reflete em cada um dos atos da vida diária de cada Maçom, é natural que o mundo profano comece a julgar a Instituição Maçônica de maneira favorável pelo comportamento correto e pela integridade da conduta de cada membro e isso representa uma grande responsabilidade de como se valoram as práticas de virtudes tais como integridade, honestidade, honra e dignidade, as quais nos oferecem uma maravilhosa oportunidade de representar dignamente nossa Augusta Instituição do Esquadro e o Compasso a cada momento. Significa isto a formação do Homem Novo? Neste começo do novo milênio todos os pensadores modernos falam do advento de uma Nova Era e da formação do Homem Novo. Mas, para que estas aspirações possam tornar-se numa realidade precisa-se criar uma civilização baseada em um alicerce de valores de moralidade e em ideais espirituais, não simplesmente em valores puramente materiais. Qual deve ser o principal objetivo de uma sociedade? Uma sociedade que tenha como objetivo principal o progresso, a felicidade e o bem-estar de todos os homens, reconhecendo que o verdadeiro bem de cada um está profundamente unido ao maior bem de todos os demais, pode considerar-se que é uma sociedade maçônica, mesmo que todos os seus integrantes não sejam necessariamente membros de nossa Augusta Instituição do Esquadro e o Compasso. De que modo os maçons trabalham para criar uma sociedade maçônica? Os Maçons trabalham para criar uma sociedade maçônica principalmente pelo estudo da Verdade e a prática da Virtude, que são os dois instrumentos poderosos que possui todo Maçom consciente desses valores – o Esquadro e o Compasso simbólicos. Esses princípios se vinculam com as atividades diárias para alcançar o próprio progresso espiritual. Que aspecto compreende o estudo da Verdade? Na medida em que se estudam os ideais nobres e elevados da nossa Ordem, maior será nossa lealdade e nosso respeito para nossa Augusta Instituição. Este conhecimento é básico, pois somente pode ajudar de modo inteligente aquele que sabe como fazê-lo. Não basta ter boas intenções, precisa-se também estar bem qualificado para a tarefa a realizar. O estudo da Verdade significa também que cada Maçom deve refletir esta Verdade em pensamento, de modo que não deve pensar mal dos outros, não atribuir motivos sem fundamento às pessoas, nem sentir inveja ou ciúme dos demais, não prestar atenção às fofocas dos fracassados e não mentir. A palavra de um Maçom tem de corresponder à de um cavaleiro e deve servir sempre para oferecer alento, para consolar, para ensinar, para expressar afeto e compaixão. Quem domina a sua palavra terá pleno controle sobre todos os seus atos. As ações de um Maçom devem ser de serviço constante, pois sabe que a maior felicidade está em dar e não em receber. Todos os seus esforços estarão unidos a toda ação nobre e a todo propósito justo. Que se pode dizer sobre a prática da Virtude? A prática da Virtude é uma questão fundamental na vida maçônica. Por vezes considera-se que basta ser bondoso, não se misturar com problemas alheios e ocupar-se somente dos assuntos próprios. Esta é uma forma refinada de egoísmo. Um egoísta é uma pessoa anacrônica e está destinado a viver em solidão. A prática da Virtude não é algo negativo e sim uma atitude vigorosamente positiva e profundamente ativa, que sempre será uma atitude cheia de otimismo. A Maçonaria estimula a ajuda mútua e também a beneficência, que compreende a visita aos enfermos e a participação em funerais. Como podemos dizer que praticamos a Virtude se não nos preocupam os problemas, os sofrimentos e as dificuldades de nossos irmãos? Será possível falar da prática da Virtude se não cumprimos com os nossos deveres familiares, cívicos e maçônicos? Temos de ter presente que a Humanidade está sempre representada na pessoa que se encontra perto de nós em um dado momento. Qualquer auxilio que brindemos a uma pessoa que tem um atrito ou uma necessidade, é uma ajuda que brindamos a todas as criaturas. Por isso, a prática da Virtude compreende o cumprimento estrito de todas as nossas obrigações e de nossos deveres sociais. Qual é o dever imediato do Maçom? O Maçom, assim como o cientista, tem o dever de adquirir conhecimento e domínio sobre todos os princípios e leis que regem os reinos da Natureza, mas difere do cientista porque o seu campo de atividade não está limitado somente ao físico, já que o seu estudo é muito mais abrangente, porque compreende o que denominamos o mundo moral ou espiritual. Na linguagem habitual maçônica ao referir-nos aos Antigos Limites da Fraternidade (em inglês “Landmarks”), expressamos em que se constituem as bases ou fundamentos de nossa Augusta Instituição do Esquadro e o Compasso, que são leis universais, i.e., preceitos ou princípios que têm conservado os seus valores inalteráveis através dos séculos. Poderia o Ilustre Irmão mencionar o primeiro destes preceitos? Ao definir a Maçonaria se diz que ela é a Instituição orgânica da Moralidade. Este é um princípio muito controvertido e, em ocasiões, mal compreendido, já que deve explicar qual é o papel e o lugar que ocupa a Moralidade na vida de um Maçom. Quando a motivação, o impulso ou o incentivo para agir na vida de um membro está dirigido só para alcançar o poder pessoal, para a ambição por ocupar cargos, pela busca de louvor, para o seu orgulho ou a satisfação de suas ambições, este comportamento pode considerar-se “imoral” ou “antimaçônico”, não sendo possível praticar uma moralidade elevada porque seria uma contradição, provocando conflitos internos que levariam o membro a abandonar nossas fileiras. Como menciona um provérbio: “Não é possível estar com Deus e com o diabo ao mesmo tempo”. O orgulho e a vaidade são considerados, do ponto de vista maçônico, como indecorosos. Um Maçom não somente deve parecer uma boa pessoa, mas tem de sê-lo! Como se preserva a pureza dos membros? A Maçonaria conta com um aliado valioso que é o tempo, que se encarrega de depurar gradualmente nossas fileiras, o que na linguagem mística se denomina “separar o grão da palha”. Todos os que têm muitos anos como membros da Maçonaria têm sido testemunhas de que todos aqueles membros sem escrúpulos, em diferentes circunstâncias e épocas, têm ficado na beira do caminho. Quais são os que permanecem na Maçonaria? Aqueles que são fieis aos princípios e às leis universais da Maçonaria. São todos aqueles que sofreram injustiças pessoais e ficaram firmes em seus cargos; os que valorizam a Augusta Instituição acima das debilidades humanas; os que têm aprendido a enfrentar sacrifícios pessoais, de modo natural e simples, como quando se interrompe o descanso ou a comodidade de nosso lar para participar em uma sessão maçônica, visitar um enfermo ou participar de um funeral. São os irmãos humildes, que não procuram se sobressair, e que cumprem os seus deveres de modo simples, os que levam uma vida de elevada moral maçônica. Isso precisa anos de esforços, na prática de uma verdadeira vida maçônica. Pode dizer-nos algo mais sobre a Moralidade da Maçonaria? Para trilhar o caminho e colocar em prática a vida maçônica a que fazemos referência, precisa-se uma moralidade elevada, não uma moralidade do tipo convencional, nem mesmo do tipo religioso comum, que diz: “Faça o que eu digo, mas não faça o que eu faço”. Do ponto de vista filosófico, a Maçonaria não é um credo, mas uma forma de comportamento, uma forma de vida, e pode-se considerar que um bom Maçom é aquele que é bom filho, bom esposo, bom pai, bom irmão... Uma moralidade de tipo transcendental, que está baseada em leis e princípios da Natureza, e se deve praticar de modo a poder liberar o membro dos grilhões da ilusão e da ignorância, que é o que o tornará um exemplo vivo do que predica. Que se poderia acrescentar ao respeito dessa ênfase na Moralidade? O objetivo de praticar uma moralidade elevada não é para atingir uma felicidade temporal ou transitória, em meio das ilusões e da ignorância em que estamos envolvidos, mas sim para obter uma visão interior profunda de consciência que, quando conquistada, proporciona ao Maçom uma felicidade verdadeira e duradoura, um estado de paz e de tranqüilidade internos, um equilíbrio que nada exterior pode alterar. Então todas as comoções ou perturbações ao nosso redor não poderão alterar esse estado de equilíbrio e poderemos marchar pela vida seguros e repousados, com a nossa consciência tranqüila, pois não temos produzido dor, sofrimento ou crueldade a nenhuma pessoa. Um outro aspecto a salientar é que a prática de uma moral elevada constitui um escudo protetor valioso e importante que protege o Maçom em sua luta no dia-a-dia. Temos que lembrar que somente podemos ser atacados por nossas debilidades e não por nossas virtudes. Não se torna muito difícil a prática de uma Moralidade elevada? Sim, a prática de uma moralidade elevada é algo difícil. Nossas vidas têm sido desenvolvidas em meio a enganos, mentiras e invejas. Sempre procurando as possessões e os cargos dos outros; considerando sempre nosso interesse pessoal acima de tudo, não tomando em consideração o bem-estar dos demais ou do coletivo. Vivemos em um mundo no qual quanto mais se tem, mais se quer, mais se deseja, onde a ambição sem limites por coisas materiais leva à dor e ao aprendizado de que tudo isso não proporciona a felicidade que estamos procurando. Depois dessas reflexões breves feitas podemos perguntar: Por acaso não vale a pena aceitar este desafio e preencher as nossas vidas com as doutrinas inspiradoras e os ideais elevados da Maçonaria, para tornar-nos Maçons verdadeiros? Com referência ao futuro da Maçonaria podemos afirmar que, como no passado, ela tem um papel maravilhoso a representar na civilização do futuro. Não foi inutilmente que os antigos ritos sagrados foram conservados secretos e os poderes imemoriais dos Mistérios foram transmitidos através dos séculos até nosso mundo moderno neste começo do terceiro milênio, pois atualmente nos achamos no limiar de uma nova era, segundo o plano do Grande Arquiteto do Universo, no qual muitos se sentirão atraídos pelo ensino filosófico e primitivo ministrado nos Mistérios do Egito, que são a herança que tem sido preservada na fraternidade maçônica. Esta modesta contribuição está dedicada humildemente a essa grande alma que nas lutas do século dezoito trabalhou, sofreu e triunfou, e que é o Supremo Hierofante de Todos os Verdadeiros Maçons.
"Todos os MSTs têm uma certa responsabilidade de mostrar, através de sua própria pessoa, da sua vida, das suas atitudes e das suas ações, o que significa a Teosofia para alguém que a integra em sua vida diária." N. Sri Ram
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